O lado sombrio da Força

Heloisa Ferreira da Costa

A Doutrina educa e mostra o valor da essência de cada um

Assistir ao filme Guerra nas Estrelas foi para mim um marco, porque foi a primeira vez que levei meu irmão mais novo ao cinema. Ele tinha, na época, quatro anos e eu, 14. Tive que ler a legenda toda do filme e, claro, ficou uma lembrança muito boa para nós dois.

Não sou uma fã da saga, mas nesse filme se fala da Força, do controle que se pode ter no uso dela, dos lados bom e ruim, ou seja, ensina que tudo está no pensamento. Impressionou-me também uma história escrita de trás para frente, com intervalo de 30 anos, e acabei assistindo a todos os filmes da série por curiosidade. O último em particular, que agora ficou sendo o de número 3, mostrava por que o jovem Anakin Skywalker, tido como o escolhido para dar equilíbrio ao lado bom da Força, tamanho o desenvolvimento de suas habilidades espirituais, se tornava o Darth Vader, que representa o lado do mal. Como uma coisa leva a outra, me pus a questionar o que torna o ser humano bom ou ruim.

Todos os espíritos são bons em essência, mas os fatos da vida fazem as pessoas optarem pelos caminhos do erro. No filme em questão, o jovem se casa e tem sonhos premonitórios da morte de sua esposa no nascimento do filho. O medo da perda faz com que acabe se agarrando a um espírito maligno que lhe promete ensinar o segredo de trazer de volta as pessoas que morrem. Ele torna-se seu maior aliado e volta-se contra todos que o amavam. Antes de tudo acontecer, procura o mestre para se aconselhar, conta suas angústias e o que o estava afetando, e este o orienta sobre forte intuição. "O medo da perda é um caminho para o lado sombrio; treine a si próprio para se libertar de tudo que você tem medo de perder". Porém, cego de paixão, o herói sucumbe para o lado do mal, e no fim descobre, para seu desespero, que ao ligar-se às forças ruins acabou sendo ele o responsável pela morte da mulher. Triste final que, infelizmente, acontece tanto no viver terreno: o indivíduo, enxergando apenas o momento presente, com apego excessivo à matéria, acaba sendo o causador de suas próprias dores.

Na realidade todos os seres são seus próprios algozes. O que se pode fazer é buscar o esclarecimento sobre a vida fora da matéria para evitar que o uso incorreto do livre-arbítrio e uma decisão baseada unicamente em paixões levem a um futuro sombrio. Outro conselho importante: "Quando chegar a hora de parar, não force, apenas diga adeus!". A vida só será compreendida com a visão astral dos fatos e das pessoas que passam por ela. No momento dos acontecimentos não se sabe as conseqüências futuras, por isso é preciso análise coerente das situações, ouvir a voz da consciência, analisar os valores pessoais, porque uma decisão precipitada pode trazer resultados desastrosos e sofrimentos que poderiam ter sido evitados se a pessoa tivesse seguido mais a razão e menos a emoção. Quantas vezes não se fazem julgamentos precoces!... É preciso controlar as paixões, mágoas e gênio para que a inteligência possa guiar para o cumprimento dos deveres.

Quando se está envolvido em uma determinada questão falta a noção do que é real e do que é imaginário, sem essa clarividência escolhe-se o lado errado, porque momentaneamente este parece certo, e mais tarde o arrependimento de nada adiantará. Aí vem a importância de uma escola espiritual, ensinando que a vida presente é apenas um capítulo de uma imensa novela. Há necessidade de conhecer a trama da natureza para que as escolhas possam ser feitas de forma a não causar dor futura. Mesmo que no momento da opção haja a sensação de perda, as leis do universo se encarregarão de pôr as coisas no lugar. Pior do que perder algo ou alguém é saber que se podia ter evitado um viver desagradável; isto, sim, é muito difícil de suportar.

O indivíduo tem que aprender a ser desprendido, se quiser realizar alguma coisa proveitosa para sua encarnação.

Nos momentos de angústia não deve perder a confiança em si próprio e nem nas Forças Superiores, elevando sempre o pensamento para receber intuições de encorajamento.

(A autora é militante da Filial Marília, SP)


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