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Palavras do nosso fundador
Em um ano de vida A Razão conquistou a preferência popular A Razão entra hoje no segundo ano de sua existência. Ainda em nosso país nenhum jornal fora fundado para o desempenho de uma função tão puramente moral. Jornais têm se fundado com elevados intuitos sociais, para defender programas nos quais entram, como preocupação culminante, idéias de grandes reivindicações e reformas políticas. Outros têm aparecido para pleitear fins exclusivamente industriais. Mas A Razão foi fundada para falar à consciência dos homens e para repetir-lhes, todos os dias, que o progresso humano só reside no Bem e na Verdade. Sim, foi esse alto e desinteressado pensamento que inspirou a idéia de fundação desta folha, em um momento em que só os interesses mercantis pareciam sobrenadar no mare magnum da dissolução moral, do desfibramento cívico e do abatimento espiritual que vêm assinalando os tempos que passam. No dia em que lançamos a nossa edição inicial não colimávamos como compensação para os esforços e os sacrifícios que desde logo se nos depararam, nas ásperas jornadas a vencer, outro objetivo que não fosse a consciência do dever serena e estoicamente cumprido. E hoje completamos o nosso primeiro ano de existência convictos de ter obedecido a esse programa. Nesse espaço de tempo, as lutas que travamos foram pertinazes a aspérrimas. Não raro tivemos que apelar para todas as nossas energias, animados pelo patriotismo que jamais desertou de nossos sentimentos e fortes pela consciência da justiça das causas que abraçávamos. E lançando agora um olhar retrospectivo para esse ano de lutas, sentimos que os nossos esforços não foram perdidos e vemos, sobretudo, que tanto era necessário que aparecesse uma voz que falasse com esse desassombro e com essa convicção, que esse jornal conquistou, bem depressa, uma posição inconfundível no seio da imprensa brasileira. A Razão surgiu numa época de dificuldade tormentosa para o jornalismo, quando a guerra não só já provocava o encarecimento de todo o material de que carece um grande órgão de publicidade, como também fizera escassear os recursos comerciais com que normalmente contam as empresas desta ordem. Além disto, vínhamos encontrar uma imprensa incontestavelmente adiantada, servida por órgãos tradicionais e bem instalados e fortes. Parecia, assim, que tínhamos pela frente uma crosta intransponível. Entretanto, hoje, A Razão é o jornal mais popular do Rio de Janeiro, é o jornal mais amado na alma do povo. Não é que A Razão tenha sido servido por talentos nem por capacidade superiores aos que têm militado no nosso jornalismo. Mas esse triunfo não é senão a obra da honestidade e da sinceridade com que nos entregamos ao nosso programa. Aqui, dentro deste jornal, não há ambições nem cobiças e aqui não se praticam atos que não pudessem ser praticados numa casa de vidro. Não temos uma só atitude determinada por apetites inferiores nem por ódios e paixões. Também aqui não há medo. Onde estejam o mal e a corrupção, nós combatemos. Diante de nós não há ricos nem poderosos. Todos são iguais e só merecem pelas suas virtudes ou nos desmerecem pelos seus vícios. De nada e de ninguém precisamos, mas de todos carecemos para cooperar conosco na missão que nós traçamos. Isto porque temos a certeza de que no dia em que cada qual tivesse, como nós temos, no fundo da alma, os mesmos anseios de amor, de paz e de liberdade, os cidadãos seriam felizes, as coletividades apressariam a sua evolução moral e os governos mais depressa se identificariam com os sentimentos e as aspirações dos povos. São esses os princípios que professamos. Por eles é que nos temos batido. Eles é que continuarão a ser os inspiradores das nossas atitudes jornalísticas. O nosso objetivo é sempre o mesmo. Será amanhã, como é hoje e como foi ontem, o de efetivar o programa que nos impusemos e que corresponde, de fato, aos sentimentos deste nobre povo e aos interesses desta grande Pátria. As vitórias alcançadas não nos envaidecem como as decepções e as amarguras não nos desanimam. A nossa confiança no êxito da cruzada que empreendemos em nome do Bem e da Verdade é inabalável. Há de permanecer, forte e destemerosa, através de quantas surpresas o futuro nos reserve, como a força propulsora das nossas energias e revigoradora da nossa convicção. E aqui estamos para isto, muito contentes porque a vitória que A Razão conquistou neste primeiro ano vencido é a prova de que nos está sendo feita toda justiça pelo povo brasileiro. (Editorial de A Razão, edição de 19 de dezembro de 1917) |
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