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As relações entre o ser humano e a humanidade
Vantuil Fazollo
A personalidade humana está diretamente ligada ao valor de cada ser humano, já que um
espírito que vem de seu mundo de estágio para encarnar na Terra traz em seu âmago o
importantíssimo atributo do valor, com vistas a consolidar o caráter, ainda que tenha
que passar pelas duras provas que fazem parte, como encarnado, de sua luta do dia-a-dia,
do seu cotidiano, para galgar a evolução, em meio a uma humanidade ainda tão
desajustada à qual pertence.
O enriquecimento do acervo espiritual deve constituir uma meta perene de cada vivente
terráqueo, uma vez que só assim pode satisfazer intimamente a sua consciência e sentir
o bem-estar íntimo, tão bem programado em Plano Astral, no período que precede cada
encarnação e que, ao final desta, quando da desencarnação, possa desfrutar do desejado
sentimento do dever cumprido e pronto para novas etapas de evolução.
É preciso que se tenha em mente que a habitualidade de comportamentos cotidianos, com
amplos exercícios da mentalidade no decorrer da vivência das etapas vividas da infância
à velhice, gera os indispensáveis pensamentos de cultivo do valor que moldam o caráter
de cada um e que a soma das individualidades deságua na consciência coletiva da
humanidade e, por isso, embora sendo árdua a tarefa, necessário se faz que todos se
conscientizem de que as atitudes individuais, de alto valor, têm que ser exercitadas.
Alguém já disse: a família é a célula da humanidade. Quanta verdade nesta
expressão, já que, de fato, o é, porque sem a retidão de conduta das famílias, por
certo, tem-se e ter-se-á uma humanidade com reflexos; redundando numa má convivência
dos povos que a compõem. Então, como boa parte das famílias tem condutas imperfeitas,
imperfeitos são os povos e, por conseqüência, a humanidade também ainda é imperfeita
e assim continuará através de incalculáveis quantidade de séculos.
Hoje em dia, quando se observa que boa parte das famílias carece de um senso de
aglutinação e de melhor preparo e estrutura, parece tender tão importante instituição
e estiolar-se, enfraquecer-se e que, nessas circunstâncias, surge, então, a inadiável
necessidade de se cuidar, cada vez mais, para que isto não ocorra, já que é no seio da
família que deve haver a solidificação da solidariedade visando a atravessar as
dificuldades, os sofrimentos naturais que, por certo, sempre surgem e que só através dos
gestos de desprendimento e de renúncia podem ser contemporizados os inexoráveis reveses
que sempre ocorrem na vida dos seres, ajudando no aperfeiçoamento do caráter para que se
concretize a evolução que terá que ocorrer, por ser uma lei natural e imutável.
Sabe-se, também, pelo viver cotidiano, em cada fase vivencial do encarnado, que em tais
períodos existem as tentações mundanas coerentes a cada idade sendo, inclusive, a maior
parte delas fruto das maléficas influências dos espíritos quedados, temporariamente, no
astral inferior, os quais, por viveres incorretos, sem observância das leis naturais e
imutáveis, continuam na atmosfera terrestre sem o corpo carnal e com apenas o espírito e
o corpo astral, até que sejam arrebatados pelas Forças Superiores e conduzidos aos seus
mundos de estágio para programarem nova encarnação.
Por conseguinte, quando encarnado o espírito, torna-se necessário que todo ser humano
exercite um autopoliciamento de suas condutas, com rigorosa instituição de métodos, de
disciplina e de trabalho planejado, porquanto, para um vivente dispensar um adequado
tratamento ao seu semelhante, deve, antes, moldar suas condutas de retidão
indispensáveis em qualquer convivência, onde fica, sem dúvida, caracterizado o valor
indivíduo.
É por isso que a pessoa, ao atingir a idade da velhice, já adquiriu e tem seu cabedal,
as experiências e os ensinamentos vivenciados desde a infância, adolescência e
juventude e, se bem conduzida, está livre dos equívocos, erros, vícios, desvios de
conduta que, em existindo em demasia, podem implicar a perda total de uma encarnação a
qual, forçosamente, terá que ser repetida e, às vezes, em condições mais árduas do
que àquela em que não soube aproveitar o período encarnatório.
Aludindo-se, ainda, ao valor de cada um, que, se olhado pelo prisma da coletividade
quando, naturalmente, se pensa em termos de humanidade, é por demais importante que se
reproduza, nestes comentários, os ensinamentos do Racionalismo Cristão, de notável
profundidade e que a todos devem tocar. Senão, vejamos: "Atitudes de valor acima de
tudo desassombradas, quando preciso, se o momento o exigir - mas sempre serenas e
tranqüilas, ponderadas e justas, inflexíveis e retas - eis a característica principal
desse notável atributo".
"Todo indivíduo que vive sob os ditames da honra e do dever, que molda os seus
hábitos e costumes com a argamassa dos princípios cristalinos da moral cristã e se
mantém sob o dinâmico estímulo das vibrações do bem está permanentemente envolto
numa couraça impenetrável às arremetidas do mal".
"Essa couraça, ainda que invisível, conserva toda a sua rigidez enquanto o ser
humano se mantiver vigilante. Um descuido pode pôr tudo a perder. Mas os fortes, apoiados
no esclarecimento, fazem por não se descuidar, e a finalidade do Racionalismo Cristão
é, precisamente, orientar e esclarecer os fortes para que não se descuidem, e os fracos
para se tornarem fortes".
Por fim, conclui-se que é necessário que cada ser humano saiba viver sua vida
individual, não se esquecendo, contudo, que a individualidade é relativa, pois
pertencemos a urna humanidade e, como tal, a integramos e, como partícula da
Inteligência Universal que somos e que está em desenvolvimento e evolução neste
cadinho depurador de espíritos, fazemos parte, astralmente falando, de outras milhares de
humanidades existentes na vastidão do Universo, com as suas leis naturais e imutáveis
que tudo regera e às quais tudo está sujeito.
O autor é freqüentador da Casa Chefe
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