Presidente aos 27 anos

Tharsila Prates

Pedagoga, casada, sem filhos, 28 anos, presidente da Filial Caeté (Minas Gerais) do Racionalismo Cristão. Esta é Celeste do Carmo Coti, que, aos 16 anos, levada por uma amiga, conheceu a Doutrina e, aos 17, decidiu estudá-la. Celeste tem sob sua responsabilidade uma filial fundada há 33 anos e que tem 16 militantes e frequência mensal de cerca de 400 assistentes. Veja o que ela diz ao Espaço Jovem.

– Como você conheceu o Racionalismo Cristão?

Fui pela primeira vez à Filial Caeté aos 16 anos com uma amiga. A mãe dela frequentava a Doutrina e eu as acompanhei, embora não entendesse o que se passava. Minha família é católica e, na infância, eu ia à missa e participava do coral da igreja. Aos 17 anos, voltei ao Racionalismo Cristão por causa de um ex-namorado, que estava enfrentando problemas psíquicos, e aí fiz minha opção. Senti necessidade de estudar os princípios e achei tudo muito lógico.

Como você explica essa empatia com a Doutrina?

No Ensino Médio, eu gostava muito de estudar Filosofia e sempre busquei compreender os porquês da vida. Comecei a fazer Ciências Sociais, querendo entender a formação humana em todos os sentidos. Foram esses conhecimentos que eu tinha que me ajudaram a enxergar na Doutrina as coisas que eu buscava. Comecei pela obra essencial Racionalismo Cristão e, quando fui devolver o livro na Filial de Caeté, tive a surpresa de ganhá-lo de presente da presidente da Casa, dona Umbelina Maria dos Santos Guimarães, que na época se dividia entre as filiais Santa Efigênia (Belo Horizonte) e Caeté. Passei a frequentar assiduamente a Casa e me tornei militante no início de 2005.

Daí para presidente…

Bem, nesse meio tempo eu abandonei o curso de Ciências Sociais por uma série de fatores, entre eles a falta de possibilidade de dar aulas e o mercado de trabalho restrito, e passei a cursar Pedagogia na Universidade Federal de Minas Gerais. Sempre sonhei em ser professora. Com os horários mais flexíveis, pude frequentar a Filial Santa Efigênia e foi lá que recebi de dona Umbelina o convite para presidir a Filial Caeté. No começo, quando ela falava, eu sentia que isso iria ocorrer só depois que eu tivesse uns 40 anos. Mas fui me acostumando com a ideia e, em 2010, aos 27 anos, após a minha formatura, me tornei presidente da Casa. Ela viu em mim uma chance de a Casa ter um presidente fixo e, com isso, manter a coesão do grupo de militantes.

Foi difícil no começo?

Dona Umbelina me orientou a fazer a capacitação de presidentes no Rio de Janeiro, em 2008. Eu estava em treinamento e fiquei meio nervosa, mas a dinâmica foi bem interessante. A gente escutava um reflexo e tinha de fazer uma doutrinação objetiva, clara, sem ideias repetidas, sem orientações mecanizadas. Tudo era gravado, e a gente podia ver depois o nosso desempenho. Isso me ajudou quando precisei presidir as reuniões.

Você se sentiu insegura em algum momento?

As primeiras reuniões foram tensas, acho que por conta da responsabilidade do cargo e o fato de muitos não acreditarem em mim por causa da pouca idade, mas hoje estou mais segura para falar, e as palavras saem com mais fluência, até porque todos me respeitam e me apoiam.

O que você destacaria em sua atuação como presidente?

Sei que cada reunião é diferente e tenho de conscientizar as pessoas para a importância do estudo da Doutrina e fazer com que elas se sintam motivadas a realizar coisas novas e a perceber o que está ao seu redor. A tendência é que as pessoas se acomodem e eu não enxergo a disciplina da Doutrina como sinônimo de ficar estático. É preciso trabalhar em prol da evolução e é isso que eu tento fazer na nossa Filial.
 

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