![]() |
![]() |
|
Regulamento interno do jornal A Razão
Nos idos de 1917, um ano após a fundação de A Razão, Luiz de Mattos estabelecia, por escrito, as diretrizes que já norteavam a linha editorial do jornal, o comportamento exigido dos profissionais que nele prestavam serviço e esboçava o que pode ser o primeiro Manual de Redação. O rigor do Regulamento se justificava para não haver desvio dos propósitos do jornal. Havia sete anos apenas da implantação do Racionalismo Cristão na Terra, era preciso consolidar os princípios da Doutrina e A Razão era um dos instrumentos para isso. Luiz de Mattos, então, redigiu de forma precisa e clara (ainda em rascunho) o “Regulamento interno do jornal diário A Razão”. “O jornal A Razão foi fundado pelo Astral Superior, por intermédio dos seus instrumentos: Luiz José de Mattos, presidente do Centro “Redentor”, e Luiz Alves Thomaz, presidente do Centro “Amor e Caridade” (hoje “Filial Redentor”), de Santos, Estado de S. Paulo, para propagar o Espiritismo Racional e científico (cristão), que tem por base a verdade, e assim a verdadeira ciência, e que se pratica no referido Centro “Redentor” e seus filiados. Os princípios dessa doutrina, também denominada ”Racionalismo”, para mais fácil aceitação por parte daqueles a quem repugna a palavra “Espiritismo”, por demasiado desmoralizado pelos seus praticantes, e assim pela magia negra, ou ciência cristã, por ser verdadeira ciência, a ensinada e praticada por Jesus, o Cristo, durante a sua existência terrena, e cujos princípios estão exarados no livro denominado “Espiritismo Racional e Científico” (cristão), editado e de propriedade exclusiva do Centro “Redentor” dirigido pelos espíritos puros, superiores, também denominados Astral Superior. A esses princípios ficam, pois, subordinadas todas as pessoas que em dito jornal quiserem trabalhar, e mais: Durante as horas destinadas ao jornal A Razão perdem a sua individualidade para se tornarem somente instrumento do jornal, no seu fundo e forma, e só viver para ele, jornal, e assim para os princípios que ele tem por dever explanar, os quais em síntese consistem: a. Em valor para a luta, para dizer e praticar a verdade, em ponderação no falar e escrever, em moderação nos hábitos fisiológicos e em justiça, a mais completa, a todas as pessoas. b. Quer isto dizer que o auxiliar do jornal A Razão, qualquer que ele seja, não se pertence, e sim aos princípios que o jornal explana, e que por isso não pode tratar de si, da sua pessoa, nutrir idéias de ciúme, inveja, ódio, vaidade etc., e muito menos levar tais vícios, tais misérias para as colunas do jornal, para a vida do jornal, não tendo, pois, amigos nem inimigos quando se tratar da A Razão, tornando-se um simples instrumento para a explanação de ditos princípios, cuja base é a verdade e nada mais. c. O que assim não quiser proceder, depois de iludida a direção, dizendo aceitar tais princípios ao entrar para o jornal, será demitido como traidor, como desonesto, portanto, e fica o diretor do jornal com o direito de lhe publicar o nome e de como tal o classificar. d. Todo o trabalho de redação, qualquer que ele seja, fica subordinado aos ditos princípios. E assim a fiscalização do diretor atual, Luiz de Mattos, ou quem este determinar, na sua ausência ou impedimento, e assim todo o trabalho a alterar, que dito diretor ou seu representante julgar conveniente fazer, a cuja alteração se sujeitará o autor do trabalho, sem a menor reclamação, visto que se trata da pureza e correção dos princípios, e não de indivíduos, que, máquinas, instrumentos que são, nem sempre estão bem afinados para ver claras todas as causas dentro dos princípios referidos. e. Todos os auxiliares de A Razão são livres e agirão com vontade e rapidez, mas sempre dentro dos princípios referidos, e assim subordinados ao dever de bem os praticar para proveito do jornal, seu proveito e da humanidade. f. Todos têm por dever as seguintes substituições: 1º Coração: por espírito, alma ou partícula da Inteligência Universal. 2º Perdão: por desculpa. 3º Caridade: por dever. 4º Honrado: por respeitável. 5º Sábio: por erudito. 6º Supressão absoluta da nacionalidade, cor e genealogia dos indivíduos, especialmente com o fim de os deprimir. Só ao diretor é facultado usar das palavras honrado, sábio, eminente, genial etc. 7º Notícia alguma sobre qualquer jornal será publicada sem o visto do diretor ou pessoa que suas vezes fizer, porque, estando toda a imprensa fora dos princípios racionalistas que servem de base à A Razão, não se lhe pode dar tratamento que não mereça. 8º Cada auxiliar, na sua atribuição, só deve obediência ao seu companheiro graduado, e todos ao diretor referido, ou quem suas vezes fizer, não podendo discutir serviços nem criar atritos dentro do jornal, obedecendo todos aos princípios referidos e ao que exarado fica neste regulamento com força de compromisso assumido por todos que já fazem parte da A Razão e os que dela quiserem fazer parte, sem cujo compromisso e assinatura pessoa alguma poderá fazer parte do jornal. As admissões ou demissões só podem ser feitas pelo referido diretor ou por ordem sua depois do devido exame. Ninguém pode falar em espiritismo dentro da A Razão. 9o Todos se devem abster de relações com seres que tenham saído da A Razão com má nota, ou que denigram o jornal e o guerreiem de qualquer maneira, não se devendo olvidar de que quem não está conosco é contra nós, e em tal caso, na vida material, na luta pela vida quem o inimigo poupa nas mãos dele morre. Assim, pois, quem com tais perversos e conhecidos tiver relações é considerado tão bom como eles e não pode fazer parte da A Razão. Rio de Janeiro, 19 de dezembro de 1917. Luiz de Mattos” (Seguem-se as assinaturas dos membros do corpo redacional e da administração de A Razão) |
|