Velhice e envelhecimento

Thereza Freire Vieira

Dentro de 25 anos, um em cada dez brasileiros será velho

O Brasil está envelhecendo rapidamente.

Há 9 milhões de pessoas acima de 60 anos.

Como o envelhecimento da população brasileira está ocorrendo de uma geração para outra, dentro de 25 anos, um em cada dez brasileiros será velho.

Em poucas décadas, segundo a Organização Mundial da Saúde(OMS), a população idosa se duplicará.

Isso é conseqüência da mudança no perfil da população brasileira: aumento da expectativa de vida e queda da taxa de fecundidade das mulheres, tendo como resultado menos crianças e mais idosos.

As famílias estão deixando a zona rural e se transferindo para as regiões urbanas, onde existem mais fontes de trabalho. As mulheres, em grande número, indo para a cidade, tendo emprego fora de casa, passarão a limitar o número de filhos.

O aumento da idade média devida ocorre por conta de melhores condições de trabalho, alimentação, saneamento básico, novas descobertas da medicina e a prevenção de várias doenças, que eram mortais antes da descoberta de vacinas.

Antigamente, quando as mulheres não trabalhavam fora e o número de filhos era maior, elas tinham mais disponibilidade para cuidar dos idosos. Com a diminuição da natalidade e os filhos também logo sendo obrigados a trabalhar, para aumentar a renda familiar, diminui a possibilidade de ficar em casa alguém que possa cuidar dos idosos. Quem cuidará dos velhos doentes e sem condições de cuidar de si mesmos? É importante que os que envelhecem tenham melhor atendimento médico, para ser independentes e poderem cuidar de si mesmos; viverem bem com a idade que têm, sem esperar ajuda dos familiares, que já estão sobrecarregados com o trabalho e com a despesa de sua própria família.

Ninguém fica velho de um dia para outro e nesse dia-a-dia devem ir adaptando-se às novas condições de vida, para que vivam o melhor possível. O ideal seria o idoso não depender de seus familiares, nem física nem financeiramente, e que sua convivência com a família fosse prazerosa e motivo de alegria, de satisfação. É preciso evitar o mau humor, o pessimismo para não prejudicara harmonia do ambiente familiar.

Se o idoso está triste, deprimido, aborrecido com a vida, o melhor que pode fazer é procurar um médico, expor os seus problemas e procurar uma solução.

(A autor é Médica geriatra e escritora.)

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