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Pedala, Lelê!
José Roberto Torero
Quando ganhei uma bicicleta, minha mãe a colocou no carro e a gente foi até
a praia.
"Vamos lá, Lelê, hoje você vai aprender a andar de bicicleta!"
"Mas e se eu me machucar?"
"A areia é macia. Você pode cair à vontade."
"Tá bom..."
"E agora?" – pergunta Lelê, já em cima da bicicleta.
"Agora é só andar."
"Mas eu não tive aula disso."
"Andar de bicicleta não se ensina. É um negócio que a gente aprende
fazendo."
"Mas como é que eu vou aprender fazendo, se eu não sei fazer?"
"Vamos fazer assim, eu vou lhe dar um empurrão, depois você pedala, e aí
fica mais fácil."
"Tá bom."
A mãe de Lelê segura o guidão e o banco da bicicleta e começa a empurrá-la.
Quando já estão embalados, ela a solta e Lelê anda, mas não pedala. No
começo, Lelê até ri de felicidade, mas aos poucos a velocidade diminui, e
ele cai.
"Você tem que pedalar, Lelê!"
"Tá bom..."
A gente ficou um tempão assim. Ela me empurrava, eu andava um pouquinho e
pimba! caía no chão.
"Ufa..., só... ufa... mais... ufa... uma... ufa... vez. A última..."
Ela me empurrou de novo. E o que foi que aconteceu? Eu caí de novo. O meu
joelho até sangrou.
"Bom, por hoje chega."
Um semana depois...
Uma amiga da minha mãe foi lá em casa e levou o filho dela, que tinha só
seis anos.
"Posso andar? – o menininho perguntou pra mim.
"Bicicleta é muito perigosa, você vai se machucar", respondi.
"Deixa ele andar, Lelê. Você não usa mesmo", disse a minha mãe.
"Tá bom" – concordei.
Ele subiu na bicicleta e começou a andar como se fosse a maior moleza.
Aquilo me deu uma baita raiva! Como é que um menino de seis anos andava de
bicicleta e eu não andava?! Então, depois que o menino e a mãe dele foram
embora, eu disse para a minha mãe:
"Mãe, me ensina a andar de bicicleta?"
"Ai, Lelê, agora não dá para a gente ir para a praia."
"Pode ser aqui em frente de casa mesmo."
"No asfalto?"
"É!"
"Tá bom", ela concordou.
Aí a gente foi para frente de casa, ela me deu um empurrão, eu comecei a
pedalar bem forte e dessa vez eu não caí! Eu andei de bicicleta! E era o
maior fácil!
"Aí, Lelêêêêêêêêêêê!"
Foi muito legal! O vento batia na minha cara e eu estava me equilibrando só
naquelas duas rodas. Eu fui indo em frente, pedalando bem rápido e o maior
feliz.
Só que a minha rua é sem saída, acaba num muro. Eu não sabia fazer curva e,
se eu parasse de pedalar, ia cair. Então achei que era melhor continuar
pedalando, porque aí pelo menos eu demorava mais para cair. Então eu vi o
muro chegando, chegando, chegando..., e pou!
Eu já ia começar a chorar, mas aí a minha mãe gritou assim:
"Agora volta, Lelê!"
Então eu peguei a bicicleta, sentei e comecei a pedalar. E deu certo! Eu
andei de novo. Sem ninguém me empurrando.
"Me segura que eu não sei parar!", eu gritei.
Ela me segurou e eu não caí. E nessa história eu aprendi uma lição muito
importante: Se a gente parar de pedalar, a gente cai.
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