RC tem as respostas

Tharsila Prates 

Na edição dos 100 anos do Racionalismo Cristão, A Razão esclarece cinco das mais incidentes dúvidas sobre questões da vida espiritual. Respostas para estas e outras perguntas podem ser encontradas nas dezenas de livros publicados pela Doutrina, em especial nos três essenciais: Racionalismo Cristão, A vida fora da matéria e Prática do Racionalismo Cristão, sempre em suas últimas edições.

O que é o livre-arbítrio? 

O livre-arbítrio é uma faculdade espiritual controlada pela vontade e, quando bem usada, orientada pelo raciocínio. Quanto maior for o poder de raciocinar, tanto mais fácil se torna o governo do livre-arbítrio.

Livre-arbítrio quer dizer liberdade plena de ação, tanto para o bem, quanto para o mal. Isto traz uma consequência lógica: todo ser humano é responsável por aquilo que faz. Se praticou o bem, colherá o bem. Se praticou o mal, não poderá colher outra coisa que não o mal que praticou. Usar o livre-arbítrio como instrumento contra o semelhante para injuriar, intrigar, escarnecer, caluniar e desmoralizar o próximo constitui erro da mais alta reprovação. A lei de causa e efeito é inexorável. A maneira prudente de agir é usar bem – e para o bem – o nosso livre-arbítrio, evitando sofrimentos futuros. 

O que é o corpo fluídico?

Ao se consumar a encarnação, se pode dizer que o ser em ação na dimensão física, ou seja, no planeta Terra, fica constituído de espírito (princípio inteligente e imaterial), corpo fluídico (matéria diáfana) e corpo físico (matéria densa). O espírito é o agente ativo e inteligente que comanda os corpos físico e fluídico. O corpo físico é a matéria na forma como conhecemos. O corpo fluídico, como explica o livro Racionalismo Cristão, é o liame, a ligadura entre o espírito e o corpo físico do ser. Ele está preso ao espírito em razão da vibração permanente deste, e envolve todo o corpo físico.

Durante o sono, o espírito se afasta com o corpo fluídico – do qual jamais se aparta – sem interromper, contudo, a união com o corpo físico, ao qual continua a transmitir o calor e a vida através dos cordões fluídicos mencionados.

Por mais extensas que sejam as distâncias que separem o espírito do corpo físico, jamais a ligação entre eles se interrompe, não só porque tal interrupção significaria a desencarnação, como pela natureza dos cordões fluídicos, que se distendem sem limites. Sendo assim, o espírito e o corpo fluídico somente deixam definitivamente o corpo físico após o seu falecimento. 

Os espíritos escolhem os pais e o local para viverem?

 O Racionalismo Cristão explica que o espírito é eterno. Determinado a encarnar e, levando em consideração as perspectivas relacionadas ao seu grau de evolução, o espírito faz escolhas no que se refere à nação, à família e a outras condições que lhe possam favorecer o processo de desenvolvimento. No momento da concepção forma-se uma conexão de natureza vibratória entre ele e o óvulo fertilizado.

Os espíritos se misturam intensamente ao encarnarem em corpo humano, para a formação de povos de estruturas heterogêneas, como convém a um mundo de aprendizado. Os seres que sabem mais, os que dispõem de maior tirocínio, de maior lastro de experiência, ensinam aos que sabem menos aquilo que, por seu turno, aprenderam de outros. Para bem assimilarem as lições da vida, necessitam encontrar no semelhante qualidades e conhecimentos que ainda não possuem. Exatamente por esse fato é que se veem, com frequência, pessoas de espiritualidade bastante diferente em uma mesma família. 

Todos nós somos médiuns?

Uma das faculdades do espírito que mais reclamam atencioso e demorado estudo é a mediúnica, da qual, aos poucos, as organizações científicas já começam a se ocupar. É essa, sem dúvida, uma área do conhecimento que será cada vez mais estudada com o progressivo desenvolvimento espiritual da humanidade.

A mediunidade é uma forma de perceber coisas, fatos ou fenômenos, além do que possibilitam os cinco sentidos humanos. Ela se manifesta através de múltiplas maneiras, em diferentes graus de percepção, de acordo com a sensibilidade espiritual de cada um, sendo, também, uma faculdade inata em todos os seres humanos, sem exceção, que dispõem, pelo menos, da mediunidade intuitiva, a qual varia, ainda assim, de pessoa para pessoa, de conformidade com o desenvolvimento que vai obtendo nas múltiplas existências.

Não há somente a mediunidade intuitiva, que é comum a todos os seres humanos. Existem outras, peculiares apenas a certas pessoas. As modalidades mediúnicas que mais se observam neste mundo são a intuitiva, a olfativa, a vidente, a auditiva, a psicográfica e a de incorporação, com os correspondentes fenômenos de desdobramento, de materialização, de levitação e de transporte.

Na mediunidade de incorporação, o espírito age sobre o médium, transmitindo vibrações do plano sutil em que se encontra para o plano físico. Há um entrelaçamento de natureza fluídica que propicia a comunicação entre os dois planos. Nas casas racionalistas cristãs essa tarefa é conduzida pelas Forças Superiores, que tudo superintendem, e o médium sabe que está sendo atuado. Como, porém, não perde o controle de si mesmo, deixa de proferir as inconveniências acaso captadas, quando atuado por espíritos do astral inferior.

Na mediunidade intuitiva, esse casamento fluídico, mais intenso, não se faz necessário. As intuições surgem como ideias que a pessoa, frequentemente, confunde com seus próprios pensamentos.

Em todas as camadas sociais há pessoas que possuem, sem o saber, além da intuitiva, a mediunidade de incorporação. Por se conservarem nesse alheamento espiritual, umas acabam praticando o suicídio, outras desaparecem em desastres, muitas superlotam os hospitais, as cadeias e penitenciárias, e grande parte delas, com a faculdade menos desenvolvida, vive a provocar desordens, a perder-se no jogo, a deprimir-se nas drogas e a arruinar-se na sensualidade desenfreada. 

O que é a obsessão e quais os seus sintomas?

Sendo um dos males de que mais sofre a humanidade, o perigo maior da obsessão está precisamente em não ser percebida, nos seus aspectos menos chocantes, pela falta de conhecimento sobre as atividades dos espíritos nos diversos planos astrais, sobre as faculdades mediúnicas e outros assuntos relacionados aos princípios espiritualistas que o Racionalismo Cristão difunde.

A obsessão pode apresentar-se de forma sutil, amena, periódica, permanente, branda ou violenta. Nas formas sutis e amenas, manifesta-se por manias, pavores, esquisitices, fobias, cacoetes, exotismos, paixões, fanatismos, covardia, indolência e por todos os excessos, como os sexuais, os de comer, os de rir ou de chorar, e muitos outros.

Pelo mau uso do livre-arbítrio e por pensamentos ruins, a pessoa atrai espíritos do astral inferior e, se ela não reage através do esclarecimento, acaba se obsedando. Até chegar a esse estágio, porém, há outros sinais que as pessoas devem prestar atenção. O livro Racionalismo Cristão cita 32 deles. São alguns sintomas que podem revelar um estado inicial da obsessão: dar risadas ou chorar constantemente sem motivo; comer exageradamente; sentir prazer em não fazer nada; ter ideias fixas; explosões temperamentais; falar palavrões, demonstrar fanatismo; gesticular e falar sozinho; ter mania de doenças; provocar discussões e outros. O melhor caminho para se manter afastado dos espíritos obsessores é cumprir com os deveres, praticar a limpeza psíquica, ter pensamentos elevados e fazer o bem.

(A autora é jornalista)

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