| Ventos
ruins que perturbam O viver neste mundo-escola
seria bem mais simples se as pessoas soubessem a importância do pensamento.
Mesmo aqueles que estão sempre se dedicando ao estudo da vida fora da
matéria ficam expostos às interferências inferiores. Esses, porém, cientes
dessas nuvens fluídicas soltas neste plano, procuram proteger-se por meio de
bons pensamentos. E o que é o pensamento? É uma força que emana do espírito,
uma força poderosíssima, para a qual não há barreiras e que, por assim ser,
se projeta a distâncias incomensuráveis.
A grande dificuldade é que os relacionamentos obrigam a ter-se contato com
os mais diferentes tipos de indivíduos, seja no trabalho, seja na vida
social. Quando há sensibilidade aflorada, o ser capta ainda mais os fluidos
deletérios e é atingido pelo astral inferior, que interfere no
livre-arbítrio dos mais fracos. A pessoa está ótima e num instante muda,
altera-se completamente, um mau humor que não sabe de onde vem invade seu
espírito, e as discussões começam do nada, por motivo fútil; o que era uma
ocasião agradável fica pesada, sufocante, e tudo que quer é ficar só para
ruminar a tristeza que nem sabe por que está sentindo.
Esses são os ventos ruins, que perturbam, entristecem, azedam as relações e
tornam o dia-a-dia muito difícil, até que chega um tempo em que os que estão
convivendo com indivíduos suscetíveis e instáveis se cansam e desistem.
Quanto não se perde! Como a vida seria melhor se pudéssemos ensinar a uma
camada maior da população a proteção contra esses ventos! Os seres
esclarecidos vão construindo a sua volta ambientes diáfanos, sem
perturbações, ambientes que trazem alegria e saúde.
É preciso aprender a ver e sentir as coisas como elas são: passageiras.
Acordar de manhã e decidir entre ficar de mau humor e transmitir isto
adiante, ou sorrir. As respostas para os problemas devem ser procuradas,
porque todos os conflitos podem ter um desfecho feliz. Só não há solução
para os que não pensam, os voluntariosos que querem tudo resolvido
instantaneamente.
Se a expectativa é estar bem apenas nas horas de lazer, o saldo no final da
vida será muito pequeno. A escolha da profissão deve ser feita de tal forma
que se possa encontrar prazer nas atividades, sentir crescimento material e
espiritual no desenvolvimento delas; assim procurando pensar, não se estará
livre dos problemas mas pelo menos o encargo parecerá mais leve e tudo
fluirá a contento.
Quando um vento ruim ameaçar o humor, sopre-o para longe, revista as paredes
da mente com imagens de momentos felizes, procure encontrar alegria no
simples fato de estar vivo e sentindo-se bem. Quantas pessoas não quereriam
simplesmente não ter dor! Quando tudo estiver normal, parado ou agitado,
lembre-se também das tempestades que atravessou. Quem não as teve? Assim, a
rotina não parecerá enfadonha. Não devemos chegar ao final da semana dizendo
"acabei mais uma"; devemos, sim, ter vivido mais uma semana, se foi
estressante, paciência, faz parte desta vida.
Quanta felicidade perdida! Olho às vezes para um idoso esquecido de quem foi
e me pergunto: será que foi uma pessoa turrona, mal humorada? Será que os
momentos de tristeza suplantaram os de felicidade? E agora que tudo passou,
que nem mesmo o reflexo do espelho lhe é familiar, de que adiantou tanta
amargura?
A natureza pregou uma peça nos seres humanos: deu a todos o poder do
pensamento, mas infelizmente não capacitou ninguém espontaneamente ao uso
desse poder. É preciso buscar na espiritualidade este manual de operação, e
infelizmente poucos o buscam; a grande maioria está mais ocupada em ter
auto-compaixão e atribuir tudo que lhe ocorre a uma força independente de
si.
Heloisa Ferreira da Costa
A autora é Militante da Filial Marília - SP
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