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Saúde física e moral
João Baptista Cottas A Razão publicava em Dezembro de 1959 A saúde é o princípio fundamental da vida. Quando aquela se perde, nada há que possa restituí-la. Não há amigos ou fortunas que possam dar felicidade ao desgraçado. A própria ciência, muitas vezes, torna-se impotente. O corpo humano é o universo em miniatura. Ele sente e está sujeito a todas as intempéries do mundo físico. Ele sofre as influências das condições atmosféricas e está sujeito às leis comuns e naturais que regem. Todo aquele que infringir essas leis tem que sofrer penalidades. O indivíduo que mantiver equilíbrio perfeito entre o corpo e o espírito, que não sofra perturbações de ordem moral ou física, terá perfeita saúde. A união da alma e do corpo tem por laço o sistema nervoso. É através desse conjunto harmônico que o espírito, por intermédio do perispírito, pode transmitir suas efluviações, irradiar calor, energia e saúde. Ele pode preservar pela sua ação a saúde do corpo; dominar, afastar e desviar os males e enfermidades que possam ameaçá-lo. Essa força é poderosa. Ela existe, mas está sujeita à vontade e ao livre-arbítrio do ser humano, que muitas vezes leva uma vida de dissipação e práticas viciosas, perdendo vitalidade física e vida anímica. Para obter saúde física e moral, é indispensável poupar energias, não as desperdiçar, não as gastar com excessos e dissipação. Só assim se consegue domínio de si mesmo, vencer, lutar e gozar saúde. O homem deve aprender a conhecer o seu próprio corpo, dar-lhe tudo que é preciso, satisfazê-lo, mas nunca ir ao excesso, para que depois não surjam os infartos, os espasmos cerebrais, os distúrbios circulatórios e nervosos, produtos, muitas vezes, de uma vida desregrada e mal vivida. A boa saúde leva o homem à realização de grandes coisas, a empreendimentos nobres e altruístas, enquanto a má saúde destrói e enfraquece. Ela exerce grande influência sobre o moral, o caráter e o poder criador de cada um, mas quando se a perde ou o conjunto das funções orgânicas começa a ressentir-se, a enfraquecer-se, sobrevém o desânimo, a inércia, a incapacidade produtiva. Mas, o que mais contribui para destruir a saúde física e moral são os temperamentos violentos, as manias doentias, o ódio, a inveja, a raiva e o ciúme. Essas psicoses exercem no espírito uma influência tremenda, são verdadeiras descargas elétricas que, atuando sobre os sistemas nervoso e circulatório, podem provocar até a morte súbita. A saúde física e moral resulta, pois, de bem saber viver, de uma harmonia perfeita da vida material e espiritual, de pensamentos equilibrados, elevados, nobres e altruístas. Pensar é atrair. Muitas pessoas pensam e imaginam coisas que não existem. A imaginação é a sede de muitas doenças mentais. Deve-se repelir para bem longe todas as doenças desse gênero, para que não venham a afetar a saúde. Como são profundos os padecimentos dos que se entregam à idéia fixa de um mal imaginário, que se julgam ameaçados ou inválidos! Assim como o corpo humano sofre as influências atmosféricas, também reflete no seu conjunto a harmonia de pensamentos que seu espírito alimenta. O espírito deve conservar-se tão sadio e puro quanto o corpo. Quem assim não proceder física e mentalmente não poderá bem desobrigar-se dos seus deveres e compromissos, dos encargos cotidianos. |
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