Ordene seus pensamentos

Marclei Barbosa Santiago

Concepção, delineamento e realização de ideias, eis as fases

Pensamentos ordenados e dirigidos para o bem são a arrancada precisa e segura rumo ao sucesso. A ordenação de pensamentos compreende as seguintes fases: a primeira é a concepção das ideias; a segunda, o delineamento das ideias; a terceira e última fase diz respeito à realização das ideias.

A fase da concepção das ideias se trata do insight (inspiração), que nos permite enxergar  intuitivamente. Acontece, nesta fase, uma chuva de ideias que o ser retém em sua memória e, após reflexão, filtra as que julga essenciais, passando a mantê-las vivas, em pensamentos. Nessa fase, os pensamentos orbitam o plano das ideias. Nela é que o ser cria as ideias ou as recebe na forma de intuições de agentes externos, que são espíritos do Astral Superior ou do astral inferior, ou até mesmo de seres encarnados. Para os que têm o mínimo de esclarecimento da vida espiritual e sabem usar bem o seu raciocínio não é difícil discernir se as intuições recebidas são de origem confiável ou não. Nesta primeira fase, vale sonhar, e é bom fazê-lo, com elevação de pensamentos, para receber boas intuições.

A fase do delineamento das ideias é a ordenação, propriamente dita, em que as ideias são classificadas, agrupadas e postas em ordem, como pré-requisito, para se organizar com precisão o modelo mental, que é a imagem abstrata daquilo que se pretende realizar. Nessa fase, as ideias são utilizadas como input (entradas, ingredientes, insumos) para a formatação, ainda que no plano da mente, da planta ou desenho arquitetônico da obra que será, finalmente, materializada, concretizada na terceira e última fase, a de realização das ideias.

A fase de realização das ideias é a da transpiração, ou seja, de mãos à obra. Nesta fase passaremos do plano abstrato (modelo mental), delineado, para o plano real (modelo físico), em que será finalmente construído, gerado aquilo que se idealizou. Trata-se da execução da obra tornando-a realidade. Agora, um produto acabado.      

A correta ordenação dos pensamentos aliada à prática constante da limpeza psíquica, mais a adoção de uma conduta retilínea de vida, dentro da sociedade na qual estamos inseridos, formam o tripé de procedimentos a serem adotados e que ampliarão, em muito, as chances de captação de intuições provindas das esferas superiores. Essas intuições, altruisticamente fornecidas pelos espíritos de grau elevado de evolução, somadas à nossa capacidade de concepção, são meio caminho andado rumo ao sucesso nos empreendimentos sobre os quais nos debruçamos. 

O que ainda falta para alcançarmos a tão sonhada meta final, a obra acabada? Faltam a confiança em nossa capacidade de realização e a firme, decidida e inquebrantável força de vontade. Falta-nos ter vontade, ser fortes, demonstrando saber resistir a todas as tentações contrárias à realização de nossa obra. O atributo vontade é pura energia vibrante, um impulso à concretização de tudo que foi planejado, arquitetado. A vontade é o motor psíquico, propulsor da criatura para a realização de seus ideais, projetos e empreendimentos em todas suas conquistas. Essa vontade é verdadeiro antídoto contra o desânimo, a fraqueza e o medo, medo este que leva a criatura a enxergar obstáculos, para ela, intransponíveis.

Muitos indivíduos concebem ótimas ideias e demonstram desenvolvida capacidade de ordenação destas, mas não são bons finalizadores por não darem continuidade a sua obra, deixando-a inacabada.

Acontece que alguns seres chegam à reta final, em suas investidas, com pleno êxito. Tudocerto. Surpreendentemente para outros, mesmo levando uma conduta de vida exemplar e sabendo ordenar seus pensamentos, não conseguem chegar a resultados satisfatórios em suas investidas. Tudo ou parte dá errado. Por que isto?

São duas as possibilidades de resposta. Uma: as circunstâncias a que todos nós encarnados estamos sujeitos, neste mundo físico Terra. A outra: as reminiscências de vidas pretéritas, que não são castigos e nem devem ser encaradas como sofrimentos. Devem, sim, ser entendidas como valiosas oportunidades que foram estabelecidas pelo próprio espírito em plena consciência e liberdade de ação, quando em seu mundo de estágio, ao elaborar seu próprio programa reencarnatório.

Os seres, diante do fracasso, mesmo tendo procedido corretamente, podem apresentar duas possibilidades de reações. Uma é de um ser esclarecido sobre a vida espiritual e de raciocínio penetrante, que compreende bem os porquês dos acontecimentos, sabedor da lei de causa e efeito, que aproveita a experiência vivenciada e passa a reter o aprendizado, seguindo em frente, com elevação de pensamentos e confiante, ainda mais, na espiritualidade. A outra possibilidade é de um desconhecedor da vida espiritual que, por esta falta de conhecimento, fica indignado, perplexo, revoltado, sentindo-se até injustiçado. Para muitos desses seres, após um ou vários insucessos consumados, Deus ou outra entidade superior nunca existiu em suas vidas ou passa a não mais existir.

Estando convicto de que fez tudo certo, o indivíduo fica sem entender o motivo de seu fracasso, fica assustado. A situação o leva a refletir e ponderar e, assim, aos poucos a luz do esclarecimento vai se fazendo em seu espírito e ele passa a enxergar de forma mais clara o momento que está vivenciando, os porquês dos acontecimentos, suas causas, seus efeitos, os agentes causadores, e chega à conclusão de que se trata de fatores circunstanciais e ou resgates de vidas passadas, que somente a ele caberá solucionar.

A criatura toma consciência de que ela própria é o principal agente causador de todos os reveses que está atravessando. Passa a não mais admitir, em seus pensamentos, a possibilidade de uma entidade superior ou deus, ambos injustos, que conferem privilégios a alguns e apenas injustiças a outros. Assim, fica ilustrado como as leis naturais, sábias e justas, através da lei das reencarnações e da lei de causa e efeito, são facilitadoras para que as criaturas possam despertar para as coisas sérias da vida, para a espiritualidade

O ser passa, também, a compreender que se trata apenas da aplicação e do cumprimento de leis maiores, as leis que regulam a evolução do espírito. Para alguns, esta compreensão se faz de imediato. Para outros, leva algum tempo. Às vezes, toda uma vida. Há até mesmo aqueles aos quais o tempo necessário para "cair a ficha" perfaz vários ciclos reencarnatórios em suas viagens de idas e vindas, entre o planeta Terra e seus mundos de estágio, como um eterno viajante em sua trajetória evolucional. E através deste mecanismo natural a criatura penetra o campo da espiritualidade, assimilando o significado do autêntico espiritualismo e o conhecimento da verdade, que é manancial da vida.

A partir desta compreensão, leve o tempo que for necessário para alcançá-la, aplica a correção em seus erros e, paulatinamente, passa a remodelar hábitos e costumes e, entre tropeços, reflexões e acertos, vai processando seu aprendizado, sua evolução.

Devemos aprender a pensar corretamente. Os pensamentos ordenados, voltados para o bem, são forças saturadas de poder. Poder de criação, poder de transformação de nossas vidas, da vida de outras pessoas e de tudo que for possível em nosso entorno.

Por isto se faz necessário substituir os pensamentos desestruturados e impregnados de imagens negativas por pensamentos ordenados e repletos de imagens positivas. Portanto, muito cuidado com os pensamentos. Saiba ordenar seus pensamentos para tropeçar menos e ter mais êxitos em seus empreendimentos.

Meus amigos, a ordenação de pensamentos não é um processo difícil de se alcançar, como tudo que nos ensina a nossa querida doutrina racionalista cristã. Educarmo-nos a pensar com elevação é uma questão de confiança, método e disciplina, acrescidos de uma pitada forte de vontade para aprender e persistência para nos tornarmos bons finalizadores, deixando sempre acabada a obra que idealizamos. Saibam ordenar seus pensamentos. Vale a pena o esforço, pois é na ordenação dos pensamentos que está o princípio de tudo, a maneira correta e o caminho seguro para alcançar o sucesso.

(O autor é Professor universitário em Belo Horizonte, MG)

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