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Quatro espíritos valorosos Tharsila Prates Desde a implantação do Racionalismo Cristão, engendrado em plano astral por Antonio Vieira, muitas personalidades se destacaram pela dedicação e empenho na divulgação da Doutrina. Entre elas três sobressaem: Luiz de Mattos, Luiz Thomaz e Antonio Cottas. Luiz de Mattos foi o codificador do Racionalismo Cristão, tarefa em que teve o apoio inestimável de Luiz Thomaz. E Antonio Cottas, por escolha de Luiz de Mattos, o sucedeu e consolidou a Doutrina, superando muitas lutas. Adiante, rápido perfil desses quatro valorosos espíritos. LUIZ DE MATTOS Uma trajetória luminosa. Assim pode ser descrita a vida de Luiz de Mattos, o fundador do Racionalismo Cristão junto com Luiz Thomaz. Luiz de Mattos, nascido em Portugal em 1860, teve uma árdua missão no planeta Terra, que foi a de implantar a Doutrina entre os homens. Não havia como escolher pessoa melhor para a tarefa, porque Luiz de Mattos soube ser um exemplo de bondade, firmeza, honradez e bravura. Suas qualidades de espírito altamente evoluído não foram só essas. Ele se fez respeitado e amado, com a superioridade das suas maneiras pessoais distintas, de tolerância e de estímulo. A sua alma era forte e generosa. Foi também um homem de atitude, de ação e de princípios. Luiz de Mattos chegou ao Brasil ainda menino. Aqui cresceu, se desenvolveu, fez fortuna e conquistou a amizade das pessoas, defendendo causas sociais de grande importância. Era abolicionista, republicano e espiritualista. A nova edição do livro Prática do Racionalismo Cristão (PRC13) faz uma referência a Luiz de Mattos que bem o define: “Combatido e criticado, nada temia, pois não combatia pessoas. Defendia ideias”. O livro complementa: “(Luiz de Mattos) ensinou que o espírito não tem cor, raça ou sexo. O ser humano, ao nascer, tem como meta a evolução espiritual e, para essa conquista, deve ter direitos iguais. Assim sendo, era necessário que houvesse igualdade de oportunidades para todos. Esse era o ideal de Luiz de Mattos, a razão de sua luta gigantesca. Entendia que a evolução somente se daria pela prática do espiritualismo autêntico.” Luiz de Mattos mergulhou nos princípios espiritualistas aos 50 anos de idade, mas isso não quer dizer que não tivesse pautado a sua vida neles desde cedo. A sua coluna Notas do jornal A Razão, fundado em 1916, foi o seu palco para explanar esses princípios. Nela, buscava esclarecer a humanidade, apresentando as normas para a melhor condução da vida dos seres. Luiz de Mattos foi “jornalista emérito, militou na imprensa com disciplina equilibrada, sadia, construtiva e enaltecedora das virtudes humanas. Sua pena vigorosa esteve sempre a serviço dos oprimidos, com o desejo de vê-los recuperados e integrados no seio da coletividade, de posse das legítimas reivindicações conquistadas", como descreve o PRC13. Para a alegria da humanidade, por todos os atributos que apresentou, Luiz de Mattos só podia levar a melhor em todas as batalhas que empreendeu, e a maior delas foi a implantação do Racionalismo Cristão na Terra. Nenhum legado teria sido mais grandioso do que esse. ANTONIO COTTAS O português Antonio Cottas conheceu o Racionalismo Cristão aos 25 anos de idade. Foi escolhido para ser o sucessor de Luiz de Mattos em 1921, quando tinha 29 anos de idade e já colaborava intensamente com a Doutrina no Brasil, tanto na parte material quanto na espiritual. Após a morte de Luiz de Mattos, em 1926, Antonio Cottas assumiu a presidência do Racionalismo Cristão, onde permaneceu por 57 anos. A consolidação da Doutrina foi a nobre missão deste grande espírito. Não há como falar em Antonio Cottas sem falar também dos milhares de cartas que ele respondeu ao longo da sua existência, acalmando os seres aflitos e sendo enérgico e realista quando necessário. As suas respostas, bem como as cartas que as originaram, foram selecionadas e recheiam o livro Cartas Doutrinárias, do Racionalismo Cristão, que está em sua 26ª edição. Lá, estudiosos da Doutrina podem conferir as orientações do mestre Antonio Cottas sobre as dificuldades enfrentadas por todo mundo na vida pessoal, profissional etc. DIVULGADOR. Além das cartas, Antonio Cottas soube divulgar os princípios racionalistas cristãos através das Doutrinações que fazia durante as reuniões públicas realizadas na Casa-Chefe, no Rio de Janeiro, e nas Casas que visitava. O livro Prática do Racionalismo Cristão, em sua 13ª edição, nos conta um pouco mais sobre quem foi Antonio Cottas: “Dotado de extraordinário valor moral e de inquebrantável caráter, transbordava nele o entusiasmo, sempre aplicado aos interesses racionalistas cristãos, sem jamais falar de si, elogiar o seu trabalho ou fazer alarde do seu nome. Confiante nas horas difíceis, venceu todas as batalhas que travou em defesa da Doutrina, e suas iniciativas se encaminhavam sempre ao desejado êxito. Não havia quem não o respeitasse, porque ao afeto de todos se impunha pelo trato distinto, além da bondade que era inata em seu espírito renunciante.” Era um homem simples, sem vaidades. Em uma de suas doutrinações, o consolidador da Doutrina afirmou que a disciplina e a prática dos princípios são muito importantes. “A disciplina é rígida, mas tem que ser cumprida.” Antonio Cottas fez um alerta: “Saibam que observamos tudo que se passa. Para nós, nada fica às escuras, tudo é visível na aura das pessoas. A que emite pensamentos negativos jamais terá uma aura límpida.” LUIZ THOMAZ Luiz de Mattos teve a seu lado o amigo Luiz Thomaz, que prestou ajuda inestimável na fundação do Racionalismo Cristão. Esse português viveu de 1871 a 1931 e, graças a ele, o Racionalismo Cristão alcançou independência financeira enquanto Luiz de Mattos cuidava da parte teórica da Doutrina. Descrito como forte, enérgico, operoso e extremamente simples e controlado, Luiz Thomaz gozava de grande prestígio na sociedade da época. Ele agia de forma comedida e segura, conquistando amizades e simpatias por meio de suas atitudes cativantes. Luiz Thomaz era casado, sem filhos, e dedicou toda a sua vida à Doutrina. Morreu cinco anos depois de Luiz de Mattos. Como está descrito no novo Prática do Racionalismo Cristão, Luiz Thomaz chamou para si a missão de estruturar a parte financeira da Doutrina e a ela doou boa parte do seu patrimônio, acumulado graças ao trabalho honrado ao qual também se dedicou. Inspirados no exemplo de Luiz Thomaz, nos dias de hoje estudiosos da Doutrina põem à disposição da Doutrina recursos aplicados exclusivamente no auxílio da construção, reforma e manutenção de casas racionalistas cristãs e nos necessários investimentos para a divulgação dos princípios. Dessa forma, a Doutrina se desenvolve cada vez mais. LIÇÕES. Podemos tirar belas lições também do modo competente e austero com que Luiz Thomaz comandou os assuntos financeiros do Racionalismo Cristão. Em uma de suas doutrinações, esse grande espírito afirmou que “o ser humano que trabalha, seja simples operário, seja administrador milionário, desde que faça as obrigações com satisfação, com vontade ardente de cumprir o dever, ao fim do dia, embora fatigado, chega ao lar feliz e, à noite, ao deitar-se, goza de sono reparador, com a consciência tranquila”. “O ser humano que trabalha não se deve julgar pobre, porque produzindo terá tudo de que necessita, embora modestamente.” Como ainda bem descreve a 13ª edição do livro Prática do Racionalismo Cristão (PRC13), “Luiz Thomaz foi um exemplo, uma bandeira, uma glória para o Racionalismo Cristão, estendendo sua vitória a todos os militantes. Sua alta missão foi inteiramente cumprida, e seus magníficos resultados ecoam, incessantemente, em todo o movimento racionalista cristão, como vigorosa força impulsionadora que transmite confiança e coragem, perseverança e firmeza”. ANTONIO VIEIRA O lançamento do Racionalismo Cristão na Terra teve a imprescindível ajuda de um espírito de luz que, em plano astral, trabalhou para a implantação da Doutrina no planeta. Esse espírito foi Antonio Vieira, que viveu neste mundo de 1608 a 1697. Após seu falecimento, trabalhou intensamente para que os princípios divulgados por Jesus Cristo fossem levados adiante, de forma sensata. Até a fundação da primeira casa racionalista cristã, em Santos, São Paulo, passaram-se 213 anos (1697 - 1910). Esse tempo foi necessário para o estabelecimento dos meios, dos locais e escolha dos espíritos que teriam que ser alistados para a tarefa. Os já conhecidos Luiz de Mattos e Luiz Thomaz foram os espíritos que se dispuseram a encarnar e pôr em prática o que estava sendo arquitetado em plano astral. VIGILÂNCIA. Durante o tempo em que Luiz de Mattos e Luiz Thomaz trabalharam na Terra, Antonio Vieira permanecia em seu mundo de luz, vigilante, enérgico, persistente e pronto a intervir, se necessário, para que os objetivos fossem alcançados. Segundo o livro Prática do Racionalismo Cristão (13ª edição), Vieira cultivou durante séculos o interesse pela causa da espiritualização da humanidade. Quando nasceu, em Portugal, em 1608, para viver ora por lá, ora pelo Brasil, até 1697 – ano em que partiu do Estado da Bahia, no Brasil, para o Astral Superior – foi para identificar-se com a mentalidade dominante nas duas esferas de ação e absorver, em sua natureza espiritual, os traços vibratórios das reformas que se impunham. Era através dos seus sermões que o "padre" Antônio Vieira, excelente orador, dava a sua interpretação de determinados tópicos teológicos e, com isso, angariou a revolta dos fanáticos. Chegou até a ser preso. Suas obras compreendem cerca de 200 sermões, mais de 500 cartas e numerosos escritos políticos e literários. Vieira não se tornou padre à toa. O objetivo era colher importantes conhecimentos, porque com o seminário ele pôde instruir-se, além de ter tido a oportunidade de manter contato com o mundo intelectual da época, em razão do prestígio que lhe davam o talento e a cultura que possuía. Vieira foi considerado um dos mais brilhantes homens do século em que viveu. Mais do que isso: era austero, fiel a si mesmo e aos princípios, renunciante às coisas materiais. Vieira foi, indiscutivelmente, o patrono do Racionalismo Cristão, o seu idealizador e inspirador fecundo em plano astral. |
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