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A perseguição ao jogo
Bicheiros vigiados e ruas sem policiais Toda a perseguição que se fizer contra o jogo em geral e especialmente contra o "bicho", que se irradiou pela cidade inteira, ficando ao alcance fácil de todos os lares, toda a perseguição nesse sentido só poderá ter o nosso aplauso. Porque o jogo rebaixa o caráter, embrutece o espírito e traz a desorganização, a falta de conforto, a dissolução, muitas vezes, da família, mas queremos uma perseguição imparcial, dentro da lei, sem violências. Entretanto não é isso o que se verifica. A cidade inteira está cheia de casas onde se banca o jogo famoso e só num ou noutro distrito a ação da polícia se faz sentir. Algumas autoridades limitam-se a varejar as casas e a levar as listas apreendidas e o dinheiro para a delegacia. Outros levam o zelo ao extremo de postar em frente de cada casa um soldado, em detrimento de outros lugares onde há falta de policiamento. E é contra isso que nos revoltamos, que protestamos, em nome dos habitantes da cidade, que bem merecem mais consideração, pelo muito que pagam, pelo pouco que exigem, pelo nada que reclamam. Ontem, por exemplo, percorremos as ruas sob a jurisdição do 11o distrito e tivemos ocasião de ver diversas casas de "bicho" guardadas à vista por um policial. Não resta dúvida que é esse um dos melhores meios de coação para afugentar a freguesia viciada e para obrigar os donos das agências e procurar um meio licito de ganhar a vida. Esse processo, no entanto, não pode ser adaptado pela nossa poílicia, pelo simples fato de não estar ela aparelhada de pessoas suficientes para isso. Primeiramente, tem a polícia o dever de zelar pela vida e pela propriedade, em obediência ao fim para que foi instituída; depois lhe cumpre atender a outros fins. Ora, se o atual policiamento é insuficiente, como distrair as praças para outros misteres? É uma coisa que absolutamente não pode continuar. (Edição de 21 de dezembro de 1916) |
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