Marclei Barbosa Santiago
Mais do que ajuda ao próximo, a prática implica a auto-ajuda
Este artigo está fundamentado em minha resposta a instigante questão
publicada na Raciona-lista, enriquecida com os esclarecimentos de
representantes da Casa-Chefe do Racionalismo Cristão. A Raciona-lista é um
grupo de estudo que, através de recursos da internet, possibilita a troca de
ideias e experiências sobre espiritualidade, coordenado e mediado por
representantes do RC. Esse fórum está aberto à participação de qualquer
pessoa interessada em se esclarecer e aprofundar seus conhecimentos sobre
essa positiva e evolucionista doutrina. Trata-se de um método inteligente,
eficaz, simples e fácil para orientar a todos que queiram aprender, com
solidez, os ensinamentos codificados por esta doutrina, que orienta, educa e
espiritualiza.
Passemos a responder a questão proposta: o que é praticar o bem?
Praticar o bem não é somente ajudar o próximo sempre que as circunstâncias
nos permitirem; é, também, ajudar a nós próprios. Praticar o bem é,
igualmente, não alimentar as correntes do mal. Muitas vezes nem nos
apercebemos de que estamos contribuindo para o fortalecimento dessas
correntes. Por exemplo, quando dizemos: "Droga, como é difícil atravessar
essa rua!" ou "Meu filho está sempre doente." ou, ainda, "Meu filho não quer
estudar.", e outros pensamentos semelhantes que poderemos identificar se
prestarmos atenção a eles. São detalhes que parecem insignificantes, mas não
o são e requerem nossa atenção permanente. Se a rua é difícil de atravessar,
simplesmente procuremos pacientemente um local favorável; se o filho está
doente, busquemos assistência médica; se não quer estudar, conversemos com
ele para descobrir a causa. Não é difícil perceber que uma resposta
resumida, mas abrangente, é: "praticar o bem é viver de acordo com as leis
naturais" (http://www.racionalismocristao.org/gazeta/diversos/teste-129.html,
março 2010).
E como devemos ajudar a nós próprios? Devemos olhar para dentro de nós,
despertando o ser espiritual que somos, constituído de Força e Matéria,
identificando-nos com o Todo, que é Força total, do qual somos parcelas em
evolução. Despertando para essa força interior, devemos procurar exercitar
as faculdades da inteligência, como a percepção, a compreensão, a concepção,
a imaginação e a razão, para, com consciência esclarecida e fazendo uso
adequado do livre-arbítrio, para o bem, adotarmos como norma de conduta
pensamentos, sentimentos e atos em consonância com as leis naturais, as
quais regulam a evolução dos espíritos, e a partir dessa remodelação
interior e fazendo uso da força de vontade, inquebrantável, buscarmos
continuamente eliminar nossas imperfeições e potencializar nossas virtudes.
"Como estamos todos aqui para trabalhar pela nossa evolução espiritual, o
melhor que podemos fazer para ajudar a nós próprios é estar permanentemente
conscientes dessa situação e conduzir nossa vida de acordo com elevados
princípios espirituais, como os indicados pelo Racionalismo Cristão."
(http://www.racionalismocristao.org/gazeta/diversos/teste-130.html,
abril/2010).
Praticar o bem é ser sincero, leal, verdadeiro consigo mesmo e com o
semelhante, procurando esforçar-se para a busca constante da verdade para o
fim expresso de cultivá-la na sociedade em que vivemos. Somente a partir
dessa transformação em nosso interior é que estaremos capacitados a olhar
para fora de nós mesmos, nosso exterior, e perceber e compreender, à luz da
espiritualidade, o nosso semelhante e tudo que for possível existente no
Universo.
Praticar o bem é poder adquirido pelo espírito, paulatinamente, em sua
trajetória ascensional de transformação para melhor da sua própria vida, da
vida dos espíritos encarnados, dos espíritos desencarnados e de tudo
alcançável à sua volta. Este poder de praticar o bem é uma capacidade
adquirida pelo espírito que aumenta na proporção em que o espírito vai
minimizando suas imperfeições e maximizando suas virtudes. Isto é evolução!
Para se conseguir esse poder de transformação é pré-requisito,
indispensável, que o espírito se esclareça e se remodele, espiritual e
intelectualmente, para ser capaz de praticar o bem ao próximo com elevação
de pensamentos, desprendimento, perseverança e muita força de vontade.
Citamos alguns exemplos da prática do bem:
• Certificar-se da sua unidade com o Todo, através do estudo, do raciocínio
e da meditação, procurando viver cada dia, distintamente, material e
espiritualmente, sendo fiel cumpridor das leis terrenas e das leis
espirituais.
• Procurar sentir-se membro da família humana (Terra) e da família
espiritual (Universo), como elemento cooperativista.
• Lutar para manter a boa convivência no lar, elevando o conceito da família
ao mais alto grau.
• Participar da limpeza psíquica realizada nas casas racionalistas cristãs
ou em seus lares, possibilitando, em trabalho colaborativo, seres encarnados
e espíritos do Astral Superior processarem juntos o esclarecimento e o
translado dos espíritos para seus mundos de estágio. Que belo gesto da
prática do bem!
• Transmitir dados úteis sobre as diversas áreas do conhecimento e,
principalmente, sobre a espiritualidade. Este é o mais elevado gesto de
demonstração da prática do bem que o espírito pode realizar nesta ou em
outras dimensões do Universo. Os conhecimentos sobre o espiritualismo
autêntico devem ser levados a todas as criaturas, sem distinção, pois é
manancial da vida, é o puro alimento para o espírito. Feliz daquele que
assim procede. Com atitude contrária, o espírito marca passo em sua
evolução.
• Transmitir conhecimentos é um dever de todos nós, espíritos encarnados e
desencarnados. Nós, racionalistas cristãos, aprendemos e assimilamos as
lições da vida, todos os dias, e, sabedores do verdadeiro espiritualismo,
quando inquiridos temos a obrigação de botar para fora tudo o que
aprendemos.
• Incentivar a criação e crescimento dos grupos de estudo do Racionalismo
Cristão. Esta iniciativa é um ótimo exemplo de como praticar o bem, para si
e para toda a humanidade.
O espírito, a partir de um determinado grau de evolução, se despoja de
valores materiais. Seu lema é humanidade, por isto, passa a praticar o bem
espontaneamente e a trabalhar incessantemente diretamente para os espíritos
encarnados e os desencarnados, e indiretamente para si, potencializando seu
poder criador e transformador dentro daquilo que é o seu maior dever, como
espírito: a sua evolução.
Presidentes, militantes, assistentes e colaboradores das casas racionalistas
cristas, nesta fase de expansão da nossa querida doutrina não vamos poupar
esforços, facilitem a criação e o crescimento dos grupos de estudo, adotem
esta ideia. Vamos praticar o bem, mantendo acesa esta chama, o grupo de
estudo.
Fiquem com minha irradiação de otimismo e incentivo à criação e crescimento
dos grupos de estudo em todas as filiais e correspondentes, sem exceção, do
Racionalismo Cristão.
(O autor é Professor universitário em Belo Horizonte,
MG)
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