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80 anos de história - Editorial da edição comemorativa
Oitenta anos são passados desde aquele longínquo de 19 de dezembro de 1916. Os conflitos ainda não deflagrados e que levariam à Primeira Grande Guerra traziam uma atmosfera de instabilidade política e econômica. O futuro então era uma grande incógnita. Apesar disso, se acrescentava à História uma experiência jornalística que vinha para ficar, pois venceria todos os desafios, a ponto de hoje, quase no alvorecer do terceiro milênio, completar tantos anos de lutas e realizações dentro de seu histórico e permanente objetivo: informar e instruir. Foram 1644 edições ininterruptas de 19 de dezembro de 1916 a 30 de junho de 1921. Como muito bem definiu Emir Nunes de Oliveira, no editorial de A Razão de 8 de dezembro de 1937, quando o jornal voltou a circular, depois do que ele classificou de "longo interregno", (...) "Trabalhar e lutar por tudo que seja nobre e altruístico, objetivando a melhoria material e a elevação espiritual dos seus, era o programa de Luiz José de Mattos. Esse o programa de A Razão. A conformidade da nossa diretriz de hoje é assim perfeita como a de ontem". De fato, os ideais de ontem são os de hoje, apesar das naturais mudanças dentro da sociedade humana, e da história da humanidade, a evolução é e será sempre o verdadeiro objetivo da existência, e, dentro desse objetivo, nós continuamos e continuaremos firmes em nosso propósito e ao direcionamento que norteou nosso fundador Luiz de Mattos na busca de um idealismo tão elevado em si mesmo. Depois de muitas lutas, em que se destaca o empenho do Consolidador Antonio Cottas, nos esforços que levaram à legalização e ao patenteamento definitivo do título A Razão, em 15 de janeiro de 1938, feliz pelo retorno do jornal que então voltava a circular, a filha do fundador, Maria Cottas, fez um significativo discurso, onde relatava as emoções vividas por seu pai em 19 de dezembro de 1916: "Grande foi a alegria que o aparecimento deste jornal trouxe; para ele viveu incansavelmente. (...) Satisfeito seu grande desejo, parece-me vê-lo com aquele sorriso tão bom que a todos alegrava". A Razão cresceu, transformou-se no porta-voz das massas caminhando lado a lado com os anseios do povo, sendo o grande aliado na luta pela implantação das leis trabalhistas, uma legislação que deveria permitir ao trabalhador o amparo na doença e na velhice. No entanto, somente na década de 30 essa luta das classes trabalhadoras atingiria seu elevado objetivo social. Sem dúvida, A Razão foi um dos maiores ideais de Luiz de Mattos. A Razão e o Racionalismo Cristão. O Racionalismo Cristão e A Razão, marcas do idealismo de um homem, um humanista, um jornalista, enfim, um grande espírito que, ao longo de sua existência humana, esteve sempre à frente de seu tempo, lutando pela evolução através da construção de uma nova mentalidade, pois o Bem e a Verdade caminharam juntos na construção dos seus tão nobres e indeléveis objetivos. Se o noticiário nacional não deixava dúvidas quanto à extensão das problemáticas políticas, sociais e humanas de então, o mesmo se pode dizer acerca do noticiário internacional, onde o destaque eram os acontecimentos que culminaram com a aclosão da Primeira Grande Guerra. Vendo-se as antigas páginas de A Razão, tem-se a impressão, em certos casos, de que pouco ou nada mudou, em termos de problemática humana. Lá estão registradas as apreensões e insatisfações provocadas pelo aumento nos preços dos gêneros alimentícios, as discussões dos principais grupos políticos, as aflições dos moradores dos bairros populares, sua pobreza, violência e infortúnios. De tudo isso se conclui que não foi por acaso que aquelas páginas, hoje amareladas, influenciaram entusiásticas manifestações de simpatia popular. Era um jornal ao mesmo espiritualista e identificado com as lutas e atropelos dos menos favorecidos. De tudo isto se conclui que não foi por acaso a grande manifestação popular acontecida na Avenida Rio Branco, até hoje uma das vias mais importantes do Rio de Janeiro, quando os brasileiros do então Distrito Federal aplaudiram em passeata e do alto das sacadas as teses defendidas pelo jornal aos gritos de "A Razão, A Razão, A Razão". Voltando ao discurso de Maria Cottas, sentimos a emoção com que ela descreve a angústia vivida por seu pai, quando o jornal deixou de circular: "(...) dia horroroso para Luiz de Mattos, A Razão parou de circular. Ouço ainda seus suspiros e vejo a sua desolação que nos obrigava a adivinhar-lhe os pensamentos, caminhando na ponta dos pés, para que ele sofresse menos ou não acordasse quando conseguia conciliar o sono. Sofreu muito, chocou-se sua alma, mas desencarnou com a idéia sempre fixa de lançar novamente o seu jornal. A Razão era a sua única idéia desde 1916 e foi o seu último pensamento neste mundo". "(...)Ontem copiava o que ele escrevia ou ditava, hoje tenho por dever transmitir o que ele me ensinou". Com essas palavras, proferidas em 1938, Maria Cottas transmitia uma mensagem que continua atual e é muito importante para todos nós, que viabilizamos a continuidade deste ideal de Luiz de Mattos, que, mesmo perante todos os desafios, completa 80 anos de um idealismo que permanece e permanecerá, apesar das circunstâncias da imensa materialidade deste mundo. Também nós temos o dever de transmitir aquilo que aprendemos e que nosso fundador nos legou, construindo com nossa atuação, criteriosa e consciente, a realidade permanente desse existir. Desafios existiram e ainda existem, dificuldades e incertezas também, porém, como o ideal desta vida é o bem, sempre existirão os fortes de espírito, que, apesar de a inferioridade humana estar sempre alerta, mais alertas ainda estarão; pois, para eles não existem "impossíveis" tão fortes e capazes de fazer soçobrar o idealismo do nosso ilustre fundador. Portanto, não importam as tempestades a serem vencidas, pois as venceremos, convictos de que somos a força do Bem e da Verdade. Oitenta anos! E continuamos, e continuaremos, porque esse é o nosso dever de racionalistas cristãos. É, pois, com a alma iluminada pela gratidão ao muito que nos legou o nosso inolvidável fundador, que elevamos a nossa irradiação àquela alma imortal, num compromisso de sempre fazer dos seus objetivos o nosso ideal. (Edição de janeiro de 1997) |
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