Odisseia 2010

Heloísa Ferreira da Costa

Odisséia é o poema do grego Homero, que em tempos distantes e mágicos narrou o retorno de Ulisses à sua pátria depois da tomada de Tróia. Esse termo passou a significar também narração de aventuras extraordinárias; ou viagem cheia de peripécias; ou ainda série de complicações, acontecimentos variados e inesperados. A vida entendida como odisséia é mesmo uma aventura extraordinária em que não faltam complicações sem conta para nos obrigar a progredir e exercitar a coragem.

Estaremos vivendo em 2010 a comemoração do centenário do Racionalismo Cristão, e ao escrever sobre o tema me veio à mente a primeira vez que ouvi o termo odisséia. Foi por volta de 1970. Meu pai me levou ao cinema para assistir a 2001 – Uma odisséia no espaço, considerado um dos melhores filmes de ficção científica de todos os tempos, dirigido por Stanley Kubrick e lançado em 1968. Eu adorava ir ao Cine São Luís com meu pai, mas do filme em questão não entendi absolutamente nada, e nunca assisti a ele de novo. Veio-me, porém, a ideia de relacionar o título ao centenário, e qual não foi minha surpresa ao ler sobre o filme, e saber que ele analisa a evolução do homem, desde os primeiros hominídeos capazes de usar instrumentos até a era espacial e para além; ao ler uma crítica e saber que a sensação  de perplexidade e estranheza é normal porque a obra é considerada uma das mais complexas da história do cinema. Então, com dez anos de idade nada mais normal do que não o compreender.

Portanto, nada mais propício para falar da odisséia do Racionalismo Cristão do que compará-la a esse filme, considerado complexo, mas de  profundidade ímpar. Assim é o Racionalismo Cristão. Muitas pessoas, ao entrar em contato com esta doutrina pela primeira vez, não a compreendem, é mais fácil atribuir a responsabilidade de nossas venturas ou agruras a terceiros. Se porém, ao invés de voltar a mente para coisas aparentemente simples, a pessoa se aprofundar no estudo das obras verá, como eu vi agora, analisando o filme, como ela é maravilhosa, de fácil entendimento e capaz de proporcionar uma alegria de viver incomensurável porque, dando liberdade ao homem, ele não mais errará por medo de castigos, mas sim por dever consigo mesmo, com sua evolução e com seus semelhantes. Este mês que passou estive em São Paulo, numa viagem bem rápida. Essa cidade nos faz perceber como as pessoas andam tristes no geral. Peguei o metrô nos dois horários de pico, às seis horas da manhã e, depois, às seis da tarde. Observei a maioria dos semblantes tristes e sonados, sem falar dos incovenientes de plantão. Essas viagens são verdadeiras "odisséias" para quem tem como atividade a militância no Racionalismo Cristão, porque se fosse de domínio público o conhecimento da evolução espiritual, de que este é um mundo-escola, que todos têm erros passados a serem processados, que a felicidade é uma opção e não uma condição, o mal reconhecido seria mais facilmente debelado e evitado.

"Todos têm sua odisséia. Muitas vezes, aquilo que aos outros pode parecer ser um mal passa a ser por nós tido como um grande bem. Dores morais e físicas todos temos que receber um pouco por estarmos no mundo físico, mas o esclarecimento que o Racionalismo Cristão nos dá faz com que saibamos viver amenizando os sofrimentos." (Antonio Cottas)

Assim, nossa luta é a divulgação desta bela doutrina, para dividir com nossos semelhantes o bem que já encontramos. Que alegria sentimos ao término do dia, após passarmos pela limpeza psíquica coletiva, deitar e evolar aos nossos mundos de estágio, encontrando a força anímica para seguir sempre em frente, tendo bons pensamentos, alegria, compreensão da vida, conscientes de que, por ser este um mundo físico, não pode haver nele felicidade completa, mas seguimos convictos em direção ao mundo espiritual, onde tudo é possível!

Vamos continuar navegando, buscando a fusão com o Grande Foco, sabendo que tudo aqui é transitório; ao cair, levantemo-nos, para não perdermos o costume de aprender; empenhemo-nos em entender o significado da vida que só nós mesmos podemos decifrar. Isso será suficiente para que os bons ventos nos impulsionem por mais 100 anos, lutando em prol da humanidade.

(A autora é Militante da Filial Marília, SP)

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