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Racionalismo Cristão, Alcoólicos Anônimos e Associação Anti-Alcoólica podem ajudá-lo a deixar o vício

“São mais de 20 anos sem beber. O drama, no entanto, durou 12 anos. "Bebi inveteradamente nesse período. O álcool me prejudicou muito", conta o gerente de suprimentos Wilson Dias, 75 anos, hoje aposentado e que se dispôs a conversar sobre o problema.

No início, o sofrimento da mulher e dos três filhos não foi suficiente para fazer Wilson largar o vício. Antes da decisão, o aposentado chegou a expulsar de casa um dos filhos, na época estudante de Medicina, com pouco mais de 20 anos. "Ele me disse que eu era um alcoólatra e eu não aceitei", conta. Por causa da bebida, Wilson perdeu ainda um emprego estável, no qual havia sido promovido.

O aposentado se lembra muito bem do último porre: "Foi em 26 de setembro de 1985. Moro em Santana (Zona Norte de São Paulo) e, depois de uma festa, na hora de ir para casa, me deu um branco total. Fui parar na Imigrantes (rodovia que liga a capital paulista ao litoral sul do Estado de São Paulo). Passei a noite toda rodando e só consegui chegar em casa no dia seguinte. Quando cheguei, meu filho caçula estava saindo para ir à faculdade. Quando me viu, começou a chorar". Wilson, então, procurou, pela terceira vez, um dos núcleos da Associação Anti-Alcoólica na capital paulista e, a partir daí, nunca mais quis saber de beber.

 

DANOS À SAÚDE. Amnésia é um dos muitos problemas causados pelo álcool. Além dela, o vício pode causar derrame cerebral, doenças cardiovasculares, como hipertensão e infarto, tremores, úlceras e cirroses (deterioração do fígado). "Os órgãos mais afetados pelo uso do álcool são o cérebro, o coração e o fígado. O sistema nervoso fica completamente alterado", explica o clínico e cirurgião Ajax Silveira, que trabalhou por mais de 40 anos na recuperação de alcoólatras. Experiente, o médico acredita que o primeiro passo para o tratamento é reconhecer o problema, ou seja, a iniciativa deve partir do doente. Não há remédios milagrosos que façam, por si só, com que o doente abandone o vício.

"Só se obtém resultado quando o paciente se dispõe a colaborar com muita força de vontade e, acima de tudo, reconhecendo que é um alcoólatra e que precisa de ajuda", escreveu Umbelina Guimarães, autora do livro A luta do bem contra o mal, do acervo do Racionalismo Cristão.

É claro que o apoio da família vale muito, mas só o doente pode decidir parar de beber. A favor desta decisão, está a consciência das desgraças trazidas pela bebida. Ainda sobre a experiência do aposentado Wilson, ele se lembra de quando o filho caçula o encontrou, bêbado, numa calçada da Avenida Ipiranga, no Centro de São Paulo. "Depois de dois dias perdido, a ermo, fui encontrado em estado lastimável. Não sabia nem que dia, nem que horas eram", conta.

"Após passar uma noite a beber, a intoxicar-se, estará algum homem em condições de bem cumprir os seus deveres, de produzir alguma coisa de bom no dia seguinte?", perguntou Maria Cottas, em seu livro Contos Morais, do Racionalismo Cristão. É claro que não.

 RESISTÊNCIA. Uma pessoa em sã consciência não pode deixar que um vício, como o do álcool, a vença. "O álcool perturba o espírito e danifica o organismo. Ele tem o poder de transformar o homem bom e educado em verdadeiro monstro. O alcoólatra não inspira confiança", continua Maria Cottas, em seu livro.

Como já foi dito, é necessário reconhecer a doença e partir para um tratamento sério, em nome da família, do trabalho e do bom viver, enfim.

Hoje, o aposentado Wilson Dias, casado há 54 anos, pai de três filhos e avô de seis netos, só toma água e refrigerante. O conselho que ele dá é que se evite o primeiro gole. "Tem que ter força de vontade", diz.

Para os estudiosos do Racionalismo Cristão, essa expressão - força de vontade - é bem conhecida, pelo menos na teoria. O racionalista cristão verdadeiro deve pôr esse princípio em prática, para erradicar qualquer vício ou mau hábito. Qualquer hora é hora.

Há instituições voltadas ao tratamento de alcoólatras, em nível físico, dando-lhes assistência, mas é necessário também o fortalecimento espiritual, de modo a afastar as causas psíquicas do vício do álcool ou de qualquer outro vício. Esse fortalecimento é alcançado com a freqüência às reuniões do Racionalismo Cristão, às segundas, quartas e sextas-feiras.

(A autora é jornalista)

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