Alma precisa de vacina para proteção do corpo

Francisco Ivo de Oliveira

Imunidade é um termo que significa proteção contra a enfermidade; mais objetivamente, contra enfermidade infecciosa. Nos dias de hoje a forma mais prática de melhorarmos a nossa imunidade é por meio da vacinação. O criador da primeira vacina, contra a varíola, hoje erradicada no mundo, foi o médico inglês Edward Jenner. Em 1796, Jenner observou que as vacas tinham nas tetas feridas iguais às provocadas pela varíola no corpo de humanos.

Os animais tinham uma versão mais leve da doença, a chamada varíola bovina. Ao observar que as moças responsáveis pela ordenha, que comumente acabavam infectadas pela doença bovina, tinham também uma versão mais suave da doença, ficando imunes ao vírus que atacava os humano, ele recolheu o líquido com pus que saía das feridas das vacas e passou em cima de arranhões que ele provocou no braço do filho, ainda menino.

O garoto teve um pouco de febre e algumas lesões leves, e recuperação rápida. A partir daí, o cientista pegou o líquido da ferida de outro paciente, agora com a varíola humana, e novamente expôs seu filho ao material infectante, e o garoto permaneceu incólume à doença. Estava assim descoberta a propriedade de imunização. Jenner chamou a doença bovina de Variola vaccinae (da vacca, em latim), daí generalizar-se o termo vacina.

Jenner ficou mundialmente conhecido como sendo o inventor da vacina, mas parece não ter sido o primeiro a empregar a vacinação. Afirma-se que os chineses teriam desenvolvido uma técnica de imunização anteriormente a Jenner. Eles trituravam as cascas das feridas produzidas pela varíola, onde o vírus estava presente, porém morto, e sopravam o pó através de um cano de bambu nas narinas das crianças. O sistema imunológico delas produzia uma reação contra o vírus morto e, quando expostas ao vírus vivo, o organismo já sabia como reagir, livrando os pequenos da doença.

Sem entrar no mérito de quem descobriu a primeira técnica de vacinação, que depois foi aperfeiçoada por Louis Pasteur e outros maravilhosos cientistas, sabemos que a produção das vacinas é uma das tecnologias de impacto que mudaram a face da Terra. Lembro-me perfeitamente que até a metade do século XX, no Nordeste do Brasil, precisamente na cidade de Fortaleza, onde eu passei minha infância, era comum vermos crianças atingidas pela poliomielite, outra doença causada por vírus e conhecida também como paralisia infantil. A doença, que causa deformações no corpo, foi erradicada no Brasil graças a campanhas de vacinação empreendidas de forma responsável e continuada por vários governos ao longo do tempo, envolvendo milhares de profissionais de saúde.

A única medida preventiva eficaz contra a poliomielite é a vacinação. Há dois tipos de vacina: a Salk, desenvolvida por Jonas Salk, e a Sabin, introduzida por Albert Sabin. No Brasil foi adotada a vacina Sabin, por ser de administração oral, baixo custo e alta eficácia.

Imagino que, por uma questão de gratidão, deveriam existir em todas as cidades brasileiras ruas ou avenidas com o nome do Dr. Albert Sabin, mas deixa como está: manda quem pode e obedece quem tem juízo.

É uma pena que a verdadeira história não venha sendo passada para as novas gerações. Assim como esses eminentes cientistas observaram, analisaram, estudaram e trabalharam arduamente para criar essas gotas mágicas, que, introduzidas no organismo humano, despertam as nossas defesas para criar barreiras de proteção contra as doenças infectocontagiosas.

Temos necessidade também de abrir o visual da nossa percepção para a necessidade de vacinar a nossa alma contra as moléstias provocadas pelo mau comportamento, sendo estas enfermidades de causa psíquico-espiritual, que tanto debilitam o ser humano. Nós, racionalistas cristãos, sabemos que a debilidade da alma, provoca mais adiante debilidade do corpo, porque o espírito é a matriz da nossa parte material. As recomendações da doutrina racionalista cristã são verdadeira imunização contra as mazelas que enfraquecem o ser humano, a família, a sociedade e a humanidade de uma forma global.

(O autor é presidente da Filial Recife, PE)
 

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