O comportamento da juventude

Oscar P. de Menezes

Publicado em 20 de fevereiro de 1966

A excessiva liberdade com que se vai conduzindo a mocidade, descontroladamente, sem reprimir as tendências que deformam o caráter, dizem – para não criar complexos –, está certamente exigindo medidas sérias daqueles a quem cabe a responsabilidade de educar e preparar o homem de amanhã.

Os complexos de que tanto falam hoje resultam, sem dúvida, de uma educação sem motivar objetivos, ausente de princípios salutares e exemplos dignos. Não se compreende que se adquira complexos pelo fato de serem reprimidas as tendências e os impulsos nocivos, tão prejudiciais a uma boa formação moral.

Deixar que alguém dê expansão à vontade mal educada, para não criar complexos, é erro responsável por inúmeras criaturas desajustadas, entregues a vícios, quer mentais, quer físicos, cujo comportamento não foi condicionado à disciplina, por falta de quem soubesse conduzir em bases retas, justas e verdadeiras.

A conduta humana há que se submeter a normas sadias que induzam a práticas benéficas, e demonstrem superioridade nas ações, sem querer humilhar os outros. Devem ser pautados em obediência à razão e ao bom senso os princípios de que todos carecem. Ninguém pode aperfeiçoar-se moralmente, distanciando-se do caminho da perfeição, ou sendo impelido pela animalidade que, infelizmente, perturba e avassala. E tanto assim é certo, que por todos os lados ouvem-se gemidos e surgem desgraças: a insensatez unida à insensibilidade criam problemas que necessitam ser debelados.

A maioria mostra-se adepta da lei do menor esforço, torna-se negligente ao estudo das coisas sérias, só vê os prazeres do mundo, e acaba por ignorar os conhecimentos reais da vida: sofrem e fazem outros sofrerem. É preciso que exercitem o raciocínio, trabalhem e se esforcem para neutralizar os efeitos de uma vida negativa: só de sensações, só de ilusões. Sem dúvidas, este não é o principal objetivo do homem neste planeta, pois se trata de ser inteligente que se diferencia do irracional, devendo conduzir-se diferentemente.

E só a educação racional, baseada em princípios reais, que não admitem a mentira nem escravizam o espírito às paixões que desgraçam e infelicitam, poderá reformar costumes e dar orientações segura à vida.
 

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