Você tem preconceito?

Adriano Custódio  

Paradigmas e conceitos pré-determinados influenciam as sociedades

Imersos nos tumultuosos relacionamentos sociais a que somos diariamente submetidos, aprendemos diversas maneiras de nos defendermos das influências que julgamos ser  prejudiciais aos nossos propósitos, sejam materiais ou espirituais. Dessa forma, inconscientemente, por vezes nos enquadramos em paradoxos comportamentais gerados pela influência tendenciosamente egocêntrica da coletividade e, com isso, passamos a nos comportar de maneira impulsiva e irracional.

Vivemos envoltos em um mundo repleto de paradigmas e conceitos pré-determinados, os quais influenciam as sociedades nas mais variadas situações. São influências comportamentais, normas informais e abstratas de conduta social, e surgem involuntariamente diante dos preconceitos emergentes do convívio entre pessoas das mais variadas classes sociais e etnias.

Quando adotamos essas condutas, apenas pela facilidade com que elas se apresentam diante de situações decisivas de nossas vidas, seja pela influência social, seja pelo simples comodismo derivado da vontade fraca em se pensar, agimos em contradição com as leis naturais que regem o Universo, e com isso desviamo-nos da nossa trajetória evolutiva, atrasando, assim, o primordial objetivo do espírito encarnado, ou seja, a evolução espiritual.

Já afirmava o nosso emérito espiritualista e cientista médico dr. Antonio Pinheiro Guedes, em 1903, que há grande distinção entre desejo e vontade, pois enquanto uma demonstra meras atitudes fracas e instintivas em querer algo, por isso ausente de raciocínio, a outra afirma-se pelos propósitos altruístas em se fazer algo de útil, para si ou para o seu semelhante.

Nesse ensejo, a postura voltada apenas para o desejo encontra-se eivada de vícios e muitas vezes de pré-conceitos de situações em que a criatura sequer se importou em raciocinar sobre o seu real conceito, simplesmente recriminando e por vezes descartando os valores que verdadeiramente interessam ao seu bem-estar espiritual.

A exemplo do que ocorre constantemente em nosso viver diário, podemos observar diversas situações em que nos comportamos de maneira impulsiva e irracional, sob a influência de reles desejos voltados para as mais variadas situações a que somos constantemente submetidos. A exemplo do que afirmamos, enquadra-se perfeitamente a estranheza do comportamento diferenciado de algumas pessoas, ao lidarem com criaturas estranhas aos seus meios de convívio social, seja pela aparência física, diferença social, étnica, seja mesmo pela simplicidade dos atos humildes que não condizem com a vaidade daqueles que se afirmam em posturas ilusoriamente egocêntricas.

A teimosa mania de pôr a vida espiritual sempre em segundo plano, como se vivêssemos em outonos permanentes, acarreta perdas desnecessárias de um tempo precioso para a evolução do espírito, e por isso, é grande causadora das lamentáveis diferenças sociais que presenciamos em nosso dia-a-dia.

Dessa forma, quando o ser humano se tornará realmente "humano" em relação ao seu semelhante, de forma a tratá-lo livre de preconceitos, sejam quais forem? Como resposta a essa pergunta, no âmago de cada ser humano, podemos afirmar com convicção afirmar que está no cultivo de pensamentos elevados e na simplicidade dos atos de cada dia.

(O autor é militante da Casa-Chefe)

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