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Riscos na alma
Heloisa Ferreira da Costa Será que estamos vivenciando o que merecemos? Esta é a grande dúvida do ser humano. Esta semana, coisas agradáveis me aconteceram e vários amigos me disseram – "Você merece!". Ao compreendermos as leis que regem a vida, fica mais fácil analisar essa frase. No entanto, quando coisas desagradáveis acontecem, é muito comum o ser humano dirigir-se a Deus e argumentar "eu não mereço!", como se houvesse uma entidade rancorosa determinando os caminhos para a felicidade. Vivi problemas sérios também, e a paz espiritual que tanto buscamos no Racionalismo Cristão foi essencial para tudo enfrentar com tranqüilidade, e nesse caso ninguém falou pra mim – "Você merece!". Temos que compreender que todos os fatos e pessoas em nossa vida ali estão porque ali os pusemos com o desempenho do livre-arbítrio, que nem sempre cria condições favoráveis no viver. Quem compreender o objetivo das adversidades não cairá na estupidez ridícula de recriminar Deus por todos os males que o afligirem, ao invés disso o indivíduo deve consultar a consciência para ver se a causa não está em algum desvio de sua conduta, ou se é uma daquelas contingências da vida que parecem independentes de toda previsão humana e que precisam ser enfrentadas sem queixumes e de cabeça erguida. Uma querida amiga comprou um carro novo e, por um pequeno descuido ao entrar na garagem do seu prédio, riscou a pintura. Claro que todos que viram lamentaram o ocorrido, os familiares, ao contrário, recriminaram-na pela falta de cuidado. É muito chato riscar carro novo, mas às vezes é inevitável. Então volta a tal história do merecimento. Bens materiais arrumam-se, trocam-se, não importam tanto assim, é preciso tomar cuidado com os riscos que fazemos no espírito, estes sim, vão acarretar sofrimentos e merecimentos que muitas vezes não compreendemos. Final de ano é sempre tempo para reflexão, análise de tudo o que ocorreu durante o período, as coisas boas, as ruins, as alegrias, as tristezas, e nessa análise é preciso avaliar as atitudes, porque o resultado de nossa vida, nosso merecer ou não, reside naquilo que somos internamente. Este ano vivi um período de muitas transformações, felizmente para melhor, mas nem por isso fiquei livre de problemas, sofrimentos, tristezas, mas o estudo diário dessa Doutrina nos dá serenidade para entender que são as coisas da vida, que felicidade é paz de espírito e paz de espírito é a consciência de que fizemos o nosso melhor, e que se as respostas às nossas ações não aconteceram exatamente como gostaríamos, são as lições que precisamos vivenciar para alcançarmos maior evolução. Lendo o discurso de meu avô, José Ferreira da Costa, na inauguração da Casa racionalista cristã de Marília, em 15 de setembro de 1940, ele diz: "Este dia, pois, é um dos maiores da minha existência." Que grande verdade! Esta foi a maior herança que esse espírito nos legou, eu sinto que de alguma forma mereci nascer nesta família e ter a opção de seguir ou não firmemente esses princípios – livre-arbítrio novamente, a maior arma que possuímos. Com o pensamento tranqüilo e uma grande paz, olho para tudo que ocorreu este ano, lembro das vitórias, das lágrimas, analiso minhas limitações materiais, meu gênio, que algumas vezes quer me trair e riscar minha alma, e compreendo... Eu mereci. (A autora é Militante da Filial Marília - SP) |
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