Tolerância, a base da boa convivência

Tharsila Prates 

A doutrina racionalista cristã ensina que, dentro de uma mesma família, existem pessoas de diversas classes espirituais, o que explica a diferença de opiniões e comportamentos dos seus membros. Cada qual tem um grau de evolução e, como todos são diferentes, é normal que haja divergências. O que acontece, porém, é cada vez mais haver pouca tolerância e mais discussões. 

Especialistas afirmam que a atitude não é consciente, mas as pessoas tendem a confundir intimidade com falta de respeito e não toleram, dentro de casa, o que suportam em outros ambientes, como o do trabalho ou da escola.

"É difícil mesmo conviver", admite a psicóloga carioca Patrícia Ribeiro de Andrade. Mesmo assim, a boa convivência se tornará possível se ambas as partes estiverem dispostas a tolerar, a relevar, a dialogar, a respeitar as diferenças. Isso não significa querer mudar o outro. "Definitivamente, esse esquema não funciona. A pessoa só muda se quiser e não por influência de alguém", afirma. Segundo a psicóloga, a pessoa mais esclarecida deve saber que o outro pode não ter o mesmo nível de compreensão que ela tem. "Nessas horas, quem tem mais consciência sobre respeito, educação e tolerância deve tirar o time de campo, que não é a mesma coisa que engolir sapos. Simplesmente, é a constatação de que naquele momento não há diálogo", diz Patrícia.

Como não dá para calar todas as vezes, a psicóloga orienta sentar e conversar com a pessoa com quem se convive diariamente e tentar achar um consenso, uma solução, de preferência nos momentos tranquilos, em que não haja discussões. "Em qualquer relação – pais e filhos, marido e mulher, chefe e colegas de trabalho – há defeitos e diferenças com os quais dá para conviver, outros não. É preciso que as pessoas saibam se querem ou não os tolerar quando é possível fazer essa escolha", explica a psicóloga.

"Aos componentes do lar jamais deverá faltar o bom-humor. (…) O lar exige dos seus integrantes desprendimento e tolerância, para não faltarem entre eles a harmonia e o entendimento e não se enfraquecerem os laços de amizade que os devem unir, cada vez mais solidamente. Tenha-se sempre em vista que, sendo todos imperfeitos, suscetíveis de incorrerem em erros, estes devem ser encarados, não com indignação ou revolta, mas com calma e serenidade, para o que é necessário dominar o temperamento impulsivo, violento e intempestivo", recomenda o capítulo A Família do livro Racionalismo Cristão.

Essa conduta poderá ser aplicada em qualquer ambiente e, se em casa, mais fácil será conviver com todas as pessoas. Isso porque, como é costume dizer, a paz e a cultura da não violência começam em casa. Patrícia de Andrade chama a atenção, justamente, para a necessidade de os pais educarem os filhos, saberem dizer não nas horas certas e estarem sempre presentes. "A falta de respeito é uma questão que deve ser mudada. O respeito, a educação e a tolerância é que garantem a boa convivência", afirma.

(A autora é jornalista)

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