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Ondas gravitacionais Thiago Monfredini Espera-se que a humanidade esteja preparada e em paz para utilizar as tecnologias futuras Ao mesmo tempo em que muitas descobertas na astronomia têm sido feitas observando-se ondas eletromagnéticas do espaço e apesar de instrumentos de observação cada vez mais sensíveis estarem em construção, um dos maiores desafios da Astrofísica é a detecção de ondas gravitacionais, de natureza diferente das ondas eletromagnéticas. O conhecimento das ondas gravitacionais vem com a teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein. Dos fenômenos previstos por essa teoria, este é o único ainda não comprovado. A Relatividade Geral é, atualmente, a teoria que explica mais precisamente a natureza da força gravitacional, esta que nos mantém ligados ao planeta Terra; e a Terra, ao Sol. É essa teoria, por exemplo, que prevê a existência dos buracos negros, objetos com campo gravitacional tão intenso que nem a luz escapa de sua atração. A Relatividade Geral é, ainda, a linguagem mais adequada para estudar o Universo em larga escala, ou seja, a evolução e distribuição da matéria; a expansão do Universo, a distribuição das galáxias. Segundo essa teoria, a força gravitacional é resultado de uma distorção geométrica no espaço causada por corpos com grande quantidade de massa. Para compreender melhor isso podemos imaginar, numa visão pictórica, uma bola de boliche, representando o Sol, sobre uma cama elástica. A bola de boliche deformará a cama. Se jogarmos bolas de gude em torno da de boliche, as bolas de gude acompanharão a deformação da cama elástica e cairão em direção à bola de boliche. Assim, por exemplo, a massa do Sol distorce a geometria do espaço em seu entorno, e através dessa distorção os planetas "escorregam", ficando ligados ao Sol, ou seja, ficando em órbita dele. As ondas gravitacionais se manifestariam, por exemplo, com o movimento das massas de um sistema binário (dois corpos orbitando um ao outro), e poderiam ser observadas à grande distância dele. Imaginemos, então, que nosso sistema solar fosse um sistema binário, ou seja, composto por dois sóis – a propósito, um fenômeno comum no Espaço. As estrelas vizinhas ao nosso sistema solar sentiriam as ondas gravitacionais vindas dele analogamente como as bóias sentem as ondas do mar, que se movimentam para cima e para baixo. No caso das estrelas, no entanto, as ondas gravitacionais provocariam uma oscilação na geometria delas. Inicialmente, por causa da natureza extremamente fraca das ondas gravitacionais, elas poderão ser detectadas de preferência vindas de corpos celestes muito mais maciços que o Sol, e em eventos catastróficos, como uma colisão de buracos negros. Com o avanço tecnológico decorrente destas pesquisas, espera-se coletar informações sobre a origem do Universo, evento impossível de ser estudado pela observação de ondas eletromagnéticas. No nascimento do Universo havia grande concentração de matéria (inclusive matéria escura) e as ondas eletromagnéticas estavam fortemente ligadas à ela, tornando esse período inacessível mesmo aos telescópios mais modernos. O estudo das ondas gravitacionais vindas dessa época ajudaria a compreender a natureza da matéria escura, cuja manifestação é puramente gravitacional; assim como verificar se a origem do Universo foi precedida por um Universo anterior e em contração. Atualmente, algumas teorias físicas muito exóticas prevêem a existência de universos paralelos. Segundo essas teorias, viveríamos em um Multiverso, no qual apenas a gravidade seria capaz de transpassar as barreiras entre os universos. A pesquisa a respeito das ondas gravitacionais poderá abrir uma nova janela de observação do espaço e examinar todas essas possibilidades. Será que poderemos alcançar o domínio de tecnologias como a das naves com propulsores anti-gravitacionais dos filmes de ficção científica, a partir desses estudos? Não sabemos. Mas esperamos que a humanidade esteja realmente preparada e em paz para usar as tecnologias futuras da melhor forma possível, sejam elas quais forem. (O autor é Militante da Filial Itaquaquecetuba, SP, físico) |
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