O rouxinol

Há muito tempo, vivia no Japão um imperador surdo. Como não podia escutar o belo canto dos pássaros, mandava matar todos os que não tivessem uma bela plumagem.

Um dia, Ayumi, a filha do imperador, ouviu o canto de um rouxinol pousado num dos galhos de seu jardim e sentiu-se obrigada a dizer:

– Meu bom amigo, não deve ficar aqui ou será morto.
– Eu morrerei de qualquer forma durante uma dessas frias noites – respondeu o pássaro.

Com pena, Ayumi levou-o para seus aposentos, e durante muito tempo desfrutou de seu canto e de sua companhia.

Mas uma manhã, inesperadamente, o imperador entrou no quarto da filha e descobriu o rouxinol.

– Fuja para não ser morto! – gritou ela.

O passarinho obedeceu, e Ayumi começou a enfraquecer de saudade e tristeza, até ficar gravemente doente.

O imperador chamou os melhores médicos do Japão e o mais idoso disse:

– Não podemos fazer nada por sua filha, mas curaremos sua surdez, se aplicarmos em seus ouvidos o coração quente de um rouxinol.
– Então, procurem um rouxinol! – ordenou o monarca.

Trouxeram-lhe justamente o passarinho amigo de Ayumi, o qual disse ao soberano:

– Pode usar-me, senhor. Sei que sua filha ficará feliz e curada quando Sua Majestade conseguir escutar.

Diante de tanta bondade, os olhos do imperador encheram-se de lágrimas. Em seguida, anunciou:

– Prefiro ficar surdo por toda a vida a ordenar que matem o passarinho da minha filha.

O rouxinol continuou a alegrar os dias da jovem, e o imperador compreendeu que a abnegação é a mais bela das virtudes.

O que é abnegação? É a qualidade de ser desprendido, ou seja, desapegado a coisas que não são importantes, dando prioridade ao bem-estar dos outros. É o sacrifício dos próprios interesses para atender ou satisfazer as necessidades alheias.

Quando somos crianças, um exemplo de desprendimento é emprestar os nossos brinquedos sem fazer birra, entendeu?

 

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