Rio de Janeiro, sede da Olimpíada de 2016

Este poema, “O Rio em flor de janeiro”, foi escrito pelo poeta mineiro, apaixonado pelo Rio, Carlos Drummond de Andrade. Nascido em Itabira, Minas Gerais, Drummond morou, trabalhou e morreu na capital fluminense. Nesta obra-prima, ele brinca com a beleza do Rio de Janeiro e suas espécies, muito variadas, de flores. A linguagem não é, assim, tão simples, mas vale a pena ler e ler de novo. É a homenagem de A Razão Criança à cidade que sediará a Olimpíada de 2016.

 

"A gente passa, a gente olha, a gente para

e se extasia.

Que aconteceu com esta cidade

da noite para o dia?

O Rio de Janeiro virou flor

nas praças, nos jardins dos edifícios,

no Parque do Flamengo nem se fala:

é flor é flor é flor,

uma soberba flor por sobre todas,

e a ela rendo meu tributo apaixonado.

Deixemo-la reinar. Sua presença

é mel e pão de sonho para os olhos.

Não esqueçamos, gente, os flamboyants

que em toda sua pompa se engalanam

aqui, ali, no Rio flóreo.

Nem a dourada acácia,

nem a mimosa nívea ou rósea espirradeira,

esse adágio lilás do manacá,

esse luxo do ipê que nem-te-conto,

mais a vermelha aparição

dos brincos-de-princesa nos jardins

onde a banida cor volta a imperar.

Isto é janeiro e é Rio de Janeiro

janeiramente flor por todo lado.

Você já viu? Você já reparou?

Andou mais devagar para curtir

essa inefável fonte de prazer:

a forma organizada,

rigorosa,

esculpintura da natureza em festa, puro agrado

da Terra para os homens e mulheres

que faz do mundo obra de arte

total universal, para quem sabe

(e é tão simples) ver?"

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