Saber esperar é uma qualidade

Tharsila Prates

Há momentos na vida em que pouca coisa se pode fazer, a não ser esperar. Circulam por aí dois ditados verdadeiros: “Nada como um dia após o outro” e “O que não tem remédio remediado está”.

Já escrevemos aqui que a vida exige ação. Ação em busca da realização dos nossos sonhos e das nossas responsabilidades; ação para solucionar os problemas que todos os dias surgem em nosso viver; ação para alcançar a nossa evolução. No entanto, há situações no mundo que nos exigem, em vez de ação, paciência. Paciência para aguardar o desenrolar de uma providência tomada; paciência para esperar a evolução de um quadro clínico; paciência para obter do tempo as cicatrizes para uma ferida aberta; paciência para colher os frutos de uma ação realizada. Vê-se que a palavra é: paciência.

Muitos dizem que a maturidade traz ao ser humano uma melhor administração das coisas e situações, e que a ansiedade em ver tudo acontecer é marcante nos mais jovens. À medida que o tempo passa, a pessoa vai compreendendo os mecanismos que fazem a roda da vida girar e, com isso, não cria expectativas que não possam ser concretizadas no tempo adequado.

“Dar tempo ao tempo” é outro ditado que serve bem a essas situações. Às vezes, nos acontecem coisas que nos dão a sensação de que o mundo irá desabar a qualquer momento. Mas, se olharmos para trás, veremos que os obstáculos foram transpostos, com mais ou menos suor, e que esses mesmos obstáculos hoje não nos causam mais tanto sofrimento. Por quê? Exatamente, porque o tempo passou. Quem sabe esperar sofre menos.

A ansiedade, sobre a qual falamos há pouco, ocasiona um mal-estar psíquico que se reflete, muitas vezes, em sintomas físicos. E nenhuma experiência mostra que ficar ansioso ajuda na solução dos problemas ou na concretização de qualquer ação, seja qual for. Saber esperar é uma qualidade, que não deve ser confundida com negligência ou indolência. É preciso agir quando a situação exige e esperar quando for necessário.

Quanto mais nos espiritualizamos, preocupando-nos com a nossa conduta, mais saberemos distinguir quando é preciso agir e quando é preciso ter paciência. O esclarecimento nos permitirá isso.

( A autora é jornalista, frequentadora da Filial São Paulo, SP)
 

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