Tharsila Prates
Crianças e
adolescentes
são
mesmo
todos (ou
quase
todos)
iguais.
Recentemente, ouvi uma
mãe
dizer
que o
filho morre de
vergonha
quando
ela vai buscá-lo na
escola
com a Fiorino da
família, usada
também
para o
transporte de
alimentos do
restaurante a
peso mantido
por
eles.
Eu morria de
vergonha do
Corcel
verde do
meu
pai
que,
para
mim,
era notado
por todas as
pessoas
que ficavam
em
frente à
escola
onde
eu estudava. E o
medo do
carro
enguiçar?
Convenhamos
que uma Fiorino
não é
um
Corcel.
Mesmo
assim, o
adolescente morre de
vergonha do
carro da
mãe,
que
argumenta
não
poder
fazer
nada e,
não
por
coincidência, o
carro é
um
símbolo da
família
que
trabalha e,
com o
dinheiro, consegue,
por
exemplo, mantê-lo na
escola. É o
dinheiro
que sai do
restaurante abastecido
pela Fiorino
que,
muito provavelmente, permite ao
garoto,
além de
estudar,
ir ao
cinema,
ter
um videogame,
roupas,
tênis,
livros,
viagens e
um
monte de
coisas
mais.
Então,
por
que a
vergonha? No
dicionário,
vergonha significa
vexame
pela
prática de
atos
indecorosos (que
ferem a
dignidade e a
honradez);
pudor de
ação
feita
contra a
decência;
desgosto
que excita
em
nós a ideia
ou o
receio da
desonra.
Por
acaso
andar de
Corcel e Fiorino fere a
nossa
honra e
dignidade? Deixamos de
ser
quem somos
por
causa do
tipo de
carro
que temos?
Os
adolescentes,
que
em
geral
são os
que
mais implicam
com
isso
porque as
crianças
não têm
tanto
discernimento, têm
idade
suficiente
para
saber
que a
resposta a essas
perguntas é
não.
Andar de
Corcel e Fiorino
não fere a
nossa
dignidade e
não deixamos de
ser
quem somos
por
conta do
carro
que temos.
Aliás,
ter
não é
ser.
Cabe aos
pais
orientar os
filhos
com
argumentos,
sem
alimentar
discussões, baixando a "fervura"
dos
rebeldes
com
palavras carinhosas,
mas
firmes e
cheias de
razão. Cabe aos
filhos
ter
um
pouco
mais de
juízo e se
preocupar
com
coisas
mais
importantes,
como
aprender,
estudar,
ler,
ser
bons
filhos,
obedientes,
responsáveis e
pessoas de
caráter.
Nada disso tem a
ver
com o
carro,
que
só serve
para
levar as
pessoas de
um
lugar
para
outro – e olhe
lá,
porque
quando
enguiça é
um
problema.
(A autora é Jornalista)
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