Antonio Gurjão
Em Brasil, país do futuro, o escritor Stefen Zweig define o povo brasileiro
como a mistura de três raças genuínas: a europeia, a africana e a americana.
Ratifica, dessa forma, a dedução de Euclides da Cunha ao negar, em Os
sertões, a existência de uma etnia brasileira. À raça americana, na
figura dos nativos residentes originalmente nesta parte do mundo, aos
invasores europeus, representados pelos portugueses, espanhois, holandeses,
franceses e outros povos oriundos do Velho Continente, e aos africanos,
trazidos à força como escravos para o promoção do progresso colonizador, se
deve a mistura que deu origem ao povoamento nacional, mistura que não pode
ser considerada raça pura, mas que traz em sua formação a mais autêntica
demonstração de que ao Brasil está reservado um dos mais importantes papéis
na configuração do processo evolutivo da humanidade, ao produzir uma
população com característica internacionalista.
Essa é apenas uma das múltiplas facetas que traduzem a excelência do nosso
país como terra predestinada a gerar em seu território fatos vultosos, que
indicam caminhos novos para a humanidade. Ao predizer que o Brasil ocupará
lugar de destaque entre as nações do planeta, o escritor, de origem
austríaca, acentuou a posição que o nosso país deverá ocupar na história do
mundo como destinatário de maravilhas, das quais já vem dando sobejas provas
ao longo dos séculos, desde a sua origem: “Percebi que havia lançado um
olhar para o futuro do mundo”, concebe Zweig, pasmo diante da paisagem que
conhecera em sua primeira viagem ao Brasil e do conceito que assimilara
diante da mistura das raças.
ANCHIETA. O primeiro visionário a perceber a grandeza da Terra de Vera Cruz
foi o escrivão da frota portuguesa, Pero Vaz de Caminha, ao descrevê-la
oficialmente. Mais tarde, José de Anchieta diria: “Não há quem, viajando
pelo Brasil, não experimente essa confusa impressão de que Deus destinou
essa nação para o teatro de grandes feitos”.
Paralelamente à formação de uma etnia miscigenada – digamos assim –, como
fator de diferenciação evolucionista, avulta da natureza brasileira
incomensurável caudal de riquezas, como promessa de um futuro sem paralelo
na escala do desenvolvimento, fator este que levará o Brasil a ocupar, em
futuro não muito distante, a liderança mundial entre as nações do globo
terrestre. Não sou eu quem o diz. Trata-se de uma assertiva hoje recorrente
na expressão dos futuristas. Como a atestá-la, vemos que, pujante e jovem,
esta nação abriga em seu território mais de 50% do patrimônio biológico
mundial. As águas que lhe cortam a superfície representam a maior parcela
das reservas do planeta. No entremeio de terras, rios e florestas espalha-se
pródiga biodiversidade, reunindo a maior coleção de seres conhecidos na face
da Terra, tendo sido identificados em torno de 1,5 milhão, entre insetos,
vertebrados, plantas e microbiotas, estimando-se a existência de 5 milhões a
20 milhões ainda não estudados ou desconhecidos.
No solo e no subsolo há inestimável quantidade de minérios por descobrir.
Caminhamos sobre mananciais de sal-gema, bauxita, caulim, cobre, níquel,
zinco, gás natural, petróleo, ouro, diamantes, ferro, manganês, urânio,
zinco e outros minérios de natureza estratégica, a indicar um dos maiores
lastros disponíveis para o incremento do progresso dos povos de todo o
mundo. Esse é um panorama recente da diversidade natural do Brasil, cuja
exploração já conta mais de cinco séculos. Imaginemos o Brasil virgem de 500
anos atrás, quando aqui aportaram, não por acaso, os nossos predecessores
portugueses.
Decorriam, então, cerca de 1,5 mil anos desde o nascimento de Jesus, o
Cristo. O mundo era espezinhado por conflitos provocados pelo sentimento de
grandeza e de conquista que sacudia as nações, visando à expansão de suas
fronteiras, cultura herdada dos antepassados.
Sob esse clima, os europeus chegavam às Américas. Colombo aportou em terras
acima do equador, Pinzon percorreu as entranhas desse “mundo novo” e,
finalmente, Pedro Álvares Cabral lançou os alicerces da conquista, sob o
símbolo do Cruzeiro do Sul, em nome da pátria portuguesa.
E por que portugueses e não franceses, espanhois, holandeses ou ingleses?
Certamente porque aos portugueses estava reservada essa missão e o Astral
Superior escolhera essa parte do mundo como a pátria da nova ordem
espiritualista que haveria de ser lançada no momento apropriado. Pelas mãos
da civilização lusitana haveria de se dar a abertura do portal que
redundaria na nova tentativa de reavivar o processo de remissão da
humanidade. Caberia a um filho da nação lusa, como de fato coube, trazer de
volta a verdade universal, recuperar os ensinamentos cristãos.
Muitas são as evidências, além das já apontadas, que mostram o Brasil como a
nação escolhida pelas Forças Superiores para abrigar a fonte da verdade
universal.
Quarenta e nove anos depois da expedição cabralina, chegaria o administrador
Tomé de Souza, trazendo Manuel da Nóbrega, com a incumbência de cristianizar
os gentios e iniciar o processo de educação dos antigos e dos novos
habitantes da colônia. Instalados na nova possessão portuguesa, os jesuítas
fundaram, em Salvador, a primeira escola para formação de padres da Ordem.
Nela seria matriculado em 1623, aos 15 anos, Antonio Vieira de Ravasco,
nascido em Lisboa, em 1608, e trazido aos seis anos para o Brasil pelo pai,
Cristóvão, nomeado escrivão da Relação na Baía, instituição que representava
o poder judiciário de Lisboa.
PATRONO. Aos 27 anos, Vieira torna-se padre. Padre, mas sobretudo humanista,
político e orador. Foi um dos maiores vultos da história no século XVII.
Como cristão e racionalista que era, opôs-se a toda espécie de jugo,
defendendo os menos favorecidos, lançando-se, inclusive, contra os padres
escravagistas e inquisidores, e sofrendo inomináveis perseguições até a
morte, em 1697.
Segundo testemunho dos pioneiros do Racionalismo Cristão, foi esse espírito
encarnado de nacionalidade portuguesa, criado e formado no Brasil,
vivenciando – de corpo e mente – os acontecimento políticos, culturais e
religiosos das duas pátrias e as unindo espiritualmente, que se tornaria,
213 anos depois de sua desencarnação, o principal patrono espiritualista do
Racionalismo Cristão, intuindo ao mestre Luiz de Mattos os princípios
básicos da Doutrina que traduziria, em palavras simples e diretas, os
fundamentos do cristianismo.
Aos compatriotas lusitanos Luiz de Mattos e Luiz Thomaz, ao criarem
condições para perenizar o Racionalismo Cristão no alvorecer do século XX,
coube continuar o processo perene de apoio à humanidade necessitada de
esclarecimentos para sua evolução como Força e Matéria. Aos seus sucessores,
ontem, como hoje e sempre, caberá engrandecer os ensinamentos enraizados por
Jesus, em apoio à evolução espiritual dos seres encarnados.
Ao Brasil foi reservada essa missão histórica: abrigar e expandir para o
mundo os ensinamentos racionalistas cristãos.
(O autor é relações públicas, jornalista, e assistente na Filial Belém, PA)
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