| Sessenta
anos do Dia da Vitória Sebastião José da Silva,
nascido em 19 de novembro de 1920, freqüenta a Doutrina Racionalista Cristã
desde os 17 anos. Este valoroso homem, de moral e conduta ilibadas, lutou
bravamente na Segunda Guerra Mundial, integrando a Força Expedicionária
Brasileira (FEB). Quem diria que tal cidadão venceria todas as barreiras que
incendeiam os espíritos dos ex-combatentes? Pois ele é portador de
inteligência, total lucidez, austeridade, fidelidade a nossa Doutrina.
Sebastião conta que toda a conquista de seu equilíbrio se deu graças à
Doutrina, pois quando estava na Itália, lutando, sempre escrevia cartas a
Antonio Cottas, e sempre tinha as mais valorosas respostas, que muito o
incentivavam. Quando retornou ao Brasil, chegando ao Rio de Janeiro fez
questão de conhecer a Casa-Chefe.
Após seu retorno, deprimido pelos horrores da guerra, ainda escrevia a
Antonio Cottas; e como sempre vinham as mais belas respostas, de incentivo e
de coragem para prosseguir sua jornada. E então, mantendo-se na Doutrina,
ele pode reerguer novamente sua vida sem seqüelas, tudo devido ao amparo que
recebeu da nossa Doutrina.
Em maio de 1998, Sebastião solicitou seu ingresso no quadro de militantes da
Filial Belo Horizonte do Racionalismo Cristão, onde até então havia
contribuído e colaborado, e colabora até hoje. Aos 84 anos, ocupa o cargo de
diretor secretário em nossa filial, prestando relevantes serviços.
No dia 8 de maio deste ano, comemoraram-se os 60 anos do fim da Segunda
Guerra Mundial; e, como todo ano, há uma homenagem aos ex-combatentes da
FEB. Neste ano achamos por bem levar ao conhecimento do público um pouco da
história, por meio de pronunciamento feito na Reunião Especial da Câmara
Municipal de Belo Horizonte, que segue abaixo:
"Eram 2 de julho de 1944. O "General Mann", transporte de tropa
norte-americano, cruzava a barra da Baía de Guanabara e iniciava a travessia
do Atlântico. A bordo, pracinhas brasileiros que, pela primeira vez na
história de uma nação sul-americana, se dirigiam à Europa para combater.
Vinham do Morro do Engenho, das selvas e dos seringais, das margens crespas
dos rios, dos verdes mares bravios da sua terra natal. Lá iam oficiais e
praças lutar, ao lado de aliados experientes, soldados de um dos exércitos
mais respeitados do mundo. Constituíam o primeiro escalão da Força
Expedicionária Brasileira, que outros três grupos haveriam de seguir. O
último partiu em 8 de fevereiro de 1945.
O Brasil reconhecera, em 22 de agosto de 1942, o estado de beligerância com
a Alemanha e a Itália. Já não era sem tempo. O Araraquara, o Aníbal
Benévolo, o Itagiba, o Baependi e o Arará haviam sido torpedeados entre 14 e
17 de agosto daquele ano, quando singravam os mares em legítima e pacífica
navegação de cabotagem; mais de 600 vidas ceifadas pelos submarinos do Eixo.
A opinião pública, tendo à frente os jovens, exigiria do governo revide à
cruel e covarde agressão.
Em Nápoles aportaram os pracinhas. Haviam saído da boa terra do coco, da
choupana onde um é pouco, dois é bom, três é demais. Provinham das praias
sedosas, das montanhas alterosas, dos pampas e dos cafezais. Homens simples,
integrantes de um Exército que sofrera rápido processo de adaptação a novas
armas, a técnicas e a táticas recém-introduzidas à força. Não chegaram sós.
Com os soldados do Exército de Caxias, na Europa, apresentaram-se também as
asas da Força Aérea Brasileira, habilmente manejadas pelos homens do 1°
Grupo de Aviação de Caça e da Esquadrilha de Ligação e Observação.
E combateram nossos pracinhas e aviadores. Venceram. A epopéia começou a ser
escrita em Camaiores, Monte Prano, Formaci e Galicano - Barga. Prosseguiu
com as conquistas notáveis de Monte Castelo, Montese, Zocca, Colecchio e
Fornovo. Foi encerrada em Piacenza, Alessandria, Turin e Susa.
Aqueles brasileiros, armas na mão, coragem na alma, estavam convencidos da
causa da liberdade, tão querida nesta terra das Minas Gerais, da qual partiu
o alferes Tiradentes para imortalizá-la no coração de cada brasileiro.
Nossos pracinhas haviam levado junto a seus uniformes e equipamentos a
crença de que, por mais terras que tivessem que percorrer, estariam
amparados superiormente e não seria permitido que morressem sem que
voltassem 'para lá', para sua casa branca da serra, para o luar do seu
sertão, para sua Maria, cujo nome principiava na palma das suas mãos.
Venceram aqueles bravos. Trouxeram por divisa o `V' da vitória. Aqueles 238
dias de ação cobraram-nos, a todos nós brasileiros, o sangue de treze
oficiais, de 435 dos nossos que caíram prisioneiros do inimigo.
Ao final da guerra, quando nossos soldados retornaram aos lábios de mel de
Iracema e aos braços mornos de Moema, estendidos para eles, puderam nos
contar, com justificado orgulho, que haviam cercado e capturado a famosa
148a Divisão de Infantaria Alemã, além de remanescentes da Divisão
Bersaglieri Itália e da 90a Divisão Panzer. Outros tantos dos nossos
ocuparam o teatro de operações do Nordeste ou integraram o Sistema de Defesa
da Costa, tendo cumprido missão de vigilância de nosso extenso litoral e
ilhas oceânicas. Entrementes, a Marinha do Brasil proveu segurança ao
transporte marítimo, com emprego total da esquadra nas águas azuis que
banham nossas praias.
Passados 60 anos do 8 de maio de 1945, o Dia da Vitória, promove a Câmara de
Vereadores de Belo Horizonte esta reunião especial, tão oportunamente
requerida pela nobre vereadora Elaine Matozinhos para homenagear aqueles
que, sob o mesmo sentimento de nacionalismo e vontade de nossa sociedade,
animados pela firme disposição de defender nossa liberdade e nossa soberania
contra uma ideologia totalitária, fratricida e extremada, arriscaram seu bem
mais precioso, a vida, pelas gerações que os sucederam.
Alguns desses homens estão aqui conosco. São gente da terra querida chamada
Brasil. São gente que tem a Pátria no bojo do seu violão, que havia deixado
para trás seu terreiro, seu limão, seu limoeiro, seu pé de jacarandá. Havia
sentido saudade de uma casa pequenina, lá no alto da colina, onde canta o
sabiá. São gente que está conosco, encanecida, octogenária, ostentando
orgulhosamente suas condecorações, jovens em seus corações de veteranos e
ex-combatentes.
Aos integrantes desta Câmara, em nome do Exército Brasileiro, de oficiais e
praças que temos o privilégio de servir na Capital de Minas Gerais, o
aplauso sincero por terem promovido esta reunião evocativa dos feitos das
Forças Armadas Brasileiras na Segunda Guerra Mundial. Aos estimados
veteranos da Força Expedicionária, aos ex-combatentes de terra, mar e ar, a
mensagem dos soldados de hoje de que nós sempre aprendemos nas páginas da
história que eles escreveram.
Permaneçamos, pois, belo-horizontinos, seus representantes nesta casa, e os
soldados de hoje firmes na fé de que as gerações que sucedem aos vitoriosos
de 8 de maio de 1945 amam, como eles, o País do verde mais belo, do mais
dourado amarelo, do azul mais cheio de luz, cheio de estrelas prateadas que
se ajoelham deslumbradas diante de magnífico quadro.
Preservemos a Terra de Santa Cruz plena da liberdade que nossos pracinhas
defenderam para nós." Parabéns a todos esses valentes companheiros
ex-combatentes.
Lilia Rodrigues Paiva
A autora é Presidente da Filial Belo Horizonte, MG
Página principal | Arquivo
|