Saudade do futuro

Quando criança, uma das brincadeiras era inventar nomes impossíveis para filmes, e um desses nomes era "Saudades do futuro", que muito nos fazia rir. Como é possível ter saudade do que nem aconteceu? Adulta, percebi que é possível, sim, sentir falta de algo que ainda não se viveu, mas que se tem a expectativa silenciosa que será bom. Só que descobri também que esta saudade nada mais é do que uma grande ansiedade, cuja definição é angústia, incerteza. Angústia significa ansiedade com opressão, abatimento de forças ou agonia, que fica ainda pior sendo definida como ânsia de morte.

Seguindo as palavras e seu significado no dicionário, vê-se o absurdo dos sentimentos que ficam escondidos nos recônditos da alma e que, ao invés de proporcionar bons momentos, trazem sofrimento antecipado à sua passagem. Conclusão: não se planeja o antes, mal se vive o durante e ainda fica-se aflito porque logo se transforma em passado.

É necessário aprender a sentir cada momento, valorizando os bons e procurando superar os ruins. Quando há uma festa, por exemplo, os preparativos, as roupas, a programação, tudo é excitante e sempre se ouve: "o melhor da festa é esperar por ela". Porque quando chega a data do evento a atribulação é tanta que não se aproveita devidamente.

As alegrias devem ser aproveitadas com serenidade, é muito importante gravar-se no espírito cada fragmento de felicidade, porque, quando houver necessidade de atravessar as tristezas da vida, ou mesmo na velhice, pode-se lançar mão das lembranças e encontrar um alento; nada é mais agradável do que reviver um sorriso, um carinho, uma formatura, um casamento, uma viagem, aquele bater apressado do coração, uma emoção que as palavras não podem definir. A função da memória é proporcionar-nos colher rosas no inverno da vida.

Para que a vida traga a felicidade relativa é preciso aprender a sentir uma coisa de cada vez, encontrando em cada pequeno minuto um pensamento de paz; acalmar o espírito para não atravessar as situações sem aproveitá-las a contento. Nessa busca frenética por esse sentimento, aprende-se também a enfrentar as crises, as perdas e tudo de triste que existe neste mundo e que se é obrigado a passar porque, através dessas vivências, ocorre maior evolução. Deve-se procurar a criança e o velho que residem dentro de cada um, simultaneamente, para encontrar a inocência e a espontaneidade, ao mesmo tempo a calma característica dos que já tudo enfrentaram e superaram.

Saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa; nas outras apenas se sente falta sem ter uma palavra específica. Saudade é recordação, ao mesmo tempo triste e suave, de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de tornar a vê-las ou possuí-las. Deve-se procurar sentir saudade do que ficou no passado relembrando com sentimentos bons, porque pior do que a perda é passar pela vida sem ter experimentado emoção alguma.

Esperar o que o futuro trará com esperança sempre renovada, e quando tudo se tornar passado ter a certeza de que a nostalgia faz parte da vida, mas entender que novos dias surgirão, novas pessoas, novas emoções e as flores se reabrirão com uma brisa refrescando as mentes escaldadas.

Heloisa Ferreira da Costa
A autora é Militante da Filial Marília, SP


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