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| A saga de
uma família
Beatriz Melo Seis filhas e um filho, todos ajudando os pais Antonio e Maria Flor a desenvolver a Doutrina Como em todos os lugares, tudo que se realiza de bom é sempre resultado de uma luta conjunta, pois sabemos que nada se faz sozinho. Falamos da saga de uma família, conduzida pelas mãos rudes de trabalhador braçal, que foi Antonio de Ornellas Flor, imigrante português, que veio para o Brasil fugido do pai, que desejava que ele fosse para a América do Norte, mas, na sua determinação em vir para o Brasil, dizia que "outro lugar no mundo era pequeno demais para ele". Assim, escondido nos porões de um navio japonês, veio para o Brasil lutar por seu futuro. Deixou para o Racionalismo Cristão um legado de força e determinação, para que as futuras gerações possam entender que a luta pela verdade e pela espiritualização não é nada fácil, requer muito trabalho, muita firmeza e principalmente tolerância com o semelhante. Falar em Antonio Flor é falar em superação, superar limites, que para qualquer pessoa poderia parecer impossível. Falamos em um homem que, em tempos idos de 1916, vinha para esta terra, jovem, cheio de sonhos e uma grande determinação, que o fez lutar e vencer. Lutou muito, trabalhou duramente e, em 1923, casou-se com Maria Nunes Flor, professora dedicada e culta, uma mulher de muito valor. Tiveram sete filhos: Maria, Emília, Amadeu, Zilda (in memória), Áurea, Odila e Nilza. A todos os filhos orientaram e formaram academicamente em curso superior. Formou-se assim uma família forte, determinada, mulheres trabalhadoras, sensíveis e dedicadas professoras. Com o trabalho duro realizado por Antonio e a sra. Maria, foram conquistando espaço. Depois de passar por vários negócios, não muito bem sucedidos, começaram então a trabalhar com móveis e, em pouco tempo, já tinham sua pequena fábrica. Eles moravam em um quarto dentro da fábrica e a sra. Maria cozinhava para os funcionários, cuidava dos filhos, costurava as almofadas para os móveis, dia e noite, para darem conta das encomendas, que se tornavam cada vez maiores. Foram nascendo os filhos, todos sempre presenciando o trabalho dos pais, e à medida que cresciam passavam a ajudar, mas sempre incentivados a estudar. Sempre buscando algo a mais, respostas de que sua sensibilidade necessitava e que as religiões não forneciam, soluções para as questões além do que a matéria mostra, Antonio procurou em vários lugares sem obter muito sucesso. Nessa busca, foi convidado por seu irmão, Cláudio, a ir conhecer o Centro Redentor em Vila Isabel, no Rio de Janeiro. E Cláudio lhe disse: "Agora, acho que vais gostar, encontramos o lugar certo". Depois de uma viagem de trem, chegando ao Rio de Janeiro, teve muita dificuldade para chegar à Casa-Chefe do Racionalismo Cristão, porém, com sua peculiar determinação, lá chegou. Depois de assistir à reunião, conversou com Antonio Cottas e, ao sair, levou uma grande quantidade de livros, que ele não podia ler, pois era analfabeto. Começou aí mais um grande desafio: penetrar no mundo das letras e da cultura, que para ele eram desconhecidas. Dona Maria passou a ler com ele os livros do Racionalismo Cristão e aos poucos ambos foram estudando e abrindo sua espiritualidade para o real sentido da vida. Com a alfabetização, os horizontes de Antonio Flor foram ampliando-se. A luta para aprender, depois de uma vida rude e dura, é sempre mais difícil, mas para ele as barreiras eram um estímulo. À medida que evoluía, os negócios prosperavam. Tornou-se um comerciante bem sucedido e poderoso homem de finanças. Com o entusiasmo contagiante por todas as descobertas que Antonio e dona Maria estavam fazendo, foram aproximando-se deles outras pessoas. Foi assim que, na sala de sua casa, começou a reunir-se em pequeno grupo, sempre com a presença das filhas, para fazer a limpeza psíquica. Logo se mudaram para o alto de Santana, em um espaço maior, onde já havia condições e pessoas para se formar um pequeno Correspondente. Antonio voltou então ao Rio de Janeiro para conversar com o Antonio Cottas e oficializar o Correspondente. No diálogo com o então presidente internacional do Racionalismo Cristão, propôs que ele nomeasse alguém para ser o presidente do já iniciado Correspondente. Qual não foi a surpresa de Antonio Flor quando Antonio Cottas o apontou como presidente! Não se julgava capaz de tal tarefa por sua simplicidade e pouca cultura, o que não se tornou ponto negativo, pois Antonio Cottas, homem sensível e experiente, sabia que a magnitude do ser humano não está na sua cultura, mas na sensibilidade, amor pela humanidade e força de luta, atributos abundantes em Antonio Flor. Assim, em 1935, iniciou-se o Correspondente São Paulo do Racionalismo Cristão. À medida que o tempo passava, mais pessoas apareciam para assistir aos trabalhos e, aliando-se como militantes, logo a Casa foi elevada À categoria de Filial. Para que os militantes pudessem estar na Casa, dentro do horário, começavam a chegar às 16 horas, porque o transporte era escasso, muitos andavam quilômetros a pé para cumprir com a disciplina. No relato que nos fizeram Maria, Emília e Áurea, enquanto os pais cuidavam dos trabalhos espirituais, elas cuidavam das crianças, contavam histórias, davam o jantar e, ao terminar a reunião, todos iam com seus pais para casa. E no outro dia a luta começava logo cedo, com as irradiações, a limpeza do espaço da Casa Racionalista Cristã sempre muito bem limpa e encerada, copos de alumínio bem polidos, tarefa que as filhas realizavam com disciplina e ordem, apesar da pouca idade. A filha Áurea, de Antonio Flor, conta que encerava as salas da casa e dependências do Centro, três vezes por dia, para que estivessem sempre limpas e polidas. Naquele tempo as reuniões eram realizadas três vezes por dia. Dona Maria, incansável cozinhava sempre para muitas pessoas, a casa estava sempre cheia e movimentada. Com o bom trabalho realizado, e a união familiar bem sucedida, a casa logo se tornou pequena para abrigar o numero de pessoas que lá iam. Dessa forma pensou-se na construção de uma casa maior, com mais conforto. Inicia-se então nova batalha: procurar um terreno em local a que todos tivessem condições de chegar. Foi assim que, com pouco dinheiro e muita determinação, o grupo, já numeroso, encontrou um bom espaço onde funcionou uma fábrica de macarrão, na Rua Gabriel Pizza, atual sede da Filial São Paulo. Comprou-se o terreno com grande luta e muitas histórias. Começou a construção e, com a união dos membros da diretoria e outros muitos simpatizantes, o trabalho seguiu com muita dificuldade e grande luta como sempre existe – com Antonio Flor não poderia ser diferente. Por ele e sua obra, passaram inúmeras pessoas que muitas vezes se faziam de amigos e aliados para tirar proveito das situações e de seus haveres. Mas a determinação desse brilhante homem tudo superou, apesar de deixar em seu espírito muita tristeza em presenciar as falhas dos seres humanos e sua pequenez, diante de uma obra tão superior. A obra continuou e se solidificou. E aí está a Casa Racionalista Cristã de São Paulo, inaugurada em 1973, construída com a garra de um grande líder, com os amigos e aliados que ele soube acolher pelo caminho, e a generosidade carinhosa e laboriosa das mulheres que o cercaram e ajudaram. Sem essas maravilhosas mulheres, sua luta teria sido bem maior. Hoje essa bela família, ainda continua a prestar grandes serviços ao Racionalismo Cristão, tanto em plano astral como físico, sendo Antonio de Ornellas Flor Netto presidente astral da Filial de Taubaté; a sra. Maria Nunes Flor, presidente astral da Filial Butantã, Antonio de Ornellas Flor, presidente astral na Filial São Paulo; Emilia de Ornellas Flor Campos e Nilza de Ornellas Flor Silva são militantes em São Paulo. Assim, com o trabalho constante e tenaz, essas mulheres incríveis continuam e passam a todos com quem convivem o amor pela humanidade e pelo Racionalismo Cristão. Com isso podemos concluir que toda grande realização vem sempre do trabalho conjunto e disciplinado, união familiar, que é o ponto chave para se vencer todas as barreiras que formam o conjunto de obras bem sucedidas que beneficiam a humanidade. (A autora é militante da Filial São Paulo, SP) |
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