Como vão seus relacionamentos?

Tharsila Prates

Não é nada fácil relacionar-se. À luz dos princípios do Racionalismo Cristão, porém, não é tão complicado explicar o porquê. Encarnam na Terra espíritos de diversas classes. É como se o planeta fosse uma escola no horário do intervalo: alunos de diferentes séries utilizando o mesmo espaço. Nem todo mundo se conhece; há os alunos bons, outros, regulares. Há os bagunceiros e os "CDFs". Na nossa família, existem diversos graus de evolução e, por isso, os embates acontecem.

Cada um pensa de um jeito e também age de forma diferente. Junte-se a isso o péssimo hábito que temos de prestar mais atenção nos outros do que em nós mesmos. Aí, pronto: a confusão está formada.

As relações – e também os problemas – começam no seio familiar, que é o primeiro núcleo em que nos inserimos. Depois, vêm a escola, o trabalho e as relações amorosas. Não é à toa que a adolescência é uma fase delicada. É o tempo das descobertas, dos desafios, das primeiras vivências. É natural também que surjam as dúvidas e os questionamentos.

A família de hoje não é a mesma de ontem. "Os pais destes últimos 30 anos viveram um momento de ruptura com os padrões e são ao mesmo tempo mais permissivos e menos confiantes nos padrões que seriam capazes de criar para educar, até o ponto em que grande parte das famílias se tornou refém dos desejos e insatisfação dos filhos menores e adolescentes. Os pais são, em muitas famílias, tiranizados pelos filhos, que, por sua vez, são menos orientados, embora teoricamente mais livres", acredita Júlio César do Nascimento, especialista em Análise Transacional - método psicológico criado por um psiquiatra canadense, em 1958.

Com as relações estremecidas, é pouco provável que haja entre os filhos e os seus pais uma ponte estreita de amizade e de confiança. Muitos pais reclamam por serem excluídos pelos filhos das suas escolhas. Não participam, muitas vezes, das experiências dos jovens. Júlio Nascimento tem uma explicação para isso: "Uma confidência, por exemplo, é um testemunho de confiança, mais do que um pedido de orientação. É o compartilhar de uma vivência que está impregnada de significado emocional. Creio que os jovens, na sua maioria, não identificam seus pais como capazes de compartilhar com eles as suas experiências emocionais sem tentar interferir nas mesmas." Ainda de acordo com ele, os pais só participarão das descobertas dos filhos - inclusive as amorosas - se estes desenvolverem uma relação de cumplicidade anterior. "Isso somente ocorrerá num relacionamento onde exista grande confiança de que o interesse e o cuidado em preservar a intimidade e decisões do filho serão maiores do que a vontade de se mostrar como pai ou mãe."

Não se quer aqui buscar culpados pelas freqüentes discussões entre pais e filhos, mas apenas expor algumas razões que possam amenizar esta problemática. Qual seria, então, a solução para um relacionamento mais saudável entre pais e filhos? O nosso entrevistado pode ajudar: "Quem se vê nesta situação tem que reeducar-se, para que, com esta sua mudança de posição, possa influir na mudança de comportamento do outro." Por isso, não adianta esperar mudanças para melhor do outro. Júlio ainda recomenda que pais e filhos conversem, sendo que os pais devem deixar claro o que os filhos podem e o que não será permitido fazer. "Assim, estaremos contribuindo para a educação dos espíritos que, ao escolherem os seus pais, esperavam que estes contribuíssem realmente para esta finalidade", afirma.

Outra questão importante dos relacionamentos são as amizades. É natural não gostarmos de todo mundo. Nosso círculo de amizades, na maioria das vezes, é restrito. Para melhorarmos cada vez mais esses laços - novamente evitando tantos desentendimentos -, antes de tudo devemos buscar pessoas pelas quais tenhamos empatia, que se mostrem merecedoras da nossa atenção, nas palavras de Júlio Nascimento. "Sendo sempre sinceros, leais e verdadeiros, vamos com o passar dos anos desenvolvendo a amizade – sentimento que vai perdurar eternamente."

Os jovens precisam ter, pois, os pés no chão e até um pouco de maturidade para não desperdiçar esta fase da vida com brigas e coisas pequenas. Devemos lembrar que as mudanças têm que começar em nós mesmos. Quanto mais esclarecidos formos, mais aproveitamento vamos ter em todos os sentidos.

(A autora é jornalista)

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