O homem no mundo

Oscar Pereira de Menezes

A Razão publicava em 20 de janeiro de 1957

A vida humana é cheia de problemas: uns próprios do mundo; outros, oriundos do homem, que, não sabendo usar suas faculdades, cria por vezes dificuldades, fomenta incompreensões, quando devia procurar saná-las sem interesses alheios.

Certamente as soluções dos problemas do mundo não surgem por encanto, precisam ser planejadas, trabalhadas e encaminhadas sob um critério definido que não se afaste da realidade, que tenha autenticidade e não oculte seus meandros fins ilícitos, contrários ao bom senso.

Tudo que é feito calmamente, sem atropelos, e passa por um amplo estudo e acurada meditação tem possibilidades de aproximar-se da perfeição e apresenta relativa eficiência. Todo trabalho consciente e tranqüilo requer analise serena e esforço concentrado, para que se obtenham resultados apreciáveis. Neste particular, a sensatez e o equilíbrio são conselheiros, ajudam a encontrar o melhor caminho e a obter solução adequada.

Por mais difíceis que os problemas pareçam ou se apresentem, podem ser resolvidos, desde que passem pelo crivo da razão esclarecida, não se vinculem a interesses puramente pessoais, e haja na sua realização espírito de renúncia, dominando apenas uma preocupação: o cumprimento do dever. Dar outro sentido, é desfigurar o objetivo e conduzir a resultados que não expressam o verdadeiro conteúdo, porquanto não se ajustam a bons princípios que acautelam a integridade, tanto nos julgamentos, quanto na moral, destacando-se os sentimentos elevados, a clareza de raciocínio, a lógica na apreciação dos fatos, fazendo, enfim, prevalecer medidas sensatas que não prejudiquem nem atentem contra a dignidade humana.

Mas, quando dominam sentimentos inferiores e mesquinhos, para salvar aparências ou satisfazer vaidades, os problemas se complicam, tomam coloridos diferentes, assumem aspectos egoísticos e, na maioria dos casos, causam intranqüilidade, trazem prejuízos e incertezas.

O homem que é movido pela paixão e pelos preconceitos sociais, não possui conhecimentos reais das coisas, é um joguete das circunstancias, e sem se aperceber torna-se o veículo da desordem e dos desajustamentos, impedindo o desenvolvimento da virtude e dos princípios sadios que pugnam pela ordem, pela compreensão e pela tolerância.

O mundo é assim, de dificuldades, de sofrimentos, mas também não deve o homem aumentar suas lutas. Ao contrário, precisa compreendê-las e estudar os motivos, a sua razão de ser, para que conduza melhor a própria vida e ganhe méritos na prática de ações que enobrecem.

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