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Para ser feliz
Maria Cottas A mulher tem esquecido a arte de ser feminina, e, no entanto, o primeiro passo para o feminismo é ser essencialmente mulher. A sua independência exagerada talvez tenha concorrido para que ela perca a feminilidade mas, se assim é, ela age simplesmente contra as leis da natureza. Se as atitudes da mulher de dois séculos atrás não podem ser copiadas no presente, com o que, aliás, concordamos, porque os tempos de hoje são outros e a ação feminina mais necessária em todos os ramos da atividade humana, achamos, porém, que a mulher não deve ser independente demais. Pelos seus gestos e maneiras demasiadamente desenvoltos, pelas suas expressões livres, ela faz com que os homens se sintam inteiramente à vontade ao seu lado, como se tratassem com um amigo ou colega, abandonando, por completo a atitude respeitosa e os modos cavalheirescos. A independência da mulher não está na desenvoltura do seu viver masculinizado, mas num caráter bem formado que não despreza o pudor e a natural delicadeza do sexo. Somos do século XX, mas sinceramente apreciamos as velhas galanterias do tempo passado. Havia mais graça feminina, mais recato, mais encantos, e respirava-se um ar mais puro de sentimentos... A mulher era disputada e conquistada. Por ela se batiam os homens. E hoje?... Desapareceu todo o interesse masculino, dada a facilidade da conquista feminina. A mulher brinca com o fogo, borboleteando em torno da luz, sem receio de queimar suas frágeis e aveludadas asas, o que tantas vezes acontece... A mulher precisa mostrar-se digna, moral e intelectualmente, da nova situação que o progresso lhe criou na sociedade moderna. Não pode existir homem vil perto de uma mulher honesta, o que prova a influência que temos na organização da sociedade. A mulher, para ser feliz, precisa ser, antes de tudo, feminina, e ser feminina é ser carinhosa, dócil e pura.(Do livro Folhas esparsas) |
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