Carlos Alberto Diamantino
Faleceu em 3 de maio de 2011, após mais de 50 anos de militância convicta
e ativa no Racionalismo Cristão, Rita Botelho Diamantino, nascida em 20 de
julho de 1934, na cidade de Sales de Oliveira, SP.
Ainda criança demonstrava modalidades mediúnicas afloradas como a visual,
a auditiva e, de forma especial, a intuitiva. Mais tarde, após o casamento
com Adão Diamantino e o nascimento do primeiro filho, Aparecido, em 1955,
desenvolveu, de forma descontrolada, a mediunidade de incorporação. Deu à
luz, ainda, Carlos e Éder.
Em busca de explicação e controle das incorporações, foi encaminhada ao
Racionalismo Cristão por Osvaldo Boldone, frequentador da Doutrina, a quem
conheceu na cidade de Jales (SP). Como em Jales não existia casa
racionalista cristã, Rita passou a frequentar a Casa de Fernandópolis
(SP), a 35 quilômetros de distância.
Acolhida pelos companheiros da Casa de Fernandópolis em 1956, já residindo
nesta cidade, iniciou na militância em 1957. Rita e Adão foram “bravos
guerreiros” da doutrina por vários anos, nas palavras de muitos militantes
contemporâneos. Dionísio Viscardi e dona Anita Viscardi, ainda hoje ativos
e atuantes militantes, foram grandes orientadores, a quem Rita e Adão
sempre dedicaram muito carinho, apreço e gratidão.
O que caracterizava Rita, segundo Dionísio Viscardi, eram sua disciplina e
determinação como médium. “Rita não gostava de nada errado e nada fora do
lugar. Rita foi uma pessoa que só fez o bem”, afirmou Dionísio quando
soube da sua desencarnação.
Rita muito cedo conheceu a dificuldade e teve que lutar pela vida. Aos
sete anos viu morrer o pai, Carlos Alberto, homem muito simples e
trabalhador no campo. A família não pôde manter-se unida e foi cada um
para seu lado, em busca de sustento, nas fazendas da região. Assim, foi
separada da mãe Bianca e dos irmãos Guido, Nande, Cida, Zeca e o caçula
Pedrinho, todos reencontrados muitos anos mais tarde, reencontros
permitidos pela moderna tecnologia de comunicação das redes sociais.
Rita sempre teve caráter forte e moral ilibada. Não gostava de coisas
erradas e fora da sua retidão moral. Não conseguia convencer-se com
explicações e não se compatibilizava com os ritos religiosos.
A estabilização espiritual foi algo exemplar para todos os frequentadores
da casa racionalista cristã de Fernandópolis.
Em 1973, a família transferiu residência para São José do Rio Preto. Em
seguida mudou para Campinas, onde o casal deu continuidade à militância,
agora na Casa racionalista cristã local. Nessa Casa, Rita dedicou-se com
afinco à Doutrina. Em certa ocasião, o presidente Antonio Botelho
mencionou que por longos tempos Rita manteve os trabalhos como única
médium ativa. Hoje a querida Casa de Campinas está muito bem servida por
companheiras médiuns contemporâneas e novos que vieram como grandes
reforços aos trabalhos.
Racionalista cristã de profunda convicção, “não tinha tempo ruim” que a
fizesse faltar a uma reunião. As únicas exceções eram quando ficava
acometida de alguns males físicos, principalmente de causa renal que veio
recentemente provocar seu falecimento.
Tinha uma rotina admirável. Às 16 horas iniciava a sua preparação para as
reuniões, públicas ou de desdobramento. Nesse horário começava a sua
movimentação para a preparação do jantar da família.
Sempre mencionou que gostaria de ter tido estudo para maior aprofundamento
e entendimento da ampla literatura da doutrina.
Nos últimos anos, já combalida pela fragilidade física, não conseguia mais
estar fisicamente na Casa racionalista cristã que tanto amava. Por fim,
foram de grandes sofrimentos causados pela doença.
(O autor é filho de Rita Botelho Diamantino e militante da Filial
Campinas, SP)
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