Obstrução intestinal

Robinson Botelho de Faria

O bloqueio do conteúdo pode ocorrer por uma obstrução mecânica ou por paralisia do músculo intestinal.

A obstrução intestinal é uma síndrome (um conjunto de sinais e sintomas que caracterizam um estado de doença) em que o conteúdo, tanto do intestino delgado quanto do grosso, não pode progredir até o reto, impossibilitando sua eliminação do organismo. O bloqueio do conteúdo intestinal pode ocorrer por uma obstrução mecânica do interior do intestino ou por paralisia do músculo intestinal, e então chamamos de íleo paralítico. Esse bloqueio pode ser completo ou parcial, no delgado ou no grosso, apresentar sofrimento vascular ou não (diminuição do aporte de sangue oxigenado e com nutrientes), e ainda podemos ter uma obstrução chamada em alça fechada, quando existem dois níveis de obstrução e o conteúdo entérico não vai nem para frente nem para trás.

A obstrução mecânica pode dar-se por três formas:

• Obstrução do interior intestinal provocada por tumores que crescem para onde transita o conteúdo fecal, invaginações do intestino, pólipos que são semelhantes a verrugas, grandes cálculos biliares, corpos estranhos, fecalomas (pedras de fezes ressecadas).

• Obstrução provocada por problemas da parede intestinal, como inflamações causadas por tuberculose, radioterapia etc...

• Obstrução causada por compressão externa, como tumores que crescem fora do intestino, aderências abdominais (abdome que sofreu várias cirurgias) que provocam acotovelamento do intestino, volvo de sigmóide (torção). Hérnias são importantes causas extrínsecas de obstrução intestinal.

O íleo paralítico é observado no pós-operatório de cirurgia abdominal, alteração de eletrólitos, processos infecciosos de pulmões, dos rins, septicemia (infecção generalizada), fraturas de bacia, coluna etc...

A obstrução provoca distensão do intestino pelo acúmulo de líquidos e gases. Se completa, pode ser tão intensa ao ponto de impedir a movimentação do diafragma, interferindo na respiração. Se baixa, pode levar o conteúdo fecal a refluir pela boca através de vômitos. Ocorre desidratação, taquicardia, prejuízo na filtração renal, hipotensão e rápida multiplicação de bactérias intestinais.

Quando a obstrução é no intestino grosso, a válvula íleocecal, que fica na transição dos dois intestinos, se competente, não permite que o conteúdo reflua para o delgado, podendo haver a ruptura do ceco com graves conseqüências.

Observamos dor abdominal importante, tipo cólica inicialmente e depois permanente, distensão, vômitos, constipação, aumento do peristaltismo, incapacidade de eliminar flatos. Pode haver desidratação, febre, hipotensão, perda de peso significativa nos casos de tumores.

Normalmente podemos fazer diagnóstico da síndrome apenas com a história e exame físico. Exames complementares ajudam a estipular a causa e instituir o tratamento. Deve haver estabilização clínica do paciente antes de qualquer procedimento. Invariavelmente o tratamento é cirúrgico, menos no caso do íleo paralítico.

(O autor é Cirurgião Torácico do Hospital Souza Aguiar)


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