![]() |
![]() |
|
|
|
|
O jogo da vida
Heloisa Ferreira da Costa Acompanhamos no passado mês de agosto de 2008 a realização dos Jogos Olímpicos de Pequim. É fantástico ver o que homem é capaz de fazer através da disciplina, da força de vontade e treinamento. O americano Michael Phelps parece estar em seu ambiente natural ao nadar, ganhou oito medalhas de ouro, é um país à parte, como dizem os comentaristas. Com isso em mente, pensei numa comparação físico-espiritual: será que sem toda essa dedicação esses atletas conseguiriam alguma coisa? Claro que não! Podemos, então, fazer uma bela analogia usando os jogos olímpicos. Vemos todos os dias pessoas procurando alguma orientação espiritual. Aportam às casas racionalistas cristãs levadas, ora pelo sofrimento, ora pela angústia ou vazio, e esperam ansiosamente que a Doutrina possa mudar as suas vidas do dia para a noite. É a mesma coisa que escolher um ser humano comum, que sabe nadar, e levá-lo aos jogos olímpicos e esperar que ele possa competir de igual para igual com os atletas. Impossível! Esta simples explanação serve para que possamos explicar às pessoas que chegam ao Racionalismo Cristão que não se pode mudar uma seqüência de eventos em pouco tempo, daí a importância de se esclarecer o homem como um composto de Força de Matéria, da lei do retorno, das sucessivas vidas em busca de aperfeiçoamento. Estamos todos no jogo da vida, e para alcançar a medalha de ouro não basta ter fé, é preciso ter atitude. Precisamos, então, de regras para fazer parte dos espíritos superiores. Por exemplo: regra número um – sempre dizer a verdade; dois – nunca viver com medo de algo ou alguém; três – estar consciente dos seus pensamentos e pensar positivamente; quatro – colocar amor em tudo que faz. A doutrina racionalista cristã é um código para a vida; se for seguido à risca não há como errar. Claro que é a falibilidade que nos torna humanos, e nessa constatação verificamos que o mundo e as pessoas não são perfeitos, mas é preciso que encontrem maneiras de ser felizes apesar disso e sempre buscar ser melhores hoje do que se foi ontem e assim sucessivamente. Não se pode mudar o que passou. Viver com saudade de paraísos passados ou de erros cometidos é que desvia a atenção dos esforços necessários para alcançar satisfação no presente, ao mesmo tempo prender-se a uma visão romantizada ou aterrorizada do passado é uma forma de sabotar o presente e comprometer o futuro. Se o objetivo da vida é a fusão com o Grande Foco, do qual somos todos partículas, como esperar que isso aconteça se continuamos a errar, reclamar, trabalhar apenas para suprir as necessidades da matéria? É preciso ter em mente que vivemos duas vidas que, como disse Antonio Cottas, não se juntam, mas não se separam. A disciplina e a força de vontade para evoluir espiritualmente são como um treino para uma olimpíada, só que não dura uma única vida, leva muito mais tempo, muitas vidas. E como deve ser bom poder chegar ao podium espiritual e chorar de emoção e alegria como o brasileiro César Cielo ao ganhar a medalha de ouro e que nos fez verter lágrimas juntos com ele ao som do hino nacional. "Quando eu era jovem, acreditava que a vida deveria desdobrar-se de modo ordenado, segundo minhas esperanças e sonhos. Agora, porém, compreendo que o caminho serpenteia como um rio, sempre mudando, sempre para a frente, seguindo a atração de Deus rumo ao grande oceano do ser. Minhas jornadas revelaram que o próprio caminho dá origem ao guerreiro; que toda vereda conduz à paz, toda escolha à sabedoria, e que a vida sempre foi e sempre será filha do mistério." (Do diário de Sócrates). (A autora é Militante da Filial Marília - SP ) |
|
|
|
|