Os homens e o tempo

Heloísa Corrêa

De Luiz de Mattos a Gilberto Silva, nas pegadas do Semeador

Era uma vez um menino feliz, que vivia numa velha chácara, em Jacarepaguá, Rio de Janeiro. Corria, sorria e brincava livre, inteligente, entre copadas mangueiras, cheirosas laranjeiras e flores, muitas flores, de todas as cores e tamanhos.

Na casa grande, uma varanda espaçosa, com trepadeiras de flores vermelhas e brisa fresca, que passava renovando o aroma, perfume de flor e sabor de fruta.

Filho de pais simples, aliás, são pais assim que trazem ao mundo as grandes almas, que se fazem em Grande Luz, para clarear o caminho de quem passa, sem se aperceber dos perigos da estrada.

Iniciemos lembrando um grande pai que foi carpinteiro. A mãe, a mais resignada de todas as almas, empresta seu nome, pois todas as famílias do mundo têm, sempre, uma Maria.

Jesus de Nazaré. Este foi o maior semeador que este mundo conheceu. Deu leveza às coisas pesadas; suavidade às coisas amargas; alegria às coisas tristes; resignação em hora de tormenta.

Disse-nos que nos amássemos uns aos outros como Ele nos amou e ensinou-nos que todas as coisas, mesmo as mais pequeninas, são grandes, quando feitas com grandeza de alma.

Seu amor e seus ensinamentos mostraram à humanidade que todos os homens são iguais perante o Pai, acabando, assim, a escravidão e mostrando-nos que a morte física é o início da verdadeira vida.

Esse ser sublime teve um grande discípulo e estabeleceu- se entre eles, um pacto em prol da humanidade.

Entre o grande Semeador e o grande discípulo, houve quem se responsabilizasse pelo pacto de amor, de honra, de valor, de justiça, moderação, ponderação e esclarecimento. Trabalhando em plano astral, durante 213 anos, Antonio Vieira foi o elo, o grande intermediário.

O discípulo era filho de pais generosos, republicanos, pais que abriram mão de tê-lo crescendo sob sua tutela.

Quantas lágrimas quentes não banharam o rosto de dona Casemira, quantos aventais molhados, com certeza lágrimas abundantes de quem não podia abrigar em seus braços a "vida da sua vida", o seu filho!

O pequeno Luiz chegou ao Brasil aos 13 anos de idade. Tinha o pacto de amor com o grande Semeador, vinha ele regar, com o suor de seu rosto e suas lágrimas, "a semente", para que ela germinasse.

Luiz tornou-se homem e seguiu as pegadas do Semeador, dizendo sempre: "Ando devagar porque tenho pressa." Andar devagar é andar reto, caminhada certa, sem erros, porque quem tem pressa não chega, faz mal feito, faz errado.

Luiz de Mattos encontrou um companheiro, que também fazia parte do pacto, outro Luiz, esse, Thomaz, e começaram, ombro a ombro, rumo ao dever.

O pacto continuou... Havia outro menino-rapaz, de malas prontas, Antonio. Haja oceano para atravessar e chegar à "Terra Prometida": Brasil, celeiro material e espiritual deste planeta! O pai de Antonio nem teve coragem de se despedir, deixou-lhe uma carta, beijando-lhe a face enquanto dormia. Mais uma mãe de braços vazios!

Luiz e Antonio foram avós, com coração de netinhos. Segundo um outro rapazinho, Humberto, esses dois tinham rostos fortes, enérgicos, mas suas almas, tão bondosas e amorosas, os envolviam com imenso amor.

Humberto, gentil, sensível, sonhava ser cantor lírico do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, mas também fazia parte do grande pacto. Humberto vivia com Delfina, sua dileta "mãezinha", sua tia Maria Julia e seu tio Antonio, de quem sentia proteção e tutela de pai verdadeiro.

Em cena, novamente, o menino da chácara perseguia borboletas de asas azuis, por terem elas um vôo perfeito. Esse menino se encantara pelo vôo das borboletas, pela beleza, pela liberdade, e pela metáfora da crisálida. O casulo feio e rastejante liberta a borboleta maravilhosa, que, por meio do seu esforço, de sua verdadeira batalha pela vida, enrijece as asas e alça vôo.

Apaixonado pela liberdade, pela vontade de viver nas alturas, imitou as borboletas de sua infância querida, foi ser aviador. É Felino Alves de Jesus, meu grande amigo, nosso grande amigo.

Estudou muito. Sonhou belos sonhos. Sonhar, no Racionalismo Cristão, como todos sabem, é crer no éter, para que se materialize o sonho.

Na obra Trajetória evolutiva, ele desenhava e escrevia seu sonho: "A Ciência nos afirma que a luz e o calor se transmitem igualmente por meio de movimentos ondulatórios".

Qual é então o meio portador das vibrações produzidas pela luz e pelo calor? Admite-se que este meio seja o éter. Diz Gustavo Le Bon que, "sem o éter, não haveria o peso, a luz, a eletricidade, o calor e..." (Trajetória evolutiva, 9a edição, 1991, págs., 111, 112 até 138.)

Este foi, é e se concretiza, agora, Felino Alves, o seu sonho que, em 28-3-06, completou o 10o aniversário: um programa de rádio: Racionalismo Cristão – Uma filosofia para o nosso tempo, na voz de Roberto Cid, que inicia com o badalar do relógio e ao som do imortal Tchaikovsky. O fundo musical é de Grieg, suíte n. 1, op. 46. Belíssimo!

Dia 16-2-06, foi ao ar o mesmo programa, pela primeira vez, via Internet, para todo o planeta. Rádio Metropolitana 1090 AM. Cortando as ondas vibratórias em todas as direções, estão, agora, as irradiações sendo propagadas, Universo afora. São as vibrações espirituais, expandindo a Luz da espiritualidade neste mundo corrompido por interesses vis.

E as pegadas continuam... Agora, velozmente, em plena 3a Revolução Industrial, que é a microeletrônica.

Chega outro jovem. Gilberto Silva. Parabéns, sr. Gilberto Silva, e a todos que com o senhor trabalham, constituindo tão bela equipe.

A Inteligência Universal começou tudo isso, ontem mesmo, há apenas 18 bilhões de anos, e nós, suas partículas, temos o dever de dedicar a ela nossas vidas espiritual e material.

Os homens são centelhas de Luz que, através de viagens infinitas, vão revolucionando os tempos, levando aos lares humildes e abastados a igualdade do amor e o valor do esclarecimento para unir povos, romper fronteiras, para que todos os governantes reconheçam que quem habita este planeta é a raça humana, única para o Grande Foco de Luz, que envolve, em verdadeira fluidoterapia, a todos, sem distinção.

Agradecemos à Rádio Metropolitana, através dos srs. Paulo, Carlos e Roberto Cid.

Agradecemos ao nosso presidente, dr. Humberto Machado Rodrigues, a felicidade de ter escolhido o seu vice; a Cecílio Longhi, Humberto Romanelli, Pompeu Cantarelli e Antonio Flor, que, temos certeza, o orientaram e orientam, como a um filho, pois a sincronia está cada vez mais evidente.

Lembrando, sr. Gilberto Silva, que também deves ter perseguido borboletas azuis, pois sabemos da sua constante ponte-aérea, principalmente agora, em histórica viagem à Europa e a Cabo Verde.

Felino e Gilberto, até no alfabeto estão pertinho: F e G. O primeiro intuindo o segundo, que luta e muito faz pelo Racionalismo Cristão, rumo ao seu centenário.

Agradecemos ainda a todos que nos proporcionaram tanta alegria e energia para viver, porque, segundo Luiz de Mattos, o nosso Grande Mestre, "a compreensão dos deveres e o seu consciente cumprimento é que operam a tranqüilidade, a paz de espírito e a felicidade". (Clássicos do Racionalismo Cristão, pág. 175, capítulo "O Equilíbrio traz tranqüilidade".)

(A autora é Militante da Filial Santa Efigênia, Belo Horizonte, MG)

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