Pneumotórax pode levar à morte

Robinson Botelho de Faria

Maioria dos casos se resolve em poucos dias com utilização de dreno

Chamamos de pneumotórax o vazamento de ar que pode ocorrer para fora dos pulmões, ocupando o espaço pleural (limite da caixa torácica), e que comprime o pulmão (que tem a textura de uma esponja e pode ser comprimido até ficar do tamanho de uma mão fechada). O ar que vazou do pulmão não tem para onde escoar, porque a caixa torácica é completamente hermética. Caso o problema não seja corrigido, cada vez mais ar ocupa o tórax do paciente, fazendo grande pressão sobre o pulmão do lado do vazamento, comprimindo o outro lado, empurrando o coração e seus vasos sangüíneos, o que provoca um colapso circulatório. É o pneumotórax hipertensivo (de alta pressão), que leva à morte se não tratado rapidamente.

Pode ocorrer enfisema subcutâneo, que é uma situação em que o ar, devido à grande pressão, começa a dissecar a camada muscular, chegando a apresentar bolhas (de ar) em baixo da pele. O paciente apresenta aspecto de grande inchaço (no rosto as pálpebras inchadas não permitem abertura ocular). Ao apertar a pele do doente observamos o rompimento dessas pequenas bolhas. O pneumotórax pode acontecer de três formas:

1. Trauma – provocado por feridas penetrantes, como tiro de arma de fogo, facada, ou ferida não penetrante como uma forte contusão do tórax contra volante em acidente automobilístico (uma fratura de costela pode perfurar o pulmão). Normalmente são acompanhados de hemotórax, que é o acumulo de sangue na caixa torácica.

2. Iatrogênico – complicações de procedimentos médicos (esperados em uma pequena percentagem) e não necessariamente decorrentes de má conduta médica. Por exemplo: às vezes pacientes em respirador mecânico não suportam a pressão da máquina. Punções como biópsia de pleura ou veias subclávia ou jugular (para medicações, transfusões em (CTI) podem às vezes acarretar pneumotórax.

3. Espontâneo – ocorre em pacientes com doença pulmonar associada, como bronquite crônica, enfisema, asma e tuberculose. Presença de bolha pulmonar que se rompe. O diagnóstico é feito através do exame físico, história da doença e principalmente RX simples.

Ocorre normalmente dor torácica súbita, taquicardia, falta de ar que se torna progressiva. As conseqüências do pneumotórax dependem da quantidade de ar vazado, da presença de doenças associadas e rapidez da avaliação médica.

Em pacientes jovens e sadios com pneumotórax pequeno podemos tratar a doença de forma conservadora, apenas com observação e repouso.

Quase sempre tratamos pneumotórax com drenagem torácica: colocamos cirurgicamente uma "mangueira de plástico" (dreno) dentro do tórax e a outra extremidade é colocada em um frasco com soro (dreno em baixo d'água). Devido a uma diferença de pressão, o ar escoa para o frasco com soro formando borbulhas, e esse mesmo soro impede que o ar atmosférico entre na caixa torácica. Em situações especiais, como vazamentos grandes e permanentes de ar (a maioria se resolve com utilização do dreno por poucos dias), temos que realizar uma toracotomia, que é a abertura cirúrgica do tórax para correção do problema. Recidivas de pneumotórax espontâneo também indicam necessidades de cirurgia corretiva para eliminação das bolhas.

(O autor é cirurgião torácico do Hospital Souza Aguiar)

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