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RAZÃO de ser A Razão publicava em 7 de abril de 1917
Teimosia para o mal
A teimosia para o mal é o estado normal dos seres escravos da vaidade,
mãe de todos os vícios, e assim das misérias máximas que se notam em certos
indivíduos que só têm de humanos a figura e nada mais.
Esse terrível mal que avassala a grande maioria dos homens publicos,
especialmente os politicos da actualidade, prova não só inferioridade
mental, como ignorância da verdade e assim do que seja o próprio homem, como
força e como matéria, da qual tanto falam os sábios, sem todavia saberem o
que ella seja em si e qual seja o seu papel no universo, especialmente no
mundo physico, fóra da sua fonte, da sua origem, em acção evolutiva e
beneficiadora pelos differentes reinos da natureza.
Dessa ignorância sobre os porquês da vida e da morte é victima a maioria da
humanidade, e só se salvam aquelles seres que, embora ignorantes no seu eu e
da sua composição phychica e physiologica, nasceram num lar humilde, mas
repleto de moral, de ensinamentos christãos, com os quaes tiveram a suprema
ventura de sentir fortemente educada para o bem, a sua vontade.
Esses, assim nascidos, crescidos e educados, são os que se superiorisam, os
que se destacam dos outros homens e que chegam a ser heróes, sábios,
valorosos, ponderados e justiceiros, amantes e temidos pelas suas virtudes
manfestadas, pelas suas almas da relativa pureza e de perfeita educação
christã.
No entretanto, esses seres lutam heroicamente para resistir á acção
deletéria do meio em que são obrigadas a viver, têm immenso trabalho para se
não deixar absorver pelos máos elementos que imperam em absoluto nesses
meios vilíssimos, anti-humanos e por vezes ultra-bárbaros.
Estando em completa minoria, se tornam quase sempre odeados pela maioria,
cuja teimosia para o mal é constante, porque inacta no seu eu, animalizado e
sempre apto a imitar os grandes perversos, os irracionaes e até em
supplanta-los no que de mais vil, de mais asqueroso existe.
É por essa razão que tanto tem demorado o progresso moral dos povos e por
vezes até o progresso material, como se observa entre as raças descuidadas
da verdadeira existência da força, da alma, como particula da intelligencia
universal, que nasceu para a liberdade, para o progresso, para a luta do bem
contra o mal, da luz contra as trevas, da virtude contra o vicio, da
fraternidade contra a prepotencia, contra a escravização dos seres animados,
cujo raciocinio lhes foi dado para destacar o homem das feras e provar com
elle a grandeza da sua origem.
Dessa grande força occulta que o vulgo denomina Deus e os scientistas,
Intelligencia Universal, e os maçons, Supremo Architecto do Universo, fonte
de todo o bem, de toda a intelligencia parcellada, em acção, não só no mundo
physico, como no mundo moral, composto de milhares de mundos superiores a
este, é que nasce e o equilibrio do universo grandioso e bello, também
denominado Infinito.
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E porque é essa a sua origem, é que nós os vamos encontrar em grande
numero entre os politicos, entre os argentarios, entre os que se dizem
scientistas, a exercer em grande escala os instinctos do mal, de cujo
desenvolvimento trataram carinhosamente desde o lar inmperfeito, até á
posição de destaque que ocupam.
Dahi, os papeis tristissimos que representam desde a traição a mais torpe,
aos partidos e aos partidarios e á nação, quando politicos, e no poder aos
collegas, aos companheiros de classe, quando scientistas, especialmente
quando são médicos, aos amigos de quem abusam grandemente por vezes, ao
ponto de lhes roubarem a honra e assim a paz do lar, única felicidade
possível e real na terra; aos próprios irmãos, a quem por vezes calumniam,
para se locupletar com os seus haveres e quanto lhes falta coragem para os
matar, procuram, com o auxilio da medicina, enterral-os vivos nos manicômios
onde, pouco a pouco, se vão depauperando e morrendo physica e moralmente.
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Os nomes dessas grandes pragas humanas, desses ultra-perversos, são quase
sempre ornados de cartas de nobreza, de títulos acadêmicos, para mais
facilmente se imporem á confiança ou credulidade publicas e assim mais
facilmente exercerem a sua teimosia para o mal, ao ponto de desmoralizarem a
pátria e deixar escravizar e matar os seus filhos, pelas hordas da Germânia,
como fez o dr. General, acadêmico e grande capitalista Lauro Muller, que,
tendo nascido pobre, não tendo tido negocio, não tendo recebido herança, é,
ao que dizem, um dos mais fortes depositantes de bancos estrangeiros.
A esse, ilhargado pela caterva de fidalgos da época, que por ahi se
apresentam nédios e ajaezados como os ginetes nos tempos medievaes, em
festas da corte ou de senhores feudaes, que na nossa época são os régulos
políticos dos Estados, iremos descrevendo pouco a pouco, para governo dos
bons, dos patriotas, dos incautos e saneamento moral da pátria.
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