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Quem pergunta quer saber Nina Pomin
Nós, crianças, só aprendemos as coisas perguntando. Às vezes alguns adultos
ficam aborrecidos com tantas perguntas, mas enquanto as respostas não nos
satisfazem, vamos insistindo até estarmos satisfeitos e abrirmos novos
horizontes.
Talvez seja por isso que aprendemos sempre coisas novas. Acho que os adultos
também deveriam ser assim, perguntar sempre.
Por que não perguntar?
Quando vou a uma palestra e ouço o palestrante indagar, no final, se algum
dos presentes deseja fazer alguma pergunta, observo que quase nenhum adulto
se levanta para perguntar. Será que eles entenderam tudo? Ou é vergonha?
Vergonha de que?
Não são esses mesmos adultos que nos ensinam a perguntar quando tivermos
dúvidas e também a perguntar antes de fazer as coisas para não errar?
Há adultos que dizem ter dificuldade para responder as perguntas das
crianças, mas tudo que nós queremos é só a verdade, e se perguntamos algo é
porque estamos preparados para saber a verdadeira resposta.
Os adultos, às vezes, complicam, pois nos ensinam a não mentir, mas, quando
fazemos perguntas, algumas vezes nos respondem com mentiras.
Ensinam-nos a perguntar, para não errarmos, e quando começamos as perguntas
eles ficam nervosos e dizem não saberem responder. Nosso interesse vem do
íntimo, tudo que buscamos é a verdade, o conhecimento que estamos aptos a
receber.
Cada pergunta merece uma resposta, verdadeira, não há criança que não faça
perguntas.
Somos curiosos, mas nossa curiosidade aguçada é que fará de nós futuros
doutores naquilo que de melhor vocês, adultos, nos ensinarem.
Nosso amiguinho Nélio (Nélio Jorge Gomes Lima, 10 anos, frequentador da Sala
das Crianças da Filial Lisboa), nos conta:
– Sou muito curioso e faço muitas perguntas à minha mãe e ao meu pai. Quando
era mais novo, fazia perguntas como ‘Qual é o meu nome completo?’ E a minha
mãe respondia-me sempre em qualquer circunstância e ainda responde, claro.
Sempre que a minha mãe me responde não fico intrigado, porque ela explica
com todos os pormenores. Não são somente os meus pais que me ajudam: os
professores, e a família toda.
Então, amigos adultos, as pergunta que podem parecer insignificantes para
vocês são de fundamental importância para nós, crianças e nos sentimos muito
satisfeitas quando recebemos resposta aos nossos porquês.
Não fiquem perplexos nem irritados com nossas perguntas, tenho certeza que
elas não são impossíveis de responder.
Nós, crianças, ansiamos por conhecimento e nossas perguntas são nossos
primeiros passos rumo ao mundo dos adultos.
Se uma criança escolhe você para fazer uma pergunta é porque viu em você
confiabilidade, orgulhe-se dessa escolha, e tenha certeza de que ela esta
diante de uma pessoa que admira e respeita muito.
Seja verdadeiro na resposta, pois ela jamais esquecerá e você marcará
fortemente o futuro dessa criança que tudo que quer é evoluir.
“Evoluir é desenvolver-se gradualmente, num movimento progressivo. Cada ser
alcança um grau maior na escala da evolução.” (Do livro Racionalismo Cristão
para Crianças)
(A autora tem 10 anos e é frequentadora da Sala das Crianças na Filial
Petrópolis, RJ)
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