Perigos da tuberculose

Robinson Botelho de Faria

Problema de saúde pública  ligado à subnutrição e à ignorância

A tuberculose é uma doença infecto-contagiosa, produzida pelo Mycobacterium tuberculosis, uma bactéria em forma de bastão (bacilo) descoberto por Robert Koch em 1882 e por isso também conhecida como bacilo de Koch. É uma doença potencialmente grave, que pode levar à morte e à contaminação de várias pessoas a partir de um único paciente. Por isso é de notificação obrigatória às autoridades sanitárias.

Apesar de a medicação ser gratuita e o tratamento ser eficaz (haver cura completa) e realizado em posto de saúde, não necessitando de hospitalização (salvo em casos complicados), a tuberculose ainda é um grande problema de saúde pública, porque está associada à desnutrição e à ignorância. Sua principal forma de apresentação é a pulmonar, mas pode também acometer o sistema digestivo, genito-urinário, ósteo-articular, olhos e meninges.

A contaminação se dá por via aérea. Pacientes bacilíferos (que eliminam os bacilos no escarro) transmitem a doença através da tosse, fala e espirros. Gotículas microscópicas ficam em suspensão no ar até ser inaladas por outra pessoa e instaladas nos seus alvéolos pulmonares.

Ambientes arejados e com sol diminuem a possibilidade de contágio. Utensílios domésticos, como talheres, não precisam ser isolados, pois não contaminam. Normalmente, em duas semanas de tratamento o paciente não dissemina mais a doença.

Podemos classificar a tuberculose em primária e de reinfecção.

A primária é quando a pessoa se expõe ao bacilo da tuberculose pela primeira vez, e isso se dá normalmente na infância. Ocorre uma inflamação pulmonar inespecífica com disseminação dos bacilos por via linfática e pelo sangue. Após 15 dias, o organismo cria sua defesa própria contra a doença, matando todos os bacilos ou deixando alguns latentes em alguns órgãos, podendo ser ativados anos depois, criando a doença fora dos pulmões, quando ocorre alguma queda de imunidade importante no organismo. É um mecanismo natural e às vezes nem é notado. Em 5% dos casos pode progredir para doença ativa.

A tuberculose de reinfestação se dá em pessoas que já têm imunidade contra doença desenvolvida, por uma infecção primária ou provocada pela vacina BCG (com o bacilo de Calmette-Gérin). Esse tipo de tuberculose é restrito ao pulmão e só se dissemina em casos de complicações. Apesar de o organismo já ter imunidade, pode haver uma queda de resistência por doenças como Aids, diabetes descompensada, uso de medicações como corticóides, estresse intenso, alcoolismo e, principalmente, desnutrição, entre outras causas.

Clinicamente, observamos falta de apetite, emagrecimento, cansaço, dor no peito, febre baixa no fim do dia, com suores, e principalmente tosse com catarro por mais de três semanas. Pode haver catarro com sangue. Na doença avançada, pode haver destruição total dos pulmões.

O diagnóstico é feito por meio do exame de escarro. A maioria das pessoas infectadas nunca evolui para doença ativa, apenas 5% a 10% adoecem.

O tratamento dura no mínimo seis meses e, logo no primeiro mês, geralmente, o paciente está assintomático, achando que está curado. É difícil convencer um paciente pouco instruído de que ele deve tomar vários comprimidos ao dia, durante seis meses, sem ele sentir nada de errado. Isso faz com que muitos abandonem o tratamento, desenvolvendo bacilos resistentes aos medicamentos em uso, pondo sua saúde e a dos outros em risco.

(O autor é cirurgião do Hospital Souza Aguiar)

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