Perda de páginas da evolução

Mario da Silva Pires

Para o grande mal, sustentabilidade talvez seja o grande antídoto 

No dia 8 de agosto deste ano, a declaração oficial da extinção do golfinho branco de água doce, conhecido como "baiji", nativo da China, foi proclamada objeto dessa reflexão! Não bastasse o fato de tratar-se da única espécie da família Lipotidae, aparentemente separada de outros mamíferos marítimos entre 20 milhões e 40 milhões de anos – um verdadeiro ícone da história da evolução no planeta –, os cientistas apontaram a ação do homem como causa de sua extinção.

Talvez o fato não merecesse tanta relevância diante das grandes ameaças associadas às mudanças climáticas, mas as possíveis implicações que a negativa interferência humana pode acarretar aos processos evolutivos desenvolvidos astralmente no planeta foram determinantes para que fizéssemos e compartilhássemos essa reflexão multidimensional.

A quase totalidade das ações humanas relacionadas à alimentação, moradia, vestuário, transporte e tecnologia remete à superexploracão. A superexploração ocorre quando a demanda humana excede o suprimento da natureza em escala local, nacional ou global.

Estima-se que a humanidade consuma duas vezes e meia além da capacidade de reposição do planeta, e a cada vez que essa capacidade de suporte é sobrepujada ela decai, aumentando as chances de colapsos e conseqüentes extinções.

Se a extinção desse golfinho ainda não é suficiente para desafiar nosso raciocínio e estimular nosso bom senso, mencionamos a destruição praticamente total das florestas asiáticas no século passado. Mencionamos também a Mata Atlântica, ou o que sobrou dela: mesmo mantendo apenas cerca de 5% da sua composição original, ela detém a maior biodiversidade por hectare de floresta tropical. Podemos ainda divagar sobre a imensa quantidade de seres vivos, de substâncias preventivas e curativas, a que nunca teremos acesso. Para se ter uma idéia superficial da quantidade de conhecimento que se extingue com as espécies, cientistas descobriram seis novas espécies de pequenos vertebrados e dezenas de espécies de vegetais no Congo, África, de janeiro a março deste ano – menos de três meses. É preciso acordar e agir! Nenhum milagre ou intervenção divina tranformará o planeta com um passe de mágica. A Inteligência Universal é incomensuravelmente superior a qualquer dessas especulações.

O que existe são leis universais, naturais e imutáveis, a que tudo e todos são sujeitos: a maior aspiração de justiça que pode existir! Como em todo o Universo, nessa sua partícula que denominamos planeta Terra, a Força utiliza a Matéria para processar sua evolução há bilhões de anos, muito antes do surgimento de qualquer ser humano, com seus dogmas e misticismos. As partículas da Inteligência Universal evoluem através da sucessão de corpos físicos – minerais e "seres vivos" – até atingirem o ápice da evolução no planeta: o espírito. E como espírito, entre todas as suas responsabilidades, deve-se destacar agora a de manter e garantir as condições necessárias para a continuidade da evolução astral dessas partículas, das quais somos irmãos em essência, todas unidades constituintes da Força Criadora. Muito diferente do que tem ocorrido, quando alheios à vida espiritual, espíritos encarnados destroem o planeta, deprezando a lei de evolução, interferindo na evolução da Força Universal, e acumulando dívidas espirituais que serão inalienavelmente compensadas, quase sempre através de grandes sofrimentos.

Para um grande mal, a sustentabilidade talvez seja o grande antídoto. Associada ao ecologicamente correto, economicamente viável, socialmente justo e culturalmente aceito, a sustentabilidade engloba não só os conceitos necessários para a continuidade das atividades humanas no planeta, mas também proporciona aos homens a oportunidade de reconhecerem a responsabilidade que têm sobre todos os seus atos, o que auxilia, e muito, na evolução espiritual do indivíduo. São necessárias grandes mudanças, como a revisão dos nossos padrões de consumo e produção, e pequenas mudanças: iniciativas cabíveis a qualquer ser humano. Todos nós podemos fazer algo!

Além da revisão individual dos padrões de consumo e produção, sugerimos o estudo como ferramenta para essa transformação (sugerimos também o estudo dos livros editados pelo Racionalismo Cristão). Através do estudo, aumentamos nosso conhecimento e nossa capacidade de interagir com o meio em que vivemos, ampliando nosso campo de ação. Esclarecidos, deixaremos de perder preciosas páginas da história da evolução astral no planeta, como as do golfinho "baiji" e as das florestas destruídas, e escreveremos, sempre que quisermos, a história de êxito da evolução espirutal processada no planeta Terra, deixando registrado, para recorrentes estudos, nos livros, e no éter que permeia o Universo.

(O autor é militante da Filial São Paulo , SP)

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