Primavera está de volta

Estação revigora a imponência da palmeira imperial, o fascínio das orquídeas e os encantos da vitória-régia

Começa a 23 deste mês, no Hemisfério Sul, a Primavera, chamada de estação das flores, mas na verdade uma época de renovação da natureza. Se as flores são o início da reprodução dos vegetais, também as aves e outros bichinhos aproveitam a estação para o acasalamento.

Hoje, na quase totalidade dos países, o ano é dividido em quatro estações: Primavera, Verão, Outono e Inverno. Elas ocorrem por causa da inclinação do eixo imaginário da Terra em relação ao Sol. No movimento de translação, numa órbita elíptica, os raios solares incidem com intensidade desigual sobre as regiões da Terra. Além dessas palavras novas (para algumas crianças), o limite das estações envolve solstícios e equinócios, nomes estranhos para coisas simples que a gente não precisa tratar aqui.

No inverno, estação mais fria do ano, os dias são mais curtos e as noites, mais longas; no Verão ocorre o contrário: dias mais longos e noites mais curtas; na Primavera e no Outono, dias e noites têm mais ou menos a mesma duração, cerca de 12 horas.

A propósito da Primavera, época especial para as plantas, apresentamos três espécies entre os milhares da flora brasileira: a palmeira imperial, que serviu para representar a nobreza brasileira e hoje embeleza parques, logradouros e propriedades particulares em todo o país; as orquídeas, flores de inúmeras cores e formas, sempre singelas e delicadas, e por isto fascinantes; e a vitória-régia, com seu encanto e sua lenda. As três são encontradas em muitos jardins botânicos do país, entre eles o do Rio de Janeiro, o primeiro, criado por D. João VI, logo que se transferiu para o Brasil com a Família Real. 

Palmeira Imperial

As palmeiras são típicas das regiões tropicais. No mundo há cerca de 2.600 espécies, de formas e tamanhos bastante variados, desde poucos centímetros até mais de 50 metros de altura. No Brasil, existem cerca de 210 espécies nativas. Em função da rápida destruição dos seus ecossistemas naturais, onze espécies de palmeiras correm sério risco de extinção e duas já podem ser consideradas extintas do território brasileiro.

Entre as palmeiras cultivadas no Brasil, a mais nobre é a Palmeira Imperial, originária das Antilhas. Ela foi aclimatada pelos franceses no jardim botânico La Gabrielle, instalado na Guiana Francesa, e depois transferida para o Jardim de Pamplemousse. No Brasil o primeiro exemplar, a Palma Mater, foi plantada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro pelo príncipe regente D. João VI, que a recebeu de presente, em 1809. Passou a ser conhecida como palmeira imperial e floresceu pela primeira vez em 1829.

Desse exemplar plantado em 1809 descendem todas as palmeiras imperiais do Brasil, daí sua denominação de Palma Mater. A Palma Mater foi destruída por um raio em 1972. Tinha, naquela época, 38,70 metros de altura. O tronco foi preservado e está em exposição no Museu Botânico. Em seu lugar, foi plantado outro exemplar, simbolicamente chamado de Palma Filia, oriunda de uma semente da palmeira original.

Segundo Roseli Maria Martins D’ Elboux, mestre em História e Fundamentos da Arquitetura e do Urbanismo, o plantio das palmeiras imperiais se tornou comum no Rio de Janeiro em meados do século XIX, diante da “necessidade do fortalecimento simbólico do 2º Império". Pode ser procedente a história segundo a qual as sementes da palmeira imperial foram distribuídas aos súditos como sinal de proximidade ou lealdade ao poder central, e tenha assim se tornado o "simbolo do Império". "Desse modo, depois de alguns anos, a espécie vincula-se definitivamente à imagem do poder monárquico, à idéia de nobreza, distinção e classe". 

Orquídeas 

Essa espécie apresenta muitíssimas e variadas formas, cores e tamanhos e existe em todos os continentes, exceto na Antártida, predominando nas áreas tropicais. Só na mata Atlântica brasileira são mais de 1.500 espécies. O Equador é o país com o maior número de espécies: mais de 3 mil.

Algumas orquídeas crescem sobre as árvores, apoiando-se nelas em busca de luz. Suas formas de reprodução incluem a dispersão de sementes na natureza e o cultivo.

Apesar da grande maioria das espécies não serem vistosas, o formato intrigante de suas flores exerce verdadeiro fascínio sobre aficcionados que prestam atenção às espécies pequenas. Como nenhuma outra família de plantas, as orquídeas despertam interesse em colecionadores que se reúnem em associações orquidófilas, presentes em grande número de cidades por todo o mundo. Estas sociedades geralmente apresentam palestras frequentes e exposições de orquídeas periódicas, contribuindo muito para a difusão do interesse por essas plantas e induzindo os cultivadores profissionais a reproduzir artificialmente até espécies que poucos julgariam ter algum valor ornamental, contribuindo para diminuir a pressão sobre a coleta das plantas ainda presentes na natureza.

O uso principal desta planta é ornamental. Há uma espécie, porém, do gênero Vanilla, cujos frutos permitem a produção de baunilha. Isso mesmo: baunilha. O processo é caro e trabalhoso e, por isso, não se tornou comum cultivar essa espécie de orquídea para produzir baunilha.

Diferentemente de outras plantas, as orquídeas despertam tanto interesse que existem associações de colecionadores por todo o mundo. As espécies ameaçadas de extinção são aquelas produzidas em cultivo e que têm maior apelo comercial.

Como a primavera vai até dezembro, aproveite este período e registre na sua máquina fotográfica imagens que retratem esta estação na sua cidade. Pode ser uma árvore florida, um jardim, uma flor... Clique e mande para nós! A sua foto poderá enfeitar a Página da Criança do nosso jornal A Razão.

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