|
O Racionalismo Cristão em minha vida
Diovana Edi Borges Bonini Marconi
Lembro-me como se fosse hoje. Estava no alpendre de casa, brincando com
minha melhor amiga. Brincávamos de bonecas, de inventar, de faz de conta,
enfim, vivia em um mundo de magia e imaginação, mas uma das brincadeiras que
sempre me acompanharam era a de ser professora. Havia apenas a pequena
lousa, todo o restante era imaginário: sala de aula, alunos... Minhas
bonecas, estas sim, aprendiam tudo direitinho.
Parece que vocação não se cria, está presente desde tenra idade e perdura na
mocidade, passa pela madureza e vai até a velhice.
Este meu imaginário foi dando lugar à realidade, quando ingressei no Cefam
de minha cidade natal e quase que ao mesmo tempo fui aprovada no Curso de
Pedagogia da Unesp, Campus Marília (SP).
Minha vida mudou da noite para o dia, e tudo muito rápido. Tive que tomar
muitas decisões difíceis e vim para Marília com a cara e a coragem, mudança
de cidade, solidão. Muitas e muitas horas de lágrimas que corriam pelo rosto
como um riacho de águas límpidas brotando de uma nascente. Tento florear,
mas ainda bem nova conheci a realidade e a dureza da vida. Posso dizer-lhes
que foram anos difíceis...
Uma luz no fim do túnel, meu baluarte, foi o magistério, e por que não dizer
meus professores, minhas colegas de classe, e todas as pessoas que
participaram direta ou indiretamente de minha vida naquela ocasião.
Minha vida era estudar pela manhã, à tarde e
à noite; meus passatempos se resumiam a ouvir músicas que me faziam esquecer
a realidade e a incerteza de meu futuro, porém sempre acreditava que seria
através do ensino, do magistério, que conseguiria meu lugar ao sol.
E minha vida foi transformando-se, fui crescendo como pessoa, aprendendo a
dar valor a pequenas coisas, ou seja, a coisas que realmente têm valor e que
passam despercebidas quando vivemos ao lado de familiares, de pessoas que
nos amam.
Minha vida não se resumia a só tristeza. Amizades novas foram surgindo, umas
legais outras nem tanto, até que encontrei alguém que me despertou um
sentimento diferente, e parecia até que já o conhecia de longa data.
Confesso que também estava sozinha em uma cidade estranha, com pouquíssimas
amizades e esta pessoa especial surgiu em minha vida como uma surpresa boa.
Hoje meu marido, quando ainda namorávamos, me dizia: " Escolhi como minha
esposa uma professora, e todas as noites eu pensava em encontrá-la". Aquelas
palavras, na época, pareciam uma tolice, mas hoje digo que são a nossa
realidade e minha felicidade, em referência ao campo profissional, à minha
busca, à minha vontade de ser uma educadora; alcancei esse objetivo, novos
horizontes e metas já surgiram e assim vou buscando dia a dia a felicidade
relativa proporcionada pelas minhas escolhas.
Hoje me sinto realizada, no sentido de haver construído uma família, com uma
linda criança de quatro anos. Em abril deste ano completaremos dez anos de
união e harmonia conjugal.
O Racionalismo Cristão surgiu em minha vida por intermédio de meu marido,
que, quando ainda namorado, já frequentava a casa racionalista cristã, e, de
certa forma, foi me introduzindo na Doutrina. Confesso que no início
relutei. Sou espírita de formação, mas não concordava com a austeridade
imposta nas doutrinações dos espíritos que faziam suas comunicações pelo
instrumento mediúnico nas reuniões; confesso que não gostava.
Hoje, após anos e anos observando a Doutrina, sei que a prática das
irradiações produz um campo de energia muito grande, elas são mesmo um
verdadeiro banho espiritual que nos eleva o pensamento, e as efluviações são
percebidas em todo o ambiente, que se torna desanuviado e calmo.
Não somos militantes, mas somos assíduos às irradiações, na presença à casa
racionalista cristã, e com isso nos mantemos na disciplina do dever,
disciplina imposta de uma maneira tranquila, e com isso nossa vida se torna
mais objetiva e dirigida para o bem.
Em um breve relato, o ensinamento oferecido pela Doutrina nos esclarece
sobre o que somos, e o que devemos fazer em virtude de nosso viver na Terra,
bem lembrando que cada um está em um estágio espiritual, e o grau de
compreensão da Doutrina é diferente para cada ser, mas o mais importante é
que todos caminham para o esclarecimento espiritual.
(A autora é frequentadora da Filial Marília-SP)
Página principal | Arquivo |