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| O homem e
sua causa Clecy Ribeiro Não foram nomes escolhidos ao acaso, mas ao acaso muitos, muitos mais, compreensivelmente, ficaram de fora. Predestinação, determinismo, missão na Terra, como quer que os cortejemos, eles perpetuam-se em suas causas humanísticas, exemplos de espiritualismo. Jesus Cristo, o semeador, será talvez aquele cuja força psíquica começou a mostrar a alma humana em evolução, para provar que esta é uma lei a que tudo está sujeito no Universo. Pregador do bem e da virtude, filósofo, almejava a perfeição, e terá sido o fundador da religião da humanidade, do desprendimento. Como semeadores foram Confúcio e Buda, embora ligados ao âmago das religiões, que os ensinamentos de Cristo transcendiam. Dedicado à causa da Verdade, ao espiritismo como ciência, e como tal só este explicando a origem, natureza e evolução da alma, o médico Antonio Pinheiro Guedes, ao longo de seu percurso em vida, aplicou a ciência espírita para curar. Acreditava, já, que o espírito existe como síntese e elemento unificador do conhecimento das coisas, fatos e fenômenos. Prócer da saúde pública, Oswaldo Cruz é pioneiro na fabricação de vacinas, precedido por Louis Pasteur, devotado (obra em sete volumes) à teoria do germe de doenças. Um passo decisivo para a descoberta da vacina da raiva e contra a hidrofobia, salvando milhões de pessoas em todo o mundo. Em causa não menos importante, Pierre e Marie Curie, com suas pesquisas sobre a radioatividade, fizeram germinar as bases da pesquisa nuclear. A relatividade e a nova face do Universo introduzem um Albert Einstein um tanto zombeteiro, ao apor nota de pé de página, em artigo de próprio punho, divulgado pelo jornal Times, de Londres, em 1919: "As observações do vosso jornal, relativas à minha pessoa e às circunstâncias da minha vida, testemunham, em parte, a alegre imaginação do autor do artigo. É ainda uma espécie de aplicação do princípio de relatividade para divertimento do leitor. Se é verdade que hoje me chamam na Alemanha "sábio alemão" e, em Inglaterra, "judeu suíço", não é menos verdade que, se estiver um dia em situação de ser considerado "bête noir", serei, inversamente, para os alemães um "judeu suíço" e para os ingleses, um "sábio alemão". Educação como prática da liberdade, causa abraçada por Paulo Freire, tem legado assegurado pelo Instituto que porta seu nome. Direito à educação, um bem universal – assim afirma-se a teoria que levou à prática no Terceiro Mundo, via campanhas de alfabetização, em que instrumentos de leitura e escrita voltavam-se, também, à inclusão social. Uma filosofia de educação, ditando uma visão crítica da sociedade para levar a alternativas libertadoras. Numa associação de ideias, há que lembrar Jean Piaget, filósofo suíço dedicado à psicologia experimental da criança, como meio de chegar a uma mais completa e verdadeira compreensão do homem: o nascer da inteligência. Arma da verdade, amor, boa vontade, forma de resistência dissociada do "outro", mesmo ao custo de ofensas físicas e morais, o pacifismo faz escola. Gandhi, Luther King, Nelson Mandela tiveram sonhos parcialmente tornados realidade. Princípios nacionalistas e cristãos os mergulharam na luta por direitos civis, mas nem para eles nem para o mundo a democracia superou, ainda, o que se tem como verdadeiro teste: capacidade de agir por vontade própria (o livre-arbítrio em ação), sem ferir vida ou propriedade alheias. No mesmo sentido gandhiano, Vandana Shiva, filósofa em ciências e ecologista, defensora do meio ambiente, prega o direito de todo ser humano de se opor e resistir: "Somos parte de uma humanidade comum, que compartilha o mesmo planeta..." Costuma dizer que pequenos passos, quando dados por um grande número de pessoas, podem fruir em coisas momentosas. Mesmo na área tecnológica há exemplos, como Santos-Dumont, vislumbrando progresso e desenvolvimento na conquista dos céus. Sem maior orientação, contudo, desviado o sentido que emprestou a seus inventos, o desgosto apressou-lhe a desencarnação, mas não lhe esfumou a aura idealista. Geniais, tolerantes, pregadores do bem, solidariedade, harmonia, mas simplesmente humanos e espiritualizados, integram-se tantos mais à plêiade que, com denodo, em corpo carnal ou astral, trabalha a espiritualização da humanidade. Homens e mulheres que fizeram ou fazem sua a causa racionalista, ainda que muitos a desconheçam como tal. Não terá sido acaso a escolha do Brasil – ecumênico, multiétnico, multirracial, multicultural, espiritista e espiritualista – para germinar a semente. É a terra boa, fértil, decantada por Pero Vaz de Caminha, onde "em se plantando tudo dá". (A autora é jornalista) |
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