A nossa RAZÃO de ser

A Razão publicava, na edição de 19 de dezembro de 1976, quando completava 60 anos de circulação, os comentários abaixo. A presente edição marca os 89 anos de fundação de A Razão, primeiro número do ano 90.

Nosso aniversário

A Razão completa, hoje, 60 anos de fundação. A sua condição atual de mensário não lhe permite reeditar as memoráveis campanhas em que se empenhou o seu inesquecível fundador, com a bravura, o arrojo, a audácia, o destemor, a tenacidade e a coragem com que soube enfrentar os poderosos do sem tempo, indiferente aos perigos a que se expunha, dizendo-lhes as mesmas duras verdades que levaram um outro idealista da mesma têmpera, há quase dois milênios, ao sacrifício do madeiro.

Os estudiosos da história do jornalismo brasileiro perguntam-se como pôde um homem, até então sem militância nas lides da imprensa e sem conhecer os segredos que se escondem dentro das redações, fundar um grande jornal independente, do porte de A Razão, disputar a preferência do leitor e colocá-lo ao lado dos dois órgãos de maior circulação no país, naquele tempo, ocupando o terceiro lugar na preferência do público leitor.

O êxito de A Razão nos cinco anos em que circulou como prestigioso diário, deve-se, sem dúvida, ao espírito de organização de Luiz de Mattos, tantas vezes comprovado em suas atividades anteriores.

A Razão, que nasceu com modernas oficinas próprias, instaladas, com a redação, em pleno centro do Rio, num prédio de dois pavimentos na Rua da Quitanda, 65 (entre as ruas Sete de Setembro e Ouvidor), onde era impresso também O Combate, dirigido pelo conhecido criminalista Caio Monteiro de Barros, amigo de Luiz de Mattos.

Luiz de Mattos, além da direção geral, redigia uma das mais importantes colunas de A Razão, intitulada Nota, por muitos temida pelas verdades por ele levadas a público, muitas vezes em linguagem veemente e causticante, quando as circunstâncias a isso o obrigavam.

Foi A Razão, pela pena brilhante de seu inolvidável fundador, que levantou a bandeira da Previdência Social em moldes práticos e objetivos, que só 30 anos depois veio a ser implantada, assim mesmo mais para atender a interesses políticos, do que à defesa dos trabalhadores, portanto, sem a eficiência e o modelo de organização preconizados por Luiz de Mattos.


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