Uma vida, uma novela

Tharsila Prates 

A letra de um pagode diz assim: "Não me acompanhe que eu não sou novela". A frase pode servir para uma analogia na área da educação das crianças. Pais devem acompanhar a vida do filho como se fosse a sua novela preferida. E quem não gosta de uma novela, pelo menos de vez em quando?

Pois bem. Desde o nascimento, a criança requer cuidados e atenção especiais. A vida moderna exige múltiplas funções, mas o papel de pai e mãe não pode ser posto em segundo plano. Jamais. Assim como a gente assiste aos primeiros capítulos de uma novela para entender o enredo e conhecer os personagens, os pais devem prestar atenção às inclinações do filho desde os primeiros passos, para ir corrigindo os defeitos e incentivando as qualidades.

Se pais podem sentar-se em frente à TV por uma hora para assistir ao capítulo de uma novela, podem também reservar uma parte do dia para brincar com os filhos, ajudá-los nas tarefas, levá-los para passear etc. Deixar as crianças à toa só contribui para a má formação delas. Filhos sem acompanhamento são os que, mais tarde, vão dar problemas, andando em más companhias e, por consequência, praticando atos que serão reprovados pela família. Quanto mais velho for, mais vai ficando difícil burilar seu caráter, pois em determinada idade ele já não quer ouvir os pais. Quer pensar e agir seguindo a própria cabeça. O perigo é quando eles não têm referencial. Foram jogados no mundo e jogados continuam. Uma cabeça dessas não pode produzir grandes coisas.

Nas obras editadas pelo Racionalismo Cristão, há uma série de respostas e reflexões sobre o tema da educação dos filhos. Olga B.C. de Almeida, em Caminhos Certos, escreveu que "o perigo de não educar os menores é o de legar-lhes um triste futuro: criaturas fracassadas ou carrascos dos que lhes ensinaram a ser tiranos". Mais adiante, no mesmo capítulo A Educação - I, esse grande espírito afirmou que "educar é aceitar o outro tal qual é, o que não impede de ajudá-lo a tornar-se aquilo que devia ser". Isso é o que tratamos mais acima: a importância de ficar de olho nos filhos, incentivando suas boas tendências e corrigindo, com zelo, as más.

A autoridade dos pais não deve ser confundida com autoritarismo, que, segundo Olga de Almeida, "humilha, solapa a confiança, destrói o amor". E sem amor, confiança e equilíbrio nos lares não dá para existir uma educação elevada.

Agir sem durezas e fraquezas, aceitando a criança ou o adolescente como alguém que necessita de uma presença para compreender as contradições e ajudar a compensá-las é o que vale em educação".

Você, pai ou mãe, que tem o desafio de educar deve ler as obras desta valiosa Doutrina, pois cada parágrafo encerra ensinamentos preciosíssimos, úteis para ajudá-los na tarefa de ensinar. Nos intervalos das leituras, está liberado para assistir às novelas da ficção.

(A autora é jornalista)

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