Velas içadas, navegar é preciso

Tharsila Prates

“Eu... Eu sou um jovem rapaz que navega num barco de velas içadas, procurando um porto seguro no qual eu possa descansar e me orgulhar de um caminho que eu mesmo tracei. Eu sou um sentimento bom num corpo já calejado, mas que ainda tem forças para prosseguir.”

Este é um trecho da redação escrita por Juliano Oliveira da Silva para concorrer ao 5º concurso Ler é Preciso, patrocinado pelo Instituto Eco­Futuro, realizado em 2009. O texto é tão interessante que foi colocado na internet para inspirar os próximos interessados no concurso, que, neste ano, está em sua 7ª edição. As inscrições se encerraram no dia 30 de junho.

Dessas poucas linhas podemos tirar uma série de lições. Primeira delas: mesmo que estejamos desanimados, o nosso barco deve estar sempre com as velas içadas, quer dizer, apontadas para frente, possibilitando que os bons ventos levem a embarcação adiante. Se recolhermos as velas – coisa que acontece quando ficamos murchos –, a vida simplesmente não segue o seu rumo como deveria. É necessário que estejamos abertos e atentos às oportunidades que surgem e preparados para agir quando há mudanças. Na nossa fase adolescente, elas ocorrem em grande número. Nada vai adiantar ficarmos rebeldes, cheios de vontades e achando que o mundo está contra nós.

Não parece, mas é o período em que mais precisamos do tal porto seguro. Uma família unida e amigos verdadeiros vão ajudar na hora das decisões típicas da adolescência, quando chega a hora de resolver o que seremos na vida e quando começam os primeiros amores e também as primeiras dificuldades. Quando somos crianças, recebemos tudo na mão e a nossa única obrigação é brincar. Depois, o “barco” aumenta a velocidade e nos coloca no leme. Somos nós que passamos a guiá-lo.

Por isso, o caminho é da nossa inteira responsabilidade. Aproveitem o fato de terem nascido ou crescido dentro de um lar racionalista cristão para seguir os seus princípios. Só assim, ao final da viagem, nos orgulharemos do caminho traçado. Este é o famoso dever cumprido. Para alcançá-lo, será preciso navegar, como já disse o poeta. Bons ventos.
 

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