De profetas e pensadores

Clecy Ribeiro

Presságios ganham maior espaço com o fácil acesso á informação e o advento de males sucessivos

Profecias sobre o fim do mundo, muitas vezes causadoras de tensões e angústias, nem são novas nem tendem a acabar. Ao contrário, constituem profícuo filão de consumo dentre tantos preocupados em saber o futuro. E, com o advento da informação onipresente, dentre os que leem, ouvem e veem notícias.

Em geral ligadas à religião, expandem-se a outros campos, pela via do progresso. Por exemplo, a conquista do espaço sideral. Depois da II Guerra Mundial, cresceu o alarde em torno do aparecimento de objetos voadores não identificados, de natureza desconhecida, quem sabe enviados por extraterrestres. É o fim do mundo que se aproxima – pensaram não poucos.

Pesquisas científicas dos anos 1950 mostraram tratar-se de fenômenos astronômicos ou meteorológicos, ou mesmo aparições de aviões, pássaros, em condições meteorológicas raras. A partir de 1968, a maioria dos cientistas passou a rejeitar frontalmente a hipótese de extraterrestres invasores. Fica tudo por conta da ficção científica. Até então, haviam falhado todas as profecias ligando dia do juízo final-destruição da Terra. E assim vem ocorrendo.

Profecias bíblicas, exaltadas em filmes bem a caráter holywoodiano, são mais antigas e abundantes. As de Nostradamus, mais conhecidas e surpreendentes (de resto, previsões de acontecimentos, como vidente). As laicas e políticas proliferam desde 1917. Fim do mundo no ano de 1843; ou em 1962; ou em 2001. Nada aconteceu. Bem mais à frente, anos 1950, a profetisa Maria Keech anteviu um mar de lama em várias cidades americanas, crentes salvos por extraterrestres, e três meses depois o fim de tudo. Nada aconteceu. O calendário  maia, que termina em dezembro 2012, refere-se a mudanças. .

E dentre tantas outras profecias ou previsões de farto repertório, vale destacar as vinculadas a papas e aos segredos de Fátima, referentes a devoção e castigo a nações e povos (guerras e perseguições).

Até computadores deram resposta para o fim do mundo: 10 de abril 1992. Erro do homem, da máquina ou do cosmos? O quanto de simbolismo e/ou mercantilismopor trás, com a venda dessas ideias? Afinal, são mensagens de interpretações múltiplas, passíveis de desassossego, medo, pânico.

Na mesma linha de engodo, temos a psicocinese, envolta ainda em véu de mágica, magia, atribuindo-se por vezes cura de doenças. Costuma exprimir-se sob a forma de espetáculo (levitação, fazer voar ou quebrar objetos sem tocá-los), para explorar aqueles a quem falte conhecimento do assunto

Conforme explicação científica, a psicocinese, que vem da Antiguidade, projeta aproveitar as potencialidades mentais do homem. Implica fazer interagir o pensamento com matéria inanimada. O diálogo mente-máquina, hoje fenômeno que se vai tornando comum entre cérebro e computador, como nova opção de comunicação e controle para incapacitados com distúrbios neurológicos.

O tema desperta não pouco interesse. o psicólogo americano Stanley Krippner escreveu 19 livros sobre experiências parapsicológicas, telepatia, psicocinese e premonição. Ele as avalia de uma perspectiva neurobiológica, ou seja, científica, provando quanto e quão falsas se apresentam muitas pretensões.

Helio Jaguaribe, autor de pelo menos 20 livros, membro da Academia Brasileira de Letras, em seu O posto do homem no cosmos (Paz e Terra, 2006), registra fatos, com apoio na ciência, ao vislumbrar o destino da Terra, para o qual clama, em socorro, um novo Iluminismo. No longo prazo cosmológico, uns 10 bilhões de anos para sua extinção. Isso se ocorrer (teoria cíclica) conforme o ciclo existencial a que estão sujeitas todas as estrelas e, portanto, o Solem cujo sistema a Terra se encontra.

contingências, como o impacto de grandes asteróides, que acontecem, em média, ao intervalo de alguns milhões de anos. A perspectiva é causar grandes danos, extinguindo algumas formas de vida no planeta, sem necessariamente destruí-lo.

Parece que é no curto prazo cosmológico que reside o problema, ou seja, o próprio homem. A menos que ele, em sua irracionalidade, cave na Terra um destino de apocalipse, nuclear ou climático, prevalece a "profecia" científica: bilhões de anos para o fim do mundo, conforme as leis que regem o Universo. E, ainda assim, sempreque contar com o renascer cíclico. Mas das adversidades, por certo, o mundo não escapará. chegaram, e em ritmo veloz.

(A autora é Jornalista)

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